Perspectivas Favoráveis da Economia Inibem Ação de Sustentação do Dólar pelo BC

Investing

Ao persistir com a intervenção neutra no mercado de câmbio o BC deixa evidente o seu intuito de dar sustentação à taxa cambial, de vez que supre a carência de liquidez mas não tem nenhuma contundência no sentido de eliminar a disfuncionalidade que vem sendo apresentada pela taxa cambial.

Este tipo de intervenção massivamente utilizada, sem a prévia eliminação do desequilíbrio do preço do câmbio consequente da carência de fluxo cambial positivo que assegurasse a liquidez, deu sustentabilidade à manutenção da taxa cambial em patamar excessivo.

Tema controverso que envolve muitas sutilezas nos impactos na formação do preço do câmbio, na maioria das vezes imperceptíveis de imediato ou acobertado por atribuição do fato (a disfuncionalidade) a outros fatores, em especial externos com ênfase para o embate comercial sino-americano, tem provocado uma leitura errática a respeito da efetiva situação cambial do Brasil, dando a impressão de que o país tem problema cambial quando o ambiente efetivo deixa evidente que não há presente nenhum risco em torno desta questão.

O Brasil não tem e não tem razões para preocupações em torno da sua tranquilidade na questão cambial, a despeito de neste ano vir sofrendo uma expressiva queda no fluxo cambial, que, contudo não compromete a solidez do país neste segmento.

O BC tem todos os instrumentos operacionais e o país volume considerável de reservas para desenvolver estratégias com a finalidade de evitar maiores alardes e repercussões e disfuncionalidades na formação do preço do câmbio, que só ocorre e vem sendo mantida pela estratégia adotada pelo BC que não visa corrigir a disfunção, mas sim dá a mesma a sustentação.

A rigor, ainda que empiricamente, é possível admitir-se que se o BC houvesse adotado estratégia inicial corretiva da disfunção com leilões únicos de moeda à vista para coibir pontualmente a carência de fluxo positivo e prover de equilíbrio a oferta/demanda, para posteriormente passar às intervenções neutras, o preço da moeda americana estaria no em torno de R$ 4,00.

O mercado de câmbio vem convivendo desde agosto com as intervenções fortemente predominantes na estratégia neutra, e desta forma o BC já vendeu algo como US$ 24,0 bi das reservas cambiais brasileiras, sem ter reposicionado o ambiente da formação da taxa cambial ao equilíbrio.

Naturalmente a taxa cambial “pode” sugerir alguns benefícios pontuais, mas inegavelmente pode acarretar impactos indesejáveis nos preços relativos da economia, além da transfiguração do ambiente em preocupante e sugestivo de problemas onde efetivamente não existe nenhum.

Ocorre que a economia brasileira passou a dar efetivos sinais de melhora generalizada, se bem que com números discretos, mas efetivamente na direção certa, e este fato relevante muda a percepção de atratividade pelo país, ainda em perspectiva, dos investidores estrangeiros, e já vem motivando o setor privado interno a retomada de investimentos, com geração de empregos e renda.

Na medida em que as perspectivas econômicas para o país de revitalizam, as pressões normais sobre a formação do preço do câmbio no país se acentuam, fazendo com que sucumba a estratégia de sustentação da taxa cambial pela estratégia do BC, o que permite a ilação de que não seria pretensiosa uma projeção de dólar abaixo de R$ 4,00, se este tipo de intervenção neutra viesse a ser interrompida e a autoridade a restringisse, até que o fluxo cambial se recomponha, as intervenções a leilões meramente de moeda à vista.

A percepção atual é de que, mesmo com a intervenção neutra do BC no câmbio, a taxa cambial poderá romper esta estratégia de sustentação do preço e ainda, neste mês de dezembro, aproximá-la ao preço de R$ 4,00, com viés de baixa.

É relevante que ocorra a adequação do preço do câmbio à efetiva situação do país, de vez que deve ser evitada a contaminação do mesmo aos preços relativos da economia, o que até recentemente era mitigado pela incapacidade da atividade econômica “permitir” esta ocorrência, que agora com a retomada mais evidente pode ocorrer e será lamentável se a curva inflacionária se inverter para alta antes que a economia realmente engrene a dinâmica sustentável da recuperação.

Dezembro poderá trazer o necessário ajuste ao preço da moeda americana no nosso mercado, sendo necessária observação sobre a retomada do fluxo cambial positivo, que permitirá o afastamento do BC do mercado com suas intervenções e a formação do preço será necessariamente mais real e efetiva.

Porto recebe draga especial para obra nos berços

Portos e Navios

Os berços do Porto de Paranaguá começam a ser dragados por um draga mecânica, nesta sexta-feira (6). Esta é a primeira vez que uma “Clamshell” realiza obras nos portos paranaenses. A diferença entre essa e as embarcações comuns na realização desse serviço marítimo, no Estado, é a precisão e a segurança para dragar mais próximo ao costado.

Como explica o oceanógrafo Ricardo Delfim, da Diretoria de Engenharia e Manutenção da empresa Portos do Paraná, a Xin Hai Beng é uma draga estacionária, fixa. Basicamente, ela opera com um guindaste, auxiliada por caçambas e batelões.

“O equipamento é um tipo de draga mecânica que opera com uma caçamba içada por cabos (espécie de guindaste). Tem menos mobilidade, mas draga om maior precisão próximo ao cais e não expõe as estruturas fixas à riscos”, explica.Publicidade

A Clamshell é atendida por batelões (embarcações auxiliares de fundo chato, tipo balsa) para que o material dragado chegue ao despejo.

COMO OPERA – Para a obra, a draga Xin Hai Beng se fixa em um ponto estratégico e avança à posição de operação, por meio de grandes ‘estacas’, tecnicamente chamadas de ‘spuds’. O equipamento traz consigo três tamanhos de caçamba: 09m³, 22m³ e 27m³.

A caçamba designada para determinado local é baixada até fundo, aberta, por gravidade, penetra o leito e, após cheia, o operador a fecha por cabos e transfere o material para dentro do batelão (que fica atracado a contra-bordo, ou seja, bem junto à draga).

Os batelões que atendem a operação são o Hang Bo 2002 e o Hang Bo 2003. Enquanto um batelão está sendo carregado, o outro está despejando o material. Os dois batelões se alternam entre carregamento e transporte ao despejo, para que a Xin Hai Beng não fique ociosa.

O uso de draga mecânica, classificação dada a dragas que não utilizam bombas de sucção, normalmente é aplicado, em portos brasileiros e internacionais, em obras junto à cais, berços e dolfins (estruturas localizadas fora do cais, que servem para amarração e atracação de navios).

APOIO – Durante a obra, uma outra embarcação ainda auxilia nas atividades. O rebocador M. Aveiro é empregado no processo de nivelamento do leito marinho.

“Em baixa velocidade (para evitar agitação do sedimento do leito), o rebocador nivela, ocupando eventuais lacunas de sobredragagem (quando se draga além do previsto) com material que, mesmo após dragagem, remanesça acima da profundidade de trabalho (pequenas cristas)”, explica Delfim.

Segundo o oceanógrafo, essa técnica visa aproveitar as pequenas lacunas das áreas que eventualmente são dragadas além da cota de trabalho. Com isso são evitadas que viagens extras até a área de despejo sejam feitas.

“Ao evitar que viagens extras sejam feitas até o despejo e ao ocupar áreas que foram “sobredragadas” e não entram no escopo do contrato (mas houve esforço material, de insumos, por queima de combustível por exemplo) diminuem a pegada ambiental da obra e otimizam o tempo e os resultados”, comenta.

CRONOGRAMA – De acordo com o diretor de Operações da Portos do Paraná, Luiz Teixeira da Silva Júnior, esse equipamento era muito aguardado. “É uma draga especial porque ela chega perto da cortina do berço. Essa é a grande vantagem dela sobre a draga convencional que nos atendia até hoje”, pontua.

Os serviços dessa etapa da dragagem dos berços do cais comercial do Porto de Paranaguá começarão pelo berço 204, especializado no embarque de granéis sólidos de Exportação (grãos e açúcar). E na sequencia devem ser dragados linearmente os demais berços até o 214; e por fim, o berço interno do píer de inflamáveis 142.

DRAGAGEM – Com a obra de manutenção, a profundidade mantida em todos os berços é de 13,5 metros. Para o berço interno do píer de inflamáveis, são 11 metros.

No total, serão cerca de 150 mil metros cúbicos de sedimentos retirados no cais comercial e parte interna do píer de inflamáveis. A obra mantém o porto operacional, igualando as profundidades dos berços aos acessos aquaviários.

A obra está inserida no programa de manutenção continuada da profundidade dos Portos do Paraná, que prevê as obras para os próximos cinco anos. O investimento público total para o programa será de R$ 403 milhões, ao longo destes cinco anos.

DESCARTE – A área de despejo dos sedimentos dragados fica localizada a mais de 20 quilômetros da Ilha da Galheta e da Ilha do Mel. Em média, devem ser realizadas duas viagens por dia, por equipamento.

O local de descarte, regulamentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), foi definido após estudos de correntes e outros aspectos climáticos, como a mais indicada para a dispersão do material dragado sem prejuízos ambientais.

Antaq publicará em 9 de dezembro edital para licitação do Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza

ANTAQ

A Antaq publicará, em 9 de dezembro, no Diário Oficial da União, o edital para a licitação do Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza. A sessão pública do leilão acontecerá em 27 de março de 2020 na sede da Agência, em Brasília. O recebimento das propostas será em 24 de março.

A área do terminal é de 27.640 metros quadrados. O prazo do arrendamento é de 25 anos. O valor global do contrato alcança R$ 100.954.585,00. O vencedor do leilão será o proponente que oferecer o maior valor de outorga.

A tarifa teto para passageiros em trânsito será de R$ 39,29. Já a tarifa teto para passageiros em embarque e desembarque será de R$ 59,31.

Antaq e usuários discutem SSE e padronização das rubricas tarifárias

ANTAQ

Antaq e representantes dos usuários se reuniram, na quinta-feira (5), na sede da Agência, em Brasília. O objetivo da Agência foi discutir com esse segmento do setor a metodologia de definição do preço-teto do Serviço de Segregação e Entrega de Contêineres (SSE) e a proposta de padronização das rubricas tarifárias do serviço de movimentação de contêineres. A previsão é que esses projetos sejam colocados em consulta pública ainda no primeiro trimestre de 2020. Em 5 de novembro, a Antaq se reuniu com os terminais portuários para debater esses assuntos.

O SSE é o preço cobrado, na importação, pelo serviço de movimentação das cargas entre a pilha no pátio e o portão do terminal portuário, pelo gerenciamento de riscos de cargas perigosas, pelo cadastramento de empresas ou pessoas, pela permanência de veículos para retirada, pela liberação de documentos ou circulação de prepostos, pela remoção da carga da pilha na ordem ou na disposição em que se encontra e pelo posicionamento da carga no veículo do importador ou do seu representante.

“A definição do preço-teto do SSE é um mecanismo regulatório para coibir a abusividade nos preços, conforme a Resolução Normativa 34, de 2019”, explicou o gerente de Regulação Portuária da Antaq, Dax Rösler, referindo-se ao parágrafo único do artigo 9º da RN 34, que diz: “No caso em que restar demonstrada a verossimilhança de que exista abuso na cobrança do SSE, a Antaq poderá estabelecer o preço máximo a ser cobrado a esse título, mediante prévio estabelecimento e publicidade dos critérios a serem utilizados para sua definição”.

Já em relação à padronização das rubricas tarifárias, a Agência, conforme o gerente, “dará maior transparência aos usuários, além de previsibilidade nos valores pagos pelos serviços portuários, facilitando a comparação entre os preços de diversos terminais”.

O encontro entre representantes da Antaq e dos usuários, entre eles os da Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport-BA), fez parte da Reunião Participativa e Tomada de Subsídio. A Reunião Participativa e a Tomada de Subsídio são institutos legitimados pela Resolução Normativa nº 33, de 2019, que aprova a norma que estabelece as regras sobre a participação social nas decisões da Antaq, por meio de audiências públicas, consultas públicas, reuniões participativas, tomadas de subsídio e consultas internas.

No final da reunião, ficou acordado que a Antaq enviará ofício aos representantes dos usuários solicitando contribuições para os dois assuntos abordados no encontro. Os usuários terão o prazo de trinta dias para enviar suas sugestões a partir da data do documento.

Porto de Cabedelo movimenta quase 40 mil toneladas na primeira semana de dezembro

Paraíba.Com

Depois de ter a melhor movimentação de navios desde 2015, o Porto de Cabedelo está garantindo o mês de dezembro como o melhor período do ano na quantidade de carga movimentada. A companhia está encerrando a primeira semana do mês com uma movimentação de quase 40.000 toneladas.

Atualmente, dois navios estão atracados. O SBI Achilles veio dos Estados Unidos com 29.701 toneladas de coque de petróleo, já o graneleiro Parana Warrior veio do Uruguai com 9 mil toneladas de malte. Somadas, as cargas representam um dos melhores resultados para uma semana em 2019.

“Esse resultado é fruto de um trabalho contínuo de divulgação, prospecção e melhorias. Tanto nossa equipe quanto o Governo do Estado estão antenados no mercado e empenhados em apresentar o Porto para o Brasil e o mundo como uma eficiente opção logística”, avalia a presidente da Companhia Docas da Paraíba (Docas-PB), Gilmara Temóteo.

Para o mês de dezembro a Companhia Docas prevê a movimentação de mais de 100 mil toneladas e trabalha com o planejamento de que o último mês de 2019 será o melhor na quantidade de granéis sólidos e líquidos.

Tributação complexa e infraestrutura precária são desafios para a indústria

Poder 360

á 2 anos, em novembro de 2017, entrou em vigor no país a nova legislação trabalhista. O pacote de medidas flexibilizou as relações de trabalho e sua implementação resultou na queda do número de novas ações registradas pela Justiça do Trabalho.

Em 2016, foram 4.262.444 ações, número que atingiu 4.321.842 em 2017 e caiu para 3.460.875 no ano passado, de acordo com informações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Os números de 2019 só serão consolidados no próximo semestre, mas a projeção da CNI (Confederação Nacional da Indústria) é de que a trajetória de queda se mantenha, isso porque o novo arcabouço legal reduziu a insegurança jurídica nas relações entre trabalhadores e empresários.

Houve uma desburocratização, uma simplificação dos processos na área trabalhista e isso, é claro, impacta nos custos das empresas”, avalia Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI.

A entidade compila desde 2005 os principais obstáculos para o desenvolvimento da economia brasileira, reunindo no Mapa Estratégico da Indústria propostas para fomentar a atividade industrial. A edição mais recente do Mapa foi lançada em 2018, com projeções até 2022.

Se, por um lado, houve redução na insegurança jurídica nas relações trabalhistas, por outro o país quase não avançou em questões fundamentais, como a revisão do sistema tributário e a resolução de entraves na infraestrutura.

Na avaliação do gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, esses pontos devem ser priorizados nos próximos meses para que a economia brasileira volte a crescer e para que, consequentemente, o setor industrial consiga superar a crise que atravessa desde 2014.

A reforma tributária é a questão mais importante agora porque, apesar de alguns ajustes, a carga tributária continua crescendo e é muito complexa. De certa forma, empresários de pequeno e de médio porte conseguem escapar de parte dessas dificuldades porque podem utilizar o Simples, mas o grande empresário tem que lidar com uma legislação tributária muito complicada e onerosa. Manter a carga de impostos atual, mas simplificar o arcabouço legal já traria redução de custos e isso chegaria até o consumidor final, por meio de produtos mais baratos na ponta”, defende Fonseca.

Economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), Rafael Cagnin afirma que o cenário atual da indústria brasileira reflete problemas tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda.

O cipoal tributário e as carências na infraestrutura se juntam às falhas no sistema educacional para explicar os obstáculos pelo lado da oferta. Isto é, são questões que impedem que o setor produtivo consiga se organizar para se posicionar de forma competitiva no mercado internacional. “O atual governo olha muito para os problemas da oferta, esse parece ser o foco prioritário de ação, mas isso precisa ser melhor conversado com o setor privado, para evitar o que vimos, por exemplo, no leilão do pré-sal”, afirma.

INVESTIMENTOS

O economista se refere aos resultados obtidos no megaleilão da cessão onerosa. O governo federal esperava arrecadar R$ 106,6 bilhões, mas obteve apenas R$ 69,96 bilhões com a venda de duas áreas no pré-sal na Bacia de Santos, no Rio de Janeiro.

Cagnin destaca que as parcerias com o setor privado são fundamentais para a retomada dos investimentos em obras de infraestrutura: “Temos muitas obras paradas no país, e os investimentos públicos foram praticamente liquidados com o ajuste fiscal, então temos que acelerar as concessões e outras parcerias com o setor privado. Não estou dizendo que é algo trivial, mas é uma medida capaz de estimular o crescimento econômico porque ataca o problema pelo lado da oferta, mas também da demanda.

O elevado nível de desemprego é uma das principais causas do fraco desempenho da economia, quando se olha o problema pela ótica da demanda. Sem renda fixa, o brasileiro reduz o consumo e evita assumir novas dívidas. Aqueles que têm emprego não tiveram crescimento real de renda e também controlam os gastos. Como o cenário externo não favorável, a indústria brasileira tem operado em nível inferior à sua capacidade máxima.

A gente cresce pouco porque falta demanda. Temos uma taxa de desemprego nas alturas e que teima em ser reduzida. A Pnad Contínua mostrou que o nível de desemprego continua quase igual ao de outubro do ano passado, a queda que tivemos foi marginal. Nos últimos 12 meses não saímos do lugar”, explica o economista.

A retomada de investimentos em obras de infraestrutura poderia estimular a demanda, defende Cagnin. Isso porque a contratação de pessoas para trabalhar nessas obras aqueceria a cadeia produtiva: “Obras de infraestrutura geralmente são de grande porte e demandam produtos feitos por segmentos industriais importantes como os de minerais metálicos e não metálicos, o de máquinas e o da construção civil como um todo, um segmento intensivo na utilização de mão de obra.”

Problemas de infraestrutura ainda são grande entrave no desenvolvimento da indústria. Na imagem, obras em BrasíliaJosé Paulo Lacerda/CNI – 8.nov.2013

NOVAS REFORMAS

Outra medida para estimular a demanda é fazer com que a redução da Selic, que se encontra no menor patamar histórico, se traduza em juros menores na oferta de crédito para empresas e cidadãos. Para que isso ocorra, o governo terá que enxugar os gastos, um processo que já começou com o estabelecimento do teto de gastos e que continua na pauta com a proposta de reforma administrativa.

Os juros são altos porque o governo deve muito e coloca títulos no mercado para conseguir dinheiro. Os bancos preferem emprestar para o governo, que oferece mais garantias, e isso reduz a oferta de crédito na economia”, afirma o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI.

Já na avaliação do economista do Iedi, o governo deve ter cautela ao implementar novas medidas para estimular a demanda. Cagnin acredita que a liberação de saques das contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) foi uma iniciativa positiva para injetar recursos na economia, mas questiona a decisão do Banco Central de colocar um teto para os juros cobrados no cheque especial: “A experiência histórica mostra que tabelar preços e juros nunca funciona, os agentes econômicos correm por fora e tendem a burlar esses bloqueios.”

ENTENDENDO O MAPA ESTRATÉGICO DA INDÚSTRIA

A 1ª edição do documento foi lançada em 2005, com o objetivo de levar para a sociedade e para o governo um roteiro para o desenvolvimento do país. O documento foi elaborado com base em discussões com empresários e com presidentes das federações estaduais das indústrias. A 1ª versão tratava de temas que extrapolavam a atuação do setor industrial, como saúde e segurança pública e, por isso, a 2ª edição, que contemplou o período entre 2013 e 2022, passou por ampla revisão temática.

O Mapa Estratégico da Indústria diminuiu bastante na 2ª edição, porque resolvemos retirar temas sobre os quais não temos expertise. Segurança pública, por exemplo. É um fator que impacta diretamente a atividade industrial, mas a CNI não tem expertise sobre esse tema. Então resolvemos focar mais nos assuntos que dominamos”, explica o gerente de Pesquisa e Competitividade da entidade, Renato da Fonseca.

Com isso, o documento tratou de 10 fatores-chave para aumentar a competitividade da indústria brasileira: 1) ambiente macroeconômico, 2) desenvolvimento de mercados, 3) educação, 4) eficiência do Estado, 5) financiamento, 6) infraestrutura, 7) inovação e produtividade, 8) relações de trabalho, 9) segurança jurídica e 10) tributação.

Conheça mais sobre o Mapa Estratégico da Indústria em 1 infográfico animado:

A edição mais recente é uma atualização do 2º Mapa Estratégico da Indústria e, dessa vez, a CNI focou ainda mais nas variáveis em que o setor industrial pode atuar, conforme explica o diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade: “Se a gente está preparado ou está querendo se preparar para atuar na indústria 4.0, a gente tem que pensar nos equipamentos que serão adaptados, sofrerão uma transformação para aumentar a produtividade. E, na mesma proporção, teremos que ter pessoas mais qualificadas para trabalhar em atividades que exigem conhecimento mais profundo. Temos também que entender o layout das empresas, para trabalhar de uma forma mais objetiva e com processos mais objetivos, que possam reduzir o tempo de produção e os riscos envolvidos na operação industrial”, pontua o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi.

Novas tecnologias digitais aumentam produtividade de empresas

Folha de Pernambuco

Um programa piloto realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com 43 empresas de 24 estados, mostrou que as novas tecnologias digitais da Indústria 4.0 aumentam em cerca de 22% a produtividade de micro, pequenas e médias empresas. Denominado Indústria Mais Avançada, o projeto é o primeiro a testar o impacto na produção do uso de ferramentas de baixo custo como sensoriamento, computação em nuvem e internet das coisas (IoT).

Indústria 4.0 é um termo recente que explica a aplicação das novas tecnologias nos principais processos industriais. Entre as características mais marcantes estão a automação de tarefas e o controle de dados e informações. O surgimento e utilização dessas ferramentas está sendo classificado como a quarta revolução industrial, devido à possibilidade de um impacto mais profundo e por se caracterizar por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico. 

Entre as ferramentas utilizadas estão a Impressão 3D (adição de material para fabricar objetos, formados por várias peças, constituindo uma montagem); Inteligência Artificial (busca simular a capacidade humana de raciocinar, tomar decisões, resolver problemas, dotando softwares e robôs de capacidade de automatizar vários processos); Internet das Coisas (possibilidade de que objetos físicos estejam conectados à internet, podendo assim executar de forma coordenada uma determinada ação).

Há ainda a Biologia Sintética (convergência de novos desenvolvimentos tecnológicos nas áreas de química, biologia, ciência da computação e engenharia, permitindo o projeto e construção de novas partes biológicas); e Sistemas Ciber-Físicos (sintetizam a fusão entre o mundo físico e digital, com todo objeto físico e os processos físicos que ocorrem, em função desse objeto, digitalizados).

“O objetivo do Senai com a experiência-piloto, chamada de Indústria mais Avançada, é refinar um método de baixo custo, alto impacto e de rápida implementação, que ajude as empresas brasileiras a se inserirem na 4ª Revolução Industrial. A iniciativa do Senai prova que a Indústria 4.0 é para todos: qualquer tipo de empresa, em qualquer estado do Brasil. O resultado nacional é relevante, e, principalmente, houve ganhos significativos para todas as empresas atendidas”, disse o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi.

Segundo o Senai, os pilotos foram realizados entre maio de 2018 e outubro deste ano, em empresas dos segmentos de alimentos e bebidas, metalmecânica, moveleiro, vestuário e valçados. Foram instalados sensores para coletar dados, e as informações foram transmitidas para uma plataforma que acompanha em tempo real o desempenho da linha de produção, podendo ter maior controle dos indicadores do processo e antecipar-se a possíveis problemas.

“As empresas que obtiveram maiores ganhos com as tecnologias digitais foram aquelas que utilizavam menos técnicas de gerenciamento da produção antes de participar do programa. A técnica nova, ao ser introduzida em uma empresa que utiliza poucos métodos de gestão, proporciona ganho maior em produtividade”, disse o gerente executivo de Inovação e Tecnologia do Senai, Marcelo Prim.

De acordo com o Senai, a análise mostrou ainda que a percepção do ganho obtido com a tecnologia é muito afetada pelo porte da empresa. As médias e grandes empresas tendem a investir em tecnologias da Indústria 4.0 para dar continuidade aos esforços de aumento de produtividade. Os micro e pequenos empresários valorizam mais a agilidade permitida pelo sistema.

“O sistema permite aprender com o processo produtivo, diminuindo o tempo de resposta, tornando-o mais ágil e previsível. Garantir que aquilo que o empresário planejou será entregue nos prazos que ele combinou com o mercado traz um nível de competitividade maior para a pequena empresa, e ela consegue se inserir mais facilmente nas cadeias de valor”, explicou Prim.

Entre as recomendações para aderir à indústria 4.0 estão enxugar processos, qualificar trabalhadores, empregar tecnologias disponíveis e de baixo custo, investir em pesquisa.

Receita abre consulta ao 7º lote de restituição do Imposto de Renda

Folha de Pernambuco

O sétimo lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2019 estará disponível para consulta a partir de hoje (9). O lote contempla também restituições residuais dos exercícios de 2008 a 2018.

O crédito bancário para 320.606 contribuintes será realizado no dia 16 de dezembro, totalizando R$ 700 milhões, dos quais R$ 172.952.366,78 são para contribuintes com preferência: 3.308 idosos acima de 80 anos, 21.410 com idade entre 60 e 79 anos, 3.172 contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou doença grave e 9.789 cuja maior fonte de renda seja o magistério.

Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar a página da Receita na internet, ou ligar para o Receitafone 146. Na consulta à página da Receita, serviço e-CAC, é possível acessar o extrato da declaração e ver se há inconsistências de dados identificadas pelo processamento. Nessa hipótese, o contribuinte pode avaliar as inconsistências e fazer a autorregularização, mediante entrega de declaração retificadora.

A Receita disponibiliza ainda aplicativo para tablets e smartphones, o? que facilita consulta às declarações do IRPF e situação cadastral no CPF. Com ele será possível consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.

A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá fazer requerimento por meio da internet, mediante o Formulário Eletrônico – Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Extrato do Processamento da DIRPF.

Caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do BB ou ligar para a Central de Atendimento por meio do telefone 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos) para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.

Seminário Brasil Mais Simples

Diário de Pernambuco

A simplificação da abertura e legalização de empresas e soluções para as micro e pequenas empresas serão debatidas no Seminário Brasil Mais Simples, edição Pernambuco, promovido pelo Sebrae, em parceria com a Junta Comercial de Pernambuco e as secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e de Planejamento. O seminário  será aberto hoje, às 14h, e continua amanhã no Internacional Palace Recife, em Boa Viagem, no Recife. É voltado para servidores de órgãos públicos de registro e licenciamento de empresas, contadores, administradores e empresários. “A proposta é alinhar com os parceiros da REDESIM melhorias e simplificação de processos”, destaca o coordenador de Diretrizes e Ambiente de Negócios do Sebrae/PE Fernando Clímaco.A abertura oficial do evento será às 14h, no dia 09 de dezembro. O primeiro dia conta com palestras que acontecem das 15h às 18h, ministradas por André Luiz Santa Cruz Ramos (Diretor do Departamento de Registro Empresarial e Integração do Ministério da Economia), Bruno Schwambach (Secretário de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco) e Dr. Ricardo Moretti (Professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

No segundo dia, o evento toma o formato de uma oficina para discutir os desafios da simplificação de processos no Estado, envolvendo técnicos de órgãos municipais e estaduais. A metodologia da oficina contempla a apresentação de casos de sucesso, a partir das 9h, como a experiência do portal de licenciamento da Prefeitura do Recife, que será apresentada por João Braga e Taciana Sotto-Mayor (Secretaria de Licenciamento e Urbanismo); o projeto Junta Digital, com Taciana Coutinho Braga (Presidente da Junta Comercial de Pernambuco); e a experiência de Jaboatão dos Guararapes, que lançou recentemente o portal do licenciamento simplificado à luz da Lei da Liberdade Econômica, apresentada por Orzil Borges (Coordenador de Desenvolvimento Econômico).

Documento – Após as apresentações, os participantes trabalharão na elaboração de desafios do processo de licenciamento para gerar um plano de ação compartilhado entre parceiros para os avanços da desburocratização e simplificação do licenciamento empresarial em Pernambuco. A oficina será conduzida por técnicos do Sebrae/PE e da Secretaria de Planejamento do Estado.