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Conselho de Autoridade Portuária discutirá modelos de desestatização em reunião

A Tribuna

Os modelos de desestatização portuários adotados pelo Governo e o projeto do túnel submerso proposto para ligar as duas margens do Porto de Santos serão apresentados nesta quinta-feira (17), em reunião do Conselho de Autoridade Portuária (CAP), na Cidade. Também serão expostos os resultados das batimetrias (levantamentos de profundidade) do cais santista.

Entre os membros do colegiado, havia a expectativa de que a reunião deste mês tivesse, entre outros temas, o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto em pauta. Setores empresariais chegaram a se reunir para analisar o estudo, a fim de apresentar as conclusões nesta quinta-feira (17), na reunião do CAP.

No entanto, segundo estimativas, a versão mais recente do PDZ, que estabelece estratégias e metas para o desenvolvimento racional e a otimização do uso de áreas e instalações do porto organizado, deve ser apresentada e discutida apenas no mês que vem.

Nesta quinta-feira (17), na reunião do CAP, também estão previstas posses e reconduções de membros titulares e suplentes de diversos órgãos.

Brasil tem menor número de empresas ativas desde 2009

Folha de Pernambuco

O número de empresas ativas no Brasil apresentou seu menor registro desde 2009, de acordo com números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (17). Os dados são da Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo.

Há 10 anos, o Brasil tinha 4.268.930 empresas ativas, no que foi o menor número até 2017, o último analisado pela pesquisa, quando registrou 4.458.678.

No período, o saldo de empresas no mercado se manteve positivo até 2013, já que ia aumentando anualmente. No ano em questão, porém, após apresentar seu maior registro -4.775.098 empresas ativas-, a estatística passou a cair.

“Esse número vem se reduzindo, com saldos negativos em todos os anos desde 2014, quando teve a maior queda, de quase 218 mil empresas”, disse a analista da pesquisa, Denise Guichard.

Em 2014, o Brasil tinha 4.557.411 empresas ativas, marca menos do que o registro anterior. E só diminuiu a partir daí.

“Havia quase 4,8 milhões de empresas em atividade no país em 2013, com um saldo de 175 mil em relação a 2012, e o número de empresas crescendo”, lembrou Denise Guichard, do último registro positivo da análise feita pelo IBGE.

O principal ano de perda para as empresas foi também o do início da crise econômica no Brasil: 2014, quando 217.687 companhias fecharam as portas. Até 2017, outras 98.993 não sobreviveram.

Cerca de 40% das 597,2 mil empresas criadas em 2012 estavam ativas em 2017. Ou seja: seis em cada dez companhias encerraram suas atividades ao longo desses cinco anos. Entre 2008 e 2013, a marca era de 47,8%.

De acordo com o IBGE, a tendência é que a taxa de sobrevivência das empresas no Brasil se reduza com o passar dos anos.

“Por exemplo, das organizações criadas em 2012, 78,9% sobreviveram após um ano de funcionamento, 64,5% após dois anos, 55% após três anos, 47,2% após quatro anos e 39,8% estavam abertas em 2017. Já das 558,6 mil empresas criadas em 2008, 47,8% sobreviveram em cinco anos”, disse o instituto.

Além disso, a quantidade de pessoas ocupadas assalariadas também teve sua pior marca desde 2010.

Foram 31.877.046 no último ano do estudo, com um ápice de 35.22.0.894 em 2014. Desde então, despencou, marcando 30.821.123 no último ano analisado.

Desse montante, 14,3% dos assalariados são de nível superior. Já nas novas empresas, o pessoal com nível superior é somente de 8,7%. Nas que fecharam, corresponde a 7,6% do pessoal ocupado assalariado, diz a pesquisa.

Reduzindo saldo negativo de vagas

Diário de Pernambuco

No Brasil, foram gerados 157.213 empregos em setembro. Pernambuco foi o segundo estado que teve o maior saldo, com a criação de 17.630 vagas, atrás apenas de São Paulo, que abriu 36.156 postos de trabalhos no mesmo período. Apesar do desempenho positivo, o saldo foi menor do que o registrado no mesmo mês de 2018, quando foram gerados 21.424 empregos celetistas no estado. Neste ano, o resultado foi puxado, principalmente, pela indústria de transformação, que teve o maior saldo, com 10.781 vagas, seguida dos setores de agropecuária (4.580), serviços (1.909) e comércio (1.048). Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Em Pernambuco, foram admitidas 48.820 pessoas contra o desligamento de 31.190, resultando no saldo de 17.630 vagas em setembro. Neste ano, o estado acumula um saldo positivo de empregos gerados, com 5.895. Porém, nos últimos 12 meses, o desempenho do estado fica negativo em 8.546 vagas. Apesar de ter registrado o maior saldo entre os setores em setembro, a indústria de transformação não apresenta um desempenho positivo neste ano, com resultado negativo de 4.734 vagas. Quando considerados os últimos 12 meses, o número cai para um resultado negativo de 9.275. Levando em consideração as duas comparações, o setor de serviços foi o único entre os quatro que mais geraram vagas que teve desempenho positivo nas duas situações, com 7.072 vagas no ano e 1.168 em 12 meses.
“Isso é o empenho do estado em relação à qualificação e também à atração de novos empreendimentos, já foram mais de 60 neste ano, como a Aché (que inaugurou a primeira fase da nova fábrica em outubro em Pernambuco). Também estamos incentivando as que já estão aqui e investindo, como na Jeep. Tudo isso tem repercutido nos números. A volta da safra da cana de açúcar impulsionou a agricultura no mês anterior e, em setembro, já é outro setor. Isso mostra que Pernambuco está fazendo o dever de casa, e a expectativa é melhorar cada vez as políticas que estão sendo aplicadas”, avaliou Alberes Lopes, secretário do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco.

Regiões
Entre as cinco regiões brasileiras, o Nordeste foi a que apresentou o maior saldo, com 57.035 vagas, seguida do Sudeste, que ficou colada com 56.883. No acumulado do ano, o Nordeste ficou com saldo positivo de 65.113 empregos, enquanto que nos últimos 12 meses, o saldo foi de 43.997. Entre os estados nordestinos, além de Pernambuco, que foi o com o melhor desempenho, Alagoas apareceu na sequência, em terceiro, com 16.529.

Vale e siderúrgicas voltam a cair com menor demanda chinesa por minério de ferro

Reuters

A menor demanda chinesa por minério de ferro em meio a notícias de maior controle de poluição das siderúrgicas no país derrubaram o preço do minério de ferro, o que se reflete na queda das ações da Vale (SA:VALE3) e das siderúrgicas brasileiras.

Por volta das 13h49, a Vale (SA:VALE3) tinha queda de 2,02% a R$ 46,94, com CSN (SA:CSNA3) perdendo 2,86% a R$ 13,23, Usiminas (SA:USIM5) 0,78% a R$ 7,64 e Gerdau (SA:GGBR4) 0,59% a R$ 13,41.

A jornada desta quarta-feira foi marcada, mais uma vez, por desvalorização para os contratos futuros do minério de ferro, em Dalian. O ativo cedeu 3,22%, fechando a 617,00 iuanes por tonelada, tendo como base o valor de liquidação da véspera, que foi de 637,50 iuanes/t. Na retomada dos negócios, o movimento segue de perdas, com recuou de 2,78% a 611,50 iuanes/t, ante preço de liquidação de 629,00 iuanes/t.

As perdas da matéria-prima siderúrgica aumentaram depois que a China delineou seu plano anual antipoluição para o inverno em um documento divulgado pelo Ministério da Ecologia e Meio Ambiente.

A decisão de Tangshan significa restrições mais drásticas na produção de aço, depois que a cidade ordenou que as siderúrgicas na semana passada reduzissem as operações de sinterização, pelotização e alto-forno de 10 a 31 de outubro, disse um trader de Xangai.

As últimas medidas de emergência de Tangshan para combater o agravamento da poluição do ar estavam programadas para entrar em vigor na terça-feira, de acordo com a mídia local apoiada pelo governo, que não disse quando o alerta seria levantado.

Das 33 siderúrgicas de Tangshan, 30 já cortam pela metade as operações de sinterização, pelotização, forno de cal e alto forno desde 10 de outubro, segundo a consultoria Mysteel.

Prevê-se que a demanda chinesa de aço cresça apenas 1% no próximo ano, em comparação com o crescimento projetado deste ano de 7,8%, de acordo com a Associação Mundial do Aço, que culpou o conflito comercial em curso entre a China e os Estados Unidos.

“É improvável que o governo chinês reintroduza medidas substanciais de estímulo, à medida que continua mantendo um equilíbrio entre conter a desaceleração e avançar sua agenda de reestruturação econômica”, disse o grupo belga na segunda-feira.

Minério de ferro fica abaixo de US$ 90

Valor Econômico

Os preços do minério de ferro encerraram ontem com baixa de mais de 5% no mercado transoceânico, pressionados pelas crescentes preocupações com a demanda de aço na China e pela recuperação da oferta global da matéria-prima siderúrgica. Com a maior desvalorização diária desde 5 de agosto, a commodity perdeu o nível dos US$ 90 por tonelada pela primeira vez em um mês e meio.

De acordo com a publicação especializada “Fastmarkets MB”, o minério com teor de 62% negociado no porto de Qingdao recuou US$ 5,14 ontem, ou 5,53%, para US$ 87,86 a tonelada. Diante desse desempenho, no acumulado de outubro, a desvalorização do minério chegou a 5,9%. Em 2019, os ganhos foram reduzidos a 20,8%. Na Bolsa de Commodity de Dalian, os contratos mais líquidos com entrega em janeiro perderam 27 yuans, para 617 yuans por tonelada.

Analistas de grandes bancos de investimento avaliam que o preço do minério deve encerrar o ano entre US$ 85 e US$ 90 a tonelada, com manutenção da volatilidade no curto prazo e queda de até US$ 20 por tonelada ao longo do ano que vem – o Morgan Stanley projeta US$ 70 por tonelada no fim do próximo ano, enquanto o Julius Baer já trabalhava com US$ 75 por tonelada nos primeiros meses de 2020.

Do lado da oferta, há renovados sinais de normalização. No início do ano, a tragédia da Vale em Brumadinho e ciclones na Austrália reduziram a produção global da commodity, o que fez com que os preços voltassem a superar os US$ 100 por tonelada, em maio, depois de cinco anos.

Na terça-feira, a mineradora Rio Tinto informou que as vendas a partir das operações de Pilbara subiram 1% no terceiro trimestre, ante o segundo trimestre, e 5% na comparação anual, para 86,1 milhões de toneladas.

Um dia antes, a Vale havia informado que as vendas de minério e pelotas totalizaram 85,1 milhões de toneladas no terceiro trimestre, com queda de 13,3%, ainda refletindo os impactos de Brumadinho. O número, porém, veio dentro do esperado pelo mercado e indica que há recuperação gradual na oferta.

Ao mesmo tempo, o crescimento mais lento do que o esperado dos investimentos no setor imobiliário na China tendem a afetar o consumo de aço no país, o que contribui para a queda dos preços da commodity.

Participantes do mercado ouvidos pela Fastmarkets atribuíram a queda de ontem também à expectativa de restrições menos rigorosas à operação das siderúrgicas chinesas durante o inverno, ao mesmo tempo em que se inicia a temporada sazonalmente mais fraca para os negócios da construção civil. Com margens mais fracas, as usinas tendem a olhar com ainda mais atenção para os custos da matéria-prima.

Corupá (SC) avança no setor metalmecânico

Folha do Litoral

Um dos investimentos mais consistentes do setor metalmecânico acaba de se materializar na cidade de Corupá, no Vale do Itapocu, em Santa Catarina: a empresa Uniaaço, especializada na construção de tanques voltados ao segmento de energia elétrica, iniciou a fabricação de peças de até 30 toneladas, destinadas a revestir transformadores de alta potência.

A primeira unidade desses tanques, considerados médios (os de 20 a 30 toneladas) foi oficialmente apresentada ao prefeito de Corupá, João Carlos Gotardo, na sexta-feira, 11 de outubro, e está sendo transportada nesta semana para seu destinatário, no Rio Grande do Sul.

A produção marca um período especial, já que a Uniaaço celebra em dezembro seu primeiro aniversário de atuação no parque de produção instalado no Condomínio Industrial Ano Bom, em Corupá. O investimento ousado não só demonstra a inserção do município no cenário da metalurgia estadual catarinense – Estado marcado pela tecnologia de ponta no segmento, a partir do Vale do Itapocu, mas também o crescimento da Uniaaço, responsável pela produção desse gênero de tanques – e cuja intenção é desenvolver pelo menos quatro unidades ao mês.

De acordo com o diretor-presidente João Francisco Régis, a Uniaaço, que optou por Corupá em dezembro do ano passado, tem buscado a excelência em seus produtos, e hoje, seu objetivo é se tornar referência no mercado metalmecânico brasileiro. Régis observa que esse modelo do “supertanque” é expoente dos chamados “itens caldeirados”, e será comercializado em várias regiões do País. Já há equipamentos desenvolvidos pela metalúrgica nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“Estamos nos consolidando no fornecimento desses tanques transformadores e radiadores de média e alta tensão, em todas as suas formas”, observa o diretor-presidente, citando como exemplos também a produção de tanques submersíveis, aletados, corrugados, de pedestal ou distribuição.

Para dar suporte a essas caldeiras e demais produtos, a Uniaaço tem investido em equipamentos e infraestrutura, localizada a partir de Corupá, no Vale do Itapocu, em área de 4 mil m², e hoje agrega todo o processo necessário para esse ciclo produtivo, visando confecção de produtos em aço, o qual passa pelas fases do corte, dobra, calandra, montagem, solda mig-mag, solda tig, jateamento e pintura líquida e eletrostática.

85 empregos diretos

A Uniaaço aponta que gera hoje 85 empregos diretos, conta ainda com corpo técnico experiente na área de processos fabris – incluindo inspetores qualificados. Entre os principais clientes destacam-se a ABB Brasil, GE Energy, Tsea-Toshiba, Comtrafo, Hydac e Prensas Schulher, entre outros.

“Temos buscado unir forças para fornecer soluções em seu ramo de atuação, tendo sempre como objetivo a valorização dos colaboradores, o respeito da sociedade e do meio ambiente, e atuação continua em seus clientes no intuito de agregar produtos de qualidade no mercado atual”, finaliza João Régis. 

CNI divulga novas projeções para 2019

Abifa

Segundo Informe Conjuntural do terceiro trimestre divulgado pela CNI – Confederação Nacional da Indústria, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve fechar o ano em 0,9%, enquanto o PIB industrial deve ficar em 0,4%.

O fraco desempenho da atividade econômica e industrial no ano é atribuído a dois fatores: o sentimento crescente de que o processo de aprovação das reformas indispensáveis ao crescimento da economia será mais demorado e complexo do que inicialmente percebido e os poucos avanços na agenda de redução do Custo Brasil.

O consumo das famílias, com crescimento estimado de 1,5%, será novamente o principal motor do crescimento do PIB em 2019.

No entanto, o estudo indica um descolamento entre o ritmo de crescimento do consumo e da produção industrial. De acordo com Flávio Castelo Branco, gerente-executivo de Política Econômica da entidade, “as vendas no comércio varejistas têm crescido, mas este movimento não tem sido transmitindo para a indústria”.

Para ele, é fundamental promover reformas estruturais que impactem de forma concreta no Custo Brasil: “Perdemos competitividade tanto nos mercados internos quanto internacionais por conta das adversidades como uma logística ineficiente, tributação onerosa, burocracia excessiva e elevado custo de capital”.

O Informe Conjuntural da CNI ainda prevê:

– O investimento deve aumentar 2,5% em 2019, no comparativo com o ano anterior, como resultado da melhora gradual da economia.
– A taxa média de desemprego deve ficar em 11,9% em 2019, o que equivale a um recuo de 0,4 ponto percentual em relação a 2018.
– Os juros básicos da economia fecharão 2019 em 5% ao ano.
– A dívida bruta do setor público atingirá 78,4% do PIB. O déficit nominal deve recuar de 7,14% do PIB, em 2018, para 6,43%, em 2019.
– O dólar deve fechar 2019 em R$ 4,02. A elevação em relação ao Informe Conjuntural do segundo trimestre (R$ 3,75) é justificada pelo crescente impacto de fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a crise na Argentina.
– A balança comercial terá um saldo positivo de US$ 49,2 bilhões, com as exportações registrando US$ 228,4 bilhões e as importações US$ 179,2 bilhões. Se essa projeção se confirmar, o superávit será 16,12% menor que o registrado em 2018.

Opinião: desculpe o transtorno, estamos em reformas

Fabian Fávero

Reforma da previdência, tributária, política, etc. Quando abrimos os jornais e portais de notícias parecemos estar em um verdadeiro classificados de serviços de obras em um jornal. Diversas são as opiniões e dados trazidos a nós todos os dias, umas tranquilizantes, outras já mais alarmantes. Não cabe a mim julgar mérito e ideologia deste ou daquele governo, mas com o passar do tempo é natural que mudanças tenham que ser feitas.

Agradando alguns, incomodando outros, existem as barreiras a ser ultrapassadas. A tramitação da reforma da previdência foi marcada por muita discussão e algumas manifestações. Aprovada na Câmara dos Deputados no início de outubro, caminhou ao Senado e teve um andamento mais rápido nesta Casa.

Chancelada pelos Senadores em primeiro turno, chega ao fim das discussões nesta semana e a previsão para ser votada em segundo turno tem data: dia 22, próxima terça-feira.

Assim, como todo negócio, tanto o Governo quanto oposição, tiveram que ceder em alguns pontos. O que indicou o encaminhamento da votação da previdência no Senado foi a aprovação da divisão da cessão onerosa entre União, estados e municípios.

Os próximos passos

Passado a previdência, passa-se a discussão da reforma tributária. Ainda embrionária, o Planalto já se convenceu que terá que dividir a proposta para dinamizar sua tramitação. Em um primeiro momento, irá propor a unificação do PIS e Cofins, já apresentando o texto ao Congresso nas próximas semanas.

Posteriormente, serão propostas alterações no Imposto de Renda, com o objetivo de alterar as alíquotas incidentes. Ainda, a alíquota máxima passará de 27,5% para 25%. Por fim, serão debatidas a desoneração da folha de pagamento e outras alterações tributárias.

O Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo promoveu uma reunião no início desta semana, discutindo os principais pontos da reforma. No encontro, o ex-secretário da Receita Federal trouxe uma crítica ao sistema tributário. Declarou ainda que “não há fórmula mágica para a resolução dos problemas dessa natureza em nenhum lugar do mundo”.

O ex-governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, também participou da reunião. Conhecido pela sua metodologia de baixar impostos para fomentar a produção e crescimento, afirmou que a reforma tem que ser algo que ajude o brasileiro. Destacou que com “o déficit fiscal que nós temos o governo quer fazer para arrecadar mais”. Por fim declarou que o debate da proposta tem que ser feito com muito debate.

A pesquisa sobre a reforma

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) encomendou ao IBOPE uma pesquisa sobre o entendimento populacional acerca da Reforma. Vamos aos principais números: 72% julga como importante ou muito importante para o País a reforma. Já 46% dos entrevistados consideram estar pouco informados enquanto 40% julgam estar nada informados. Apenas 10% afirmaram estar por dentro dos planos do governo para alterar o sistema tributário.

Um dos dados mais importantes da pesquisa foi o fato de que 59% dos entrevistados acreditam que um imposto único representaria uma solução para o Brasil. Em suma, a pesquisa destaca a necessidade de debate acerca da proposta do governo.

O desafio

A Câmara dos Deputados e o Senado já demonstram que brigarão pelo protagonismo da proposta. O presidente da Câmara dos Deputados, democrata Rodrigo Maia, afirmou que esta reforma “ao contrário da previdência, não é para o mercado”. Grandes projetos como este podem ser uma boa oportunidade para os parlamentares angariarem recursos para suas bases, porém uma matéria com um aceite popular pode ser considerada um bônus eleitoral.

Mais uma vez a articulação do Planalto será posta à prova. O poder executivo não demonstra muita propensão em ceder, colocando o legislativo em uma corda bamba. Se ele ceder ao lado do governo, uma pesada carga tributação (mesmo que não visível) pode ser entregue a população. Porém, seguindo o anseio popular, se não aprovados pontos chaves da reforma, a economia pode colapsar em alguns anos.

De um lado do cabo de guerra, as medidas necessárias. Do outro, a possibilidade de fingir que tudo está bem na economia e que não precisamos de mudanças. Entre os extremos acaba ficando um governo que sabe o que tem que ser feito e possui a capacidade, porém acaba pecando nas negociações. Não adianta ficarmos preocupados com a pintura das paredes da casa, se a própria casa está caindo.

Fabian Fávero

Formado em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina e assessor de investimentos na EQI Investimentos