Impacto pode ser maior agora do que há dois anos

Diário de Pernambuco

A liberação de parte do saldo do FGTS pode ter um efeito mais forte sobre a economia neste ano do que o verificado em 2017, no governo Michel Temer. A avaliação é do ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento Marcos Ferrari, um dos responsáveis pelo plano de pagamento desses recursos elaborado na gestão Temer.
Em 2017, a economia cresceu 1,1%. O FGTS foi responsável por 0,61 ponto percentual desse crescimento, segundo cálculo do governo na época sobre o impacto de liberação de R$ 44 bilhões somente de contas inativas do FGTS. Desta vez, o montante é calculado em R$ 42 bilhões.
“Naquela época, as condições eram diferentes, as famílias estavam muito endividadas. Agora, pode ser que o efeito seja maior. Talvez o canal para o consumo esteja mais aberto. No mínimo, pode-se esperar um impacto como em 2017, afirmou Ferrari.
O economista diz que os efeitos da medida são imediatos, via consumo, beneficiando diretamente o comércio e o setor de serviços, mas que o impacto tende a ser absorvido rapidamente.
“É uma receita de curto prazo, que não pode vir sozinha.” É preciso estimular outros canais, tanto de demanda como de oferta, afirma. “O FGTS sozinho não garante crescimento sustentável. Tem de ter outras forças, mas ele é importante, é um dos fatores que vão convergir com outras medidas para gerar crescimento.”
O momento escolhido em cada governo para lançar a medida também é destacado por Ferrari. De acordo com o ex-secretário, o governo Temer apresentou o plano logo após enviar ao Congresso a reforma da Previdência, que acabou não sendo votada.
O objetivo era iniciar um processo de retomada, para que a economia já estivesse crescendo quando a proposta fosse aprovada. O texto, no entanto, não chegou a ser votado em plenário. Desta vez, o governo optou por esperar a votação da Previdência em primeiro turno na Câmara antes de confirmar a liberação dos recursos.
Ferrari tem a avaliação de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, está correto em esperar primeiro uma melhora dos indicadores de confiança antes de injetar esses recursos na economia, pois, com a reforma encaminhada, o canal das expectativas estará mais positivo.

Cabotagem da Aliança Navegação e Logística cresce 17% no primeiro trimestre de 2019

Portos e Navios

A Aliança Navegação e Logística registrou, no primeiro trimestre de 2019, um crescimento de 17% no serviço de cabotagem. Uma das regiões que tem contribuído para este resultado é a Norte, onde os rios são vias de acesso cruciais para algumas cidades do Norte do Brasil, representando a maior fatia no transporte de cargas. “A Aliança é pioneira na retomada da cabotagem e opera com 6 navios, com escalas semanais, na região Norte, incluindo uma escala dedicada à Vila do Conde (PA), implementada em 2018 para atender aos estados do Pará e Amapá“, destaca Erick Lourenço, gerente de Operações da Aliança Navegação e Logística na região. Para acompanhar o aumento da demanda, a empresa conta com a maior frota de navios do mercado. Em Manaus são utilizados navios de 3.800 TEUs e 4.800 TEUs. Já em Vila do Conde, a capacidade do navio é de 1.740 TEUs. “Ampliamos, também, nossa atuação nos serviços intermodais, estabelecendo parcerias com empresas de balsas e caminhões, além de contar com nossa frota própria para realizar o serviço porta a porta”.

De acordo com Erick Lourenço, o foco da empresa é simplificar a cadeia logística, que vai da coleta da carga na origem até a entrega no destino final, garantindo eficiência e segurança. “Cuidamos de todas as etapas do transporte, explorando os benefícios de cada um dos modais disponíveis. O navio é o grande elo que conecta grandes distâncias, entregando confiança, economia e confiabilidade”, reforça Lourenço. 

A expectativa da armadora é gerar cerca de 800 empregos indiretos na região. Além da forte atuação junto às empresas do Polo Industrial de Manaus, a Aliança tem ampliado sua participação no Pará – indústria mineral, de açaí e polpas de frutas em geral, contemplando de pequenos comércios aos grandes distribuidores e varejistas.

Cais Mauá pede à Justiça que suspenda rescisão de contrato feita pelo Estado do Rio Grande do Sul

Zero Hora

Supostamente encerrado em junho, quando o governo do estado do Rio Grande do Sul assinou a rescisão unilateral do contrato com a empresa Cais Mauá, o imbróglio envolvendo a antiga área portuária de Porto Alegre ganhou fôlego nesta semana. Na terça-feira (16), a empresa pediu à Justiça Federal uma liminar que suspenda o rompimento do contrato e que impeça o governo do Estado de licitar outros empreendimentos no local.  

Além dos pedidos em caráter liminar, a empresa quer que os réus paguem indenização por perdas e danos “a título de imagem” e lucros cessantes. O consórcio Cais Mauá do Brasil solicitou ainda que a rescisão seja anulada ao final do processo. Procurado pela reportagem de GaúchaZH, o presidente do consórcio Cais Mauá do Brasil, Eduardo Luzardo, não quis se manifestar sobre o assunto. 

O pedido foi recebido pela juíza Daniela Cristina Pertile Victória, da 6ª Vara Federal. Antes de analisá-lo, a magistrada solicitou que o governo do RS, a Superintendência do Porto de Rio Grande, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antac) e a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestem. O objetivo é “assegurar as partes paridade de tratamento e zelar pelo efetivo contraditório”. As movimentações devem ocorrer dentro dos próximos 15 dias.  

No fim de maio, após analisar parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o governador Eduardo Leite informou o rompimento do acordo com a Cais Mauá, alegando que o consórcio não cumpriu compromissos firmados desde 2010, quando se iniciou o período de concessão. A rescisão unilateral ocorreu no mês passado.  

No documento que formaliza o rompimento do contrato, publicado no Diário Oficial do Estado em 10 de junho, o governo elencou seis motivos para a decisão: “absoluta ausência de obras relevantes objetivando a revitalização do Cais, não manutenção da qualificação econômico-financeira da arrendatária, não adimplemento dos valores decorrentes do arrendamento, não obtenção das licenças pertinentes, falta de conservação dos armazéns, em especial o A e o B, e escasso zelo com a segurança do patrimônio público histórico em consequência de vigilância deficiente”. 

Tecon Rio Grande recebe mais de 41 mil toneladas de fertilizantes em 2019

Agoranors

O Tecon Rio Grande, terminal de contêineres do Grupo Wilson Sons, recebeu 41.888 toneladas de fertilizantes de janeiro a junho de 2019, correspondente a 1.496 TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), 43% maior que os números de 2018 no mesmo período. O resultado está principalmente ligado à bem-sucedida operação de importação do produto via contêineres reefer, iniciada no ano passado.

Os fertilizantes são transportados em big bags (grandes sacolas), capazes de carregar até uma tonelada do produto, dentro de contêineres reefer desligados. “Esses equipamentos são utilizados para exportação de carne congelada e, como em sua maior parte retornavam vazios, identificamos uma oportunidade interessante que beneficia tanto armador, importador e o próprio terminal pelo fomento de novas cargas em contêineres”, conta Rodrigo Velho, gerente Comercial do Tecon Rio Grande, destacando que todos os contêineres passam por higienização antes de receber qualquer tipo de carga.

“A conteinerização de fertilizantes simplificou muitas operações. Além de melhores custos, ganhamos mais independência na compra da mercadoria, maior eficiência no fluxo de caixa, com estoques menores”, ressalta Darli Golembieski da Ourofértil, empresa parceira do Tecon Rio Grande no setor.

A carga é entregue ao cliente em big bags, em caçambas (onde o big bag já foi rompido) ou mesmo a granel. Além dos fertilizantes, o terminal também vem fomentando a conteinerização de outras cargas tradicionalmente transportadas a granel, como a exportação de grãos e o projeto de estufagem de toras.

Com mais de 20 anos, o Tecon Rio Grande é um dos mais importantes terminais de contêineres da América Latina. Opera as principais linhas de navegação que escalam o país e atende a cerca de três mil importadores e exportadores, tendo se tornado fundamental para o desenvolvimento econômico do estado.

Aos 200 dias, governo lança medidas para animar economia

TERRA

O governo do presidente Jair Bolsonaro decidiu marcar os seus 200 dias com um novo pacote de medidas para tentar acelerar a economia e melhorar a aprovação do presidente, ao virar a curva de meio ano no poder sem ter conseguido ainda a aprovação da reforma da Previdência.

Até esta quarta, a equipe econômica corria para tentar fechar para a comemoração dos 200 dias as medidas que prevêem a nova liberação de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A medida, que foi confirmada para “esta semana”, pelo presidente, ainda não estaria pronta, mas era apontada por fontes do Planalto como uma das que podem ser apresentadas nesta quinta.

16/07/2019
REUTERS/Adriano Machado
16/07/2019 REUTERS/Adriano MachadoFoto: Reuters

Fontes da equipe econômica ainda não tem certeza se conseguirão anunciar a medida esta semana. De acordo com uma delas, mesmo a operacionalização da operação ainda não estava acertada. Fontes da equipe econômica disseram à Reuters que duas possibilidades serão apresentadas ao presidente ainda na noite desta quinta para que ele tome uma decisão, que pode ocorrer só na quinta-feira.

A medida é o foco mais direto para tentar revigorar a economia até o final deste ano e escapar de um crescimento praticamente nulo no primeiro ano de governo Bolsonaro. Na Argentina, o presidente disse que se trata de “uma pequena injeção na economia”.

Na semana passada, o governo cortou a previsão de alta do PIB deste ano de 1,6% para 0,81%. O mesmo número saiu no último boletim Focus, na segunda-feira, com as estimativas de mercado.

O pacote de 200 dias inclui ainda mais um “revogaço”, uma lista de revogações de decretos considerados ultrapassados ou sem função. No primeiro deles, foram revogadas mais de 200 medidas.

Artesanais

Uma das medidas de efeito prático mais imediato que serão anunciadas nesta quinta no Planalto é a regulamentação da lei que libera o transporte e a venda de produtos artesanais, como por exemplo, queijos da Serra da Canastra, para outros Estados com menor burocracia.

Desde que tenham o chamado Selo Arte, os produtos, que hoje têm sua comercialização praticamente restrita ao município ou Estado onde são fabricados, poderão ser vendidos em todo país. A estimativa do Ministério da Agricultura é que 70 mil produtores de queijos artesanais se beneficiem da medida.

Também deverão ser apresentadas medidas na área social, como a criação de um programa para acolhimento e atendimento de idosos, tocado pelo Ministério da Cidadania.

Guedes e Bolsonaro confirmam liberação de até 35% do saldo das contas ativas do FGTS

Poder 360

O ministro Paulo Guedes (Economia) confirmou nesta 4ª feira (17.jul.2019) que o governo permitirá o saque de até 35% do saldo de contas ativas do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço).

De acordo com o titular da pasta econômica, o anúncio da liberação de saques será realizado nos próximos dias pelo governo, afirmou ao jornal Folha de S.Paulo.

A informação de que o anúncio seria feito ainda nesta semana foi confirmada pelo presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista coletiva na Argentina –onde participa da 54ª Cúpula do Mercosul–, o presidente disse que a medida representaria “uma pequena injeção na economia”.

“E é bem-vindo isso aí porque começa a economia, segundo especialistas, a dar sinal de recuperação pelos sinais positivos, em especial, também, que estão vindo do parlamento”, afirmou.

O percentual disponibilizado para saque dependerá dos ganhos do trabalhador. Ainda segundo o ministro, o saque dará-se no mês de aniversário de quem tiver acesso ao benefício.

Hoje, o dinheiro das contas ativas tem uso restrito, sendo sua principal aplicação na compra de imóveis. A expectativa é de que a liberação dos saques injete até R$ 42 bilhões na economia.

A 1ª menção do ministro sobre a iniciativa foi feita depois da divulgação do resultado do PIB (Produto Interno Bruto) que foi negativa. Na ocasião, Guedes disse que a liberação seria feita “assim que saírem as reformas”.

PIS/PASEP

Paulo Guedes, que integra a comitiva presidencial na 54ª Cúpula do Mercosul, também projeta a liberação de R$ 21 bilhões de recursos oriundos do PIS/Pasep. “A tendência é esta“, afirmou.

Autores

Demanda de bens industriais indica estagnação

Editorial ESTADÃO

A alta de apenas 0,1% entre abril e maio no consumo aparente de bens industriais, definido como a produção industrial interna menos exportações e mais importações, mostra que a maioria das empresas industriais teme aumentar os estoques de matérias-primas e de produtos acabados. O setor secundário da economia continua, portanto, estagnado. No trimestre março/maio de 2019, houve queda de 0,6% no indicador. A fraqueza da demanda reforça as tendências negativas já observadas em outros estudos sobre a indústria.

Na Carta de Conjuntura relativa ao 3.º trimestre de 2019, os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ressaltam o comportamento heterogêneo dos diversos ramos industriais. 

A principal variação positiva apareceu no segmento de bens de capital, com alta de 3,9% entre abril e maio, de 23,7% entre maio de 2018 e maio de 2019 e de 11,8% nos últimos 12 meses. Mas a comparação pode ter sido influenciada pela greve dos caminhoneiros de maio do ano passado, que dificultou as vendas da indústria. 

Um exemplo de oscilações bruscas na demanda aparece na indústria extrativa mineral, que cresceu 14,4% entre fevereiro e março, caiu 33,1% entre março e abril e subiu 30,3% entre abril e maio. Em boa medida, oscilações de tal magnitude se deveram ao desastre de Brumadinho, que afetou a produção de minério de ferro.

Os indicadores da demanda, na comparação entre maio de 2018 e maio de 2019, têm sido favorecidos pelos segmentos de veículos e de alimentos. No caso dos veículos, as perspectivas são incertas: se a economia não reagir, é possível uma queda no ritmo de aquisições para constituição de frotas de caminhões ou na demanda das locadoras de veículos.

É no item bens importados que a demanda mais cresceu nos primeiros meses do ano e poderá continuar crescendo. O consumo subiu 13,3% entre fevereiro e março e 2,9% entre abril e maio, embora tenha caído 0,7% entre março e abril. Em relação a maio de 2018, a alta foi de 15,9% e, em 12 meses, de 6%. 

Um estímulo à compra de bens industriais no exterior deverá vir da desvalorização do dólar. Essa desvalorização ajuda empresas que estão endividadas em moeda estrangeira, mas poderá afetar exportadores e produtores nacionais. Em resumo, o balanço desses fatores poderá ser desfavorável à indústria local.

A indústria e a previdência

*João Carlos Marchesan é administrador, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ

– A confirmação da notícia de um PIB negativo, no primeiro trimestre de 2019, após o IBGE ter anunciado, há mais de um mês, a queda da produção da indústria, confirma a estagnação da economia brasileira, num momento em que a posse de um novo governo criava expectativas de retomada de um crescimento sustentado,  que era  estimado, no começo de 2019 , em algo próximo a 3% ao ano.

– Na realidade o novo governo recebeu o país em condições fiscais difíceis, com um déficit nominal de mais de 5% do PIB, uma dívida pública elevada e, pior, crescente. A equipe econômica escolheu priorizar o ajuste fiscal, onde a reforma previdenciária tem, certamente, uma importância capital. Assim, todas as esperanças de crescimento foram subordinadas à aprovação rápida de uma robusta reforma da Previdência.

– Os fatos, por motivos diversos, não correram como previsto. A tramitação do projeto na Câmara, sofreu atrasos e está sendo objeto de modificações que podem reduzir a potência fiscal da economia projetada. Esta realidade, de certo modo inesperada, reduziu o otimismo do mercado o que se reflete na redução do preço dos ativos brasileiros, em depreciação cambial e na paralisia dos investimentos.

– Neste cenário os fabricantes de bens de capital, que apoiaram a reforma previdenciária desde o inicio, torcem e trabalham para uma tramitação mais rápida do projeto nas duas casas legislativas, para que o país, uma vez eliminado o perigo de um crescimento explosivo da dívida pública, possa se dedicar integralmente em recuperar o tempo perdido, retomando o crescimento econômico e criando empregos e renda.

– Com a aprovação do projeto a indústria brasileira espera uma reversão nas atuais expectativas, com o aumento da confiança, tantos dos empreendedores, quanto dos consumidores, a redução do risco país, face à recuperação da solvibilidade das contas públicas no longo prazo e, por consequência, uma ulterior redução dos juros básicos, fatores necessários a um ambiente favorável ao crescimento.

– Como dissemos, são todos fatores necessários para criar condições propícias a um novo ciclo de desenvolvimento mas, a aprovação da reforma da previdência, de per si, não será suficiente para dar a partida ao processo. A equipe econômica, sem se descuidar do acompanhamento do processo legislativo, deve simultaneamente implementar ações que  estimulem a atividade econômica.

– Será necessário diminuir o endividamento das famílias e das empresas, com crédito mais fluido e forte redução dos spreads bancários, bem como reduzir os custos da intermediação financeira nos empréstimos do BNDES às pequenas e médias empresas tornando os investimentos mais atrativos e estimular a demanda, com a retomada das obras públicas paradas, utilizando parcialmente as receitas não recorrentes, provenientes de privatizações e concessões.

– Os fabricantes de bens de capital estão cientes que o progresso do país depende de uma união de esforços. Tal como apoiaram e apoiam a reforma da previdência, desde já, se colocam à disposição da equipe econômica para ajudar a detalhar as sugestões acima elencadas e para auxiliar na implementação das medidas de desburocratização e desregulamentação que estão sendo propostas pelas diversas secretarias do Ministério da Economia.

Indústria 4.0: como ela está ligada à eficiência energética

G1

Engana-se quem pensa que a Indústria 4.0 é para poucos. Pelo contrário. É um movimento universal que se consolida na profunda transformação das empresas por meio de tecnologias como internet das coisas, big data e inteligência artificial.

Importantes entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) afirmam que a quarta revolução industrial se apresenta como uma chance urgente de crescimento do Brasil e da redução da nossa distância em relação às nações desenvolvidas – especialmente após o período de recessão.

Mas qual é o segredo da indústria 4.0? O que existe por trás desse sistema e o que faz dele tão essencial à sobrevivência das companhias? É que o conjunto das tecnologias digitais desenvolvidos pela quarta revolução industrial busca a otimização dos processos, redução de energia despendida e a tomada de decisões mais assertivas. Ou seja, qualifica o trabalho final e reduz custos, um resultado que qualquer gestor almeja.

Para se ter uma ideia, segundo o levantamento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a estimativa anual de redução de custos industriais no Brasil, a partir da migração da indústria para o conceito 4.0, será de, no mínimo, R$73 bilhões por ano. Desse montante, R$34 bilhões se referem à redução de custos de manutenção de máquina e R$7 bilhões estão ligados à economia de energia.

O que se pode tirar disso? Que a eficiência energética é uma das grandes aliadas da indústria 4.0. Afinal seu objetivo também está baseado na transformação das plantas fabris através da economia de energia e da menor utilização dos recursos naturais.

Conforme Glycon Garcia, diretor executivo do Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre), as soluções técnicas da indústria 4.0 aprofunda sua maturidade ao conectar automação com monitoramento rotineiro e coleta de dados de interesse para diagnóstico de comportamento.

– Essas aplicações podem ser amplamente utilizadas na gestão de energia para determinar a capacidade produtiva e ociosa de um determinado equipamento ou sua necessidade de troca e manutenção, por exemplo – esclarece.

Fábricas inteligentes consomem menos energia

Especialmente no que se refere ao consumo de energia, a Indústria 4.0 tem no ganho de eficiência energética um de seus principais benefícios. Segundo informações apontadas no 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, 42% da energia consumida no setor é desperdiçada em problemas como perda de calor e iluminação insuficiente.

Sensores instalados em máquinas por meio da internet das coisas, por exemplo, permitem identificar desvios no consumo e, assim, evitam que a energia seja desperdiçada. Conforme o Senai, as fábricas inteligentes baseadas no conceito 4.0 também terão condições de diminuir o consumo de energia em até 20%.

O conceito da nova indústria, porém, vai além. Ela busca não somente aprimorar os processos de produção, mas também trazer soluções para problemas ambientais, melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e, principalmente, diminuir o consumo de recursos.

Revolução 4.0: o que já pode ser feito

A Quarta Revolução Industrial exigirá das empresas – independentemente do porte e do meio de atuação – adaptações consistentes para não se tornarem obsoletas e se manterem ativas no mercado.

Dentre as ações que já podem ser adotadas pelos gestores para uma migração gradativa está o investimento em novas tecnologias.

A WEG Equipamentos Elétricos apresenta em seu o portfólio o WEG Motor Scan, equipamento que monitora a integridade de motores elétricos para garantir a eficiência e prevenir paradas súbitas de produção. Esse processo acontece por meio de um sensor que capta os dados do motor e envia as informações para o smartphone ou tablet por meio de um aplicativo.

Trata-se de uma tecnologia alinhada ao conceito 4.0, já que preserva a vida útil das máquinas e que permite maior controle e integração dos processos produtivos.

De acordo com o Senai, outra maneira de migrar para a indústria 4.0 é investir em uma produção mais limpa, ou seja, em processos que utilizem menos recursos naturais.

Adquirir produtos e sistemas que tenham o cobre como principal matéria prima, nesse contexto, se coloca como uma decisão acertada. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre), o metal é o segundo melhor condutor de energia (fica atrás apenas da prata) e é um dos únicos 100% recicláveis – ou seja, apresenta maior custo-benefício. É por isso que seu desempenho em um sistema de energia solar, por exemplo, chega a ser até seis vezes maior do que a dos combustíveis fósseis.

O investimento neste metal, portanto, está conectado a duas premissas básicas da indústria 4.0: mais eficiência e maior cuidado com o meio ambiente.

Minério de ferro registra queda de 1,15% em Dalian

Investing

Após seguidas sessões de altas, e de ter batido recorde histórico durante a sessão de ontem, os contratos futuros do minério de ferro encerram a quarta-feira com queda na bolsa de mercadorias de Dalian, na China. O ativo de maior liquidez, com data de vencimento para setembro deste ano, a desvalorização foi de 1,15% a 899,50 iuanes por tonelada, o que representa uma variação diária de 10,50 iuanes.

A jornada foi mais uma vez positiva para os papéis futuros do vergalhão de aço, que são transacionados na também chinesa bolsa de mercadorias de Xangai. O contrato de maior liquidez, com entrega para outubro deste ano, teve ganhos de 27 iuanes por tonelada a 4.112 iuanes por tonelada. Já o papel de janeiro de 2020, segundo mais negociado, ganhou 15 iuanes para 3.801 iuanes por tonelada.

Os mercados acionários da China terminaram em baixa nesta quarta-feira, ampliando as perdas do dia anterior uma vez que os investidores continuam a avaliar a desaceleração do crescimento e o impacto da disputa comercial com os Estados Unidos, aguardando mais sinais de suporte de Pequim.

Reacendendo as preocupações sobre as negociações comerciais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que os EUA ainda têm um longo caminho para concluir o acordo comercial com a China, mas pode impor tarifas sobre outros 325 bilhões de dólares em produtos chineses se for necessário.