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Montadoras negociam os pedidos de reajustes dos preços no aço

Infomet

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse nesta quinta-feira que cada montadora está negociando com as siderúrgicas os pedidos de reajustes de preços no aço.

“Cada uma está tratando da sua dor e procurando seu remédio”, afirmou. “O aumento do aço vai direto na veia e não só no nosso setor”, completou.

Segundo o diretor executivo comercial e de logística da CSN, Luiz Fernando MartinezMartinez, as negociações encontram-se na fase final, com propostas da siderúrgica de aumento de 5% a 7,5%. Os novos preços para os clientes do setor automotivo também valerão a partir do início de janeiro.

O argumento das siderúrgicas brasileiras de aços planos é que com o câmbio atual o valor das matérias-primas – minério de ferro e carvão, principalmente -, dolarizados, sobem, impactando os custos de produção. Ao mesmo tempo, fez com que o prêmio do produto nacional em relação ao importado internado nos portos brasileiros ficasse negativo, na faixa de 4% e 6%. Os percentuais para montadoras de automóveis, que têm negociações anuais, em separado, o reajuste em discussão é de até 7,5%.

O presidente da Anfavea também mostrou preocupação com episódios de conflito em países como Chile e Colômbia. Segundo ele, apesar de essa situação evidentemente “inibir o consumo” nesses países, a indústria automobilística ainda não sentiu efeitos em sua produção no Brasil.

Chile, Colômbia, Peru e Equador fazem parte dos esforços da indústria automobilística brasileira para tentar compensar, nesses mercados, as perdas de vendas na Argentina.

2019: crescimento pequeno e otimismo moderado

Fonte: Infomet

Ameaça de Trump interrompe vendas futuras de aço para os EUA

Reuters

As negociações sobre futuras exportações de aço do Brasil para os Estados Unidos foram interrompidas depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu no Twitter nesta semana que vai retomar tarifas sobre importações do Brasil e da Argentina, afirmou o presidente do Instituto Aço Brasil (IABr), nesta quinta-feira.

Trump surpreendeu Brasil e Argentina nesta semana ao publicar um tuíte afirmando que as importações de aço e alumínio do Brasil e Argentina serão alvo de sobretaxas imediatamente porque, segundo ele, os países estariam desvalorizando artificialmente suas moedas, o que prejudicaria agricultores dos EUA.

Lopes, presidente-executivo do IABr, grupo que representa companhias como Usiminas, Gerdau e CSN, teceu fortes críticas à postura do presidente norte-americano.

“O Trump usou a seção 232 para impor as cotas. Isso é sério, ele não pode acordar de manhã e da cabeça dele mandar um tuíte. Existem procedimentos a serem cumpridos”, afirmou o presidente do IABr a jornalistas, referindo-se ao recurso legal sob o qual o presidente dos Estados Unidos alegou defesa da segurança nacional para proteger a indústria norte-americana produtora de aço.

“Contratos de longo prazo estão sendo cumpridos, mas as negociações com outros clientes estão suspensas. Não tem nada formalizado ainda pelo governo americano, mas os clientes querem saber se o preço vai ter 25% de sobretaxa ou não e sem saber isso não tem como fechar negócio”, disse Lopes.

Ele não deu detalhes, mas afirmou que cerca de metade dos embarques brasileiros de aço aos EUA refere-se a contratos de longo prazo. Citando dados do Departamento de Comércio dos EUA, o IABr afirmou que em 2018 as importações de aço dos EUA somaram 30,57 mi de toneladas, das quais 3,98 milhões foram embarcadas pelo Brasil.

O tuíte de Trump foi publicado semanas depois que uma comitiva brasileira saiu de Washington com expectativas de que o sistema atual de quotas de importação, estabelecido em meados do ano passado, seria flexibilizado no curto prazo.

Lopes afirmou que o governo brasileiro junto com o setor siderúrgico do país levaram propostas em outubro para a equipe de defesa comercial dos EUA sobre retirada das cotas de importação no caso de produtos semiacabados, usados pela indústria norte-americana para produção de itens como laminados que podem ser usados por montadoras de veículos.

Do total de exportações brasileiras de aço no ano passado aos EUA, a maior parte, ou 3,55 milhões de toneladas, foi de produtos semiacabados. Caso o fim da cota de 3,5 milhões de toneladas não fosse aceito, a comitiva brasileira propôs o pagamento de tarifa de 25% sobre o volume de importações que excedesse esse limite.

Reunião nos EUA

Atualmente, compradores de aço brasileiro nos EUA não pagam tarifas de importação, mas quando o volume de material importado atinge o teto da cota, o país não aceita receber mais produtos, o que gera dificuldades ao comércio.

“As equipes norte-americanas mostraram boa vontade e saímos daquela reunião com uma visão extremamente otimista de que pelo menos alguma coisa dos nossos pedidos fosse aceita”, disse Lopes ao explicar parte de surpresa do setor com o tuíte de Trump.

Os EUA registraram importações de 7,13 milhões de toneladas de aço semiacabado em 2018, segundo o IABr, com os maiores fornecedores sendo Brasil, México e Rússia.

Lopes evitou comentar se o setor poderia judicializar a disputa, uma vez que o governo dos EUA não formalizou a decisão publicada por Trump no tuíte sobre as tarifas. “Mas quando se tem uma 45 apontada para sua cabeça, você não pode achar que ele não vai atirar, tem que estar preparado para tudo”, disse o presidente do IABr.

Ele mencionou que a entidade foi procurada por escritórios de advocacia internacionais especializados em questões comerciais, que mencionaram que a disputa poderia ser levada ao Tribunal Internacional de Comércio, sediado em Washington.

A questão é semelhante à enfrentada recentemente pela Turquia. Em outubro, Trump ameaçou elevar as tarifas de importação dos EUA de aço turco em 50%.

“Estamos tentando colocar o pino de volta na granada”, disse Lopes sobre atuação do setor junto ao governo brasileiro para evitar a imposição das tarifas ao aço do país.

De janeiro a setembro deste ano, as importações de aço do Brasil pelos EUA somam 3,38 milhões de toneladas, com 2,99 milhões sendo de material semiacabado, segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA citados pelo IABr.

Lopes lembrou que o Brasil importa 1 bilhão de dólares por ano em carvão siderúrgico dos EUA, fluxo que “pode sofrer uma redução, caso pararmos de mandar placas (de aço) para lá”.

Sobre as perspectivas para 2020, o IABr estimou mais cedo que a produção de aço do Brasil no próximo ano vai subir 5,3%, para 34,2 milhões de toneladas. O setor também estimou aumento nas vendas da liga no país para 19,4 milhões de toneladas, crescimento de 5,1%. O consumo aparente, que reúne vendas de produtos produzidos no país e importações, deve crescer 5,2%, para 21,8 milhões de toneladas.

Para 2019, o IABr prevê queda de 8,2% na produção, para 32,5 milhões de toneladas, com vendas internas em baixa de 2,3%, para 18,5 milhões de toneladas.

O presidente do IABr também criticou instâncias do governo federal que são contrárias a políticas de estabelecimento de conteúdo local em grandes projetos como na exploração do pré-sal. Segundo a entidade, o setor, que convive atualmente com ocupação de cerca de apenas 65% de sua capacidade instalada, projeta um consumo potencial de 10,7 milhões de toneladas de aço apenas com a carteira de projetos de óleo e gás inscritos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

“Temos dificuldades muito fortes com o governo sobre questões como conteúdo local, que era defendido no governo passado e agora está um pouco demonizado”, disse Lopes. “O viés liberal do Brasil deixa a gente com preocupação bastante grande porque o mundo assumiu um viés protecionista”, acrescentou.

Aço: exportações devem ficar 6,7% abaixo do registrado em 2018

Região Nordeste

A indústria nacional de aço deve fechar o ano com uma queda de 6,7% no volume de exportação (13 milhões de toneladas) e aumento de 2,1% nas importações (2,5 milhões de toneladas). A estimativa foi apresentada hoje (5) pelo Instituto Aço Brasil que indica, ainda, que as vendas internas também tendem a um resultado inferior ao de 2018 em 18,5 milhões de toneladas.

Em relação ao consumo aparente, que considera vendas de empresas locais e importações, espera-se um total de 20,7 milhões de toneladas comercializados, o que significa uma queda de 2,4% em relação ao volume registrado no ano passado.

O presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes, explicou que o ano teve um início desfavorável para o setor. “O primeiro semestre foi muito ruim. Diria que a economia frustrou as expectativas dos que tinham a esperança de uma retomada mais vigorosa”, disse, lembrando do crime ambiental de Brumadinho (MG) como um dos impactos negativos.

Nos próximos cinco anos, a expectativa do Aço Brasil é que companhias do segmento invistam US$ 9 bilhões nos próximos cinco anos.

Outro desafio do setor é em relação a utilização da capacidade instalada da indústria brasileira de aço, atualmente subutilizada, em torno de 64% do total disponível. Para Lopes, o ideal seria a ultilização de, no mínimo, 85% da capacidade instalada. Para atingir essa condição, a produção teria que alcançar as 9,5 milhões de toneladas e seria capaz de gerar 203.863 vagas de empregos diretos e indiretos.

Segundo o presidente executivo do instituto, o otimismo em relação ao futuro está associado a desdobramentos do contexto sociopolítico do país. Lopes citou a recuperação da construção civil e da infraestrutura como fatores capazes de promover uma melhora no desempenho do segmento. Outra aposta está na ampliação da participação da indústria no setor de óleo e gás e energia renovável.

Estados Unidos
Perguntado sobre a sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar o aço brasileiro, Marco Polo de Mello Lopes disse que os contratos já firmados com clientes norte-americanos estão sendo cumpridos, mas novas negociações estão suspensas devido ao clima de “insegurança”.

“Todos nós que estamos acompanhando de perto fomos surpreendidos, porque o arrazoado posicionamento do presidente Trump é desprovido de qualquer sentido técnico. A afirmativa de que o Brasil manipula seu câmbio é desprovida de qualquer sentido. Não tem pé nem cabeça falar que o agricultor americano é prejudicado. Agricultura não tem nada a ver com aço”, declarou, assinalando que, para ele, o mercado de aço tem convivido com “práticas predatórias”.

Na avaliação de Lopes, as autoridades brasileiras responderam adequadamente à questão, já que a medida ainda não foi realmente implementada nem anunciada oficialmente. Trump disse, em sua conta no Twitter, que o Brasil e a Argentina estão promovendo uma desvalorização das moedas locais e supervalorização do dólar prejudicando produtores americanos. Por isto, o presidente norte-americano informou que planeja restaurar as tarifas sobre aço e alumínio comprados desses países.

Vendas internas de aço recuam 2,3% em 2019

Diário do Comércio

O ano de 2019 não foi positivo para a indústria do aço no País. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil, este ano deverá registrar queda de 2,3% nas vendas internas, na comparação com 2018, somando 18,5 milhões de toneladas. A previsão de baixa no consumo aparente, que deverá atingir 20,7 milhões de toneladas, é de 2,4%. Já a produção deverá apresentar queda de 8,2%, somando 32,5 milhões de toneladas este ano. Enquanto as importações deverão ter um crescimento de 2,1%, totalizando 2,5 milhões de toneladas, a previsão é de que as exportações apresentem queda de 6,7%, atingindo 13 milhões de toneladas.

Em coletiva para a imprensa, o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, lembrou que o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro deste ano, foi um dos responsáveis pelo impacto negativo nos números do setor.

“Foi uma tragédia monumental, que chocou o País, com mortes que não poderiam ter acontecido”, disse ele. “Trouxe um impacto grande na indústria do aço. Acabou por comprometer, de uma forma diferente para cada empresa, o abastecimento de uma matériaprima estratégica, que é o minério de ferro”, destacou.

No entanto, outros fatores também tiveram peso para os “dados infelizmente negativos”, conforme pontuou o presidente do Instituto Aço Brasil. Ele destacou um mercado interno deprimido no primeiro semestre e um mercado internacional de “cabeça para baixo”. Além disso, Lopes frisou o fato de o segmento começar a tratar com um governo novo, que traz uma estrutura e uma forma de atuar diferentes, o que exige um trabalho de adaptação, de acordo com ele.

Confiança – Apesar dos números negativos e do cenário turbulento, as expectativas para o ano que vem são de retomada. De acordo com os dados do Instituto Aço Brasil, a produção de aço em 2020 deverá apresentar um incremento de 5,3%, alcançando 34,2 milhões de toneladas. As vendas internas deverão crescer 5,1%, somando 19,4 milhões de toneladas. Já o consumo interno deverá apresentar alta de 5,2%, somando 21,8 milhões de toneladas.

Além disso, o Índice de Conança da Indústria do Aço (Icia) chegou aos 62,2 pontos, o maior patamar desde quando começou a ser apurado, em abril deste ano. O índice de expectativas para os próximos seis meses, por sua vez, atingiu os 68,8 pontos.

Segundo o Instituto Aço Brasil, o otimismo “baseia-se no fato de que a política econômica do governo vem assegurando as condições necessárias para que se tenha uma retomada do crescimento de forma sustentada. A aposta na construção civil, até então estagnada; a expectativa da retomada das obras de infraestrutura, e uma maior participação da indústria nacional no setor de óleo e gás e energia renovável, consolidam essa percepção”.

No entanto, o setor também precisa vencer alguns entraves para que possa se fortalecer cada vez mais. Lopes lembrou, por exemplo, a necessidade de haver o aumento das exportações, o que afetaria positivamente o grau de utilização da capacidade instalada, que atualmente está em 64%. Para 2020, as projeções são de que esse número aumente para 67%. No entanto, o presidente do Instituto Aço Brasil frisou a importância de esses níveis estarem “acima dos 85%” e da relevância de se corrigir o chamado custo Brasil.

Investimentos – Quando o assunto é o futuro do segmento nos próximos cinco anos, Lopes armou que as expectativas são de que as companhias da área invistam US$ 9 bilhões nesse período.

“Deverá haver a melhoria do índice de competição, novos produtos, automação. Isso tudo está ligado ao processo de modernização”, disse ele, que destacou a importância da percepção de que se tem que investir constantemente para ter a capacidade de competir nesse “mundo maluco aí fora”.

BARREIRAS ÀS EXPORTAÇÕES PREOCUPAM

Uma necessidade que permeia o setor, de acordo com o Instituto Aço Brasil, é a de remover barreiras impostas às exportações. O presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, mencionou o anúncio que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez no Twitter no último dia 2 de dezembro, de que iria restaurar as tarifas norte-americanas sobre a importação do aço e alumínio da Argentina e do Brasil. A alegação foi de que ambos os países estavam promovendo a desvalorização de suas moedas, o que prejudicaria os agricultores dos Estados Unidos.

“Ficamos perplexos. O posicionamento é desprovido de sentido técnico. A armação de que o Brasil manipula o seu câmbio não tem sentido”, diz ele, que pontuou, ainda, que “agricultura não tem nada a ver com aço”.

De acordo com Lopes, a declaração de Donald Trump causou um verdadeiro furacão nas negociações com os clientes norte-americanos, que estão paradas. “Há um grau de insegurança”, ressaltou ele, que lembrou que os contratos já rmados, porém, estão sendo cumpridos.

O presidente do Instituto Aço Brasil também armou que já foram procurados por escritórios de advocacia internacional, mas que nenhuma decisão foi tomada ainda, uma vez que não existe nada formalizado pelos Estados Unidos até agora. 

Setor siderúrgico nacional recorrerá à Justiça dos EUA se aço for sobretaxado

O Globo

As indústrias siderúrgicas nacionais vão recorrer à Justiça americana,caso se confirme a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar as exportações brasileiras de aço. Segundo disse ao GLOBO o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello, o setor já está sofrendo o impacto da declaração de Trump, que disse em uma rede social, na última segunda-feira, que tributaria as compras de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, sob a alegação que os dois países estariam desvalorizando propositadamente suas moedas.

— Já houve um malefício muito grande, que paralisou as negociações em curso entre fornecedores e clientes. Foi criado um grau de insegurança e  começamos a avaliar as alternativas que, eventualmente, serão adotadas, caso a medida seja escriturada. Uma delas é levar o caso à Corte Internacional de Comércio dos EUA — afirmou Mello.

Ele lembrou que, em agosto do ano passado, para evitar uma sobretaxa de 25%, algumas siderúrgicas brasileiras aceitaram reduzir suas exportações e cumprir um sistema de cotas. Acrescentou que, no momento atual, há incertezas sobre como ficarão os contratos em vigor, firmados em um acordo para substituir a sobretaxa.

Mello enfatizou que a legislação pela qual o presidente americano se baseou para fechar o mercado americano, alegando segurança nacional, tem regras claras. Trump não poderia, “da cabeça dele”, mudar essas normas.

A ameaça de Trump pegou o presidente Jair Bolsonaro de surpresa. Bolsonaro determinou aos ministros da Fazenda (Paulo Guedes) e das Relações Exteriores (Ernesto Araújo) que colocassem suas equipes em contato com as autoridades americanas,  para evitar que a medida protecionista seja oficializada.

Um dos argumentos contra a aplicação de uma sobretaxa ao aço é que o Brasil é o maior importador de carvão siderúrgico dos EUA. No ano passado, as compras do produto somaram cerca de US$ 1 bilhão. Em ocasiões anteriores, o governo brasileiro chegou a sinalizar que poderia trocar de fornecedores, uma vez que existem outros países fornecedores, como Polônia e Austrália.

Em contatos com os departamento de Estado e de Comércio e até com a Casa Branca, as autoridades brasileiras também asseguraram que não há manipulação do real pelo governo: o Banco Central, inclusive, vem atuando para fortalecer a moeda nacional, diante da alta do dólar.  Quanto mais forte o dólar, maior o ganho com exportações.

Outro argumento é que 89% dos siderúrgicos vendidos aos EUA são semiacabados e, portanto, usados como insumos pelas indústrias de aço americanas. Com isso, quanto mais caro ficar o produto, menos competitivas se tornarão as empresas locais.

Pesquisa mostra que 80% das empresas têm expectativa melhor para 2020

Diário de Pernambuco

Uma pesquisa realizada pela consultoria Falconi mostrou que 80% das empresas têm expectativas positivas para a economia brasileira em 2020. Porém, quando se trata da geração de emprego apenas metade espera crescimento.

A pesquisa mostra, ainda, que 81% dos empresários veem aumento de vendas e 62% vislumbram alta dos investimentos. Entre os desafios citados para o ano que vem, a transformação digital aparece em terceiro lugar, com menção de 53% dos respondentes. Melhoria de processos aparece em segundo, com 62%, e aumento de receita em primeiro, com 72%.

O levantamento da consultoria Falconi ouviu 80 companhias com faturamento superior a R$ 100 milhões por ano.

Aço: exportações devem ficar 6,7% abaixo do registrado em 2018

EBC

A indústria nacional de aço deve fechar o ano com uma queda de 6,7% no volume de exportação (13 milhões de toneladas) e aumento de 2,1% nas importações (2,5 milhões de toneladas). A estimativa foi apresentada hoje (5) pelo Instituto Aço Brasil que indica, ainda, que as vendas internas também tendem a um resultado inferior ao de 2018 em 18,5 milhões de toneladas. 

Em relação ao consumo aparente, que considera vendas de empresas locais e importações, espera-se um total de 20,7 milhões de toneladas comercializados, o que significa uma queda de 2,4% em relação ao volume registrado no ano passado.

O presidente executivo do instituto, Marco Polo de Mello Lopes, explicou que o ano teve um início desfavorável para o setor. “O primeiro semestre foi muito ruim. Diria que a economia frustrou as expectativas dos que tinham a esperança de uma retomada mais vigorosa”, disse, lembrando do crime ambiental de Brumadinho (MG) como um dos impactos negativos.

Nos próximos cinco anos, a expectativa do Aço Brasil é que companhias do segmento invistam US$ 9 bilhões nos próximos cinco anos.

Outro desafio do setor é em relação a utilização da capacidade instalada da indústria brasileira de aço, atualmente subutilizada, em torno de 64% do total disponível. Para Lopes, o ideal seria a ultilização de, no mínimo, 85% da capacidade instalada. Para atingir essa condição, a produção teria que alcançar as 9,5 milhões de toneladas e seria capaz de gerar 203.863 vagas de empregos diretos e indiretos.

Segundo o presidente executivo do instituto, o otimismo em relação ao futuro está associado a desdobramentos do contexto sociopolítico do país. Lopes citou a recuperação da construção civil e da infraestrutura como fatores capazes de promover uma melhora no desempenho do segmento. Outra aposta está na ampliação da participação da indústria no setor de óleo e gás e energia renovável.

Estados Unidos

Perguntado sobre a sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar o aço brasileiro, Marco Polo de Mello Lopes disse que os contratos já firmados com clientes norte-americanos estão sendo cumpridos, mas novas negociações estão suspensas devido ao clima de “insegurança”.

“Todos nós que estamos acompanhando de perto fomos surpreendidos, porque o arrazoado posicionamento do presidente Trump é desprovido de qualquer sentido técnico. A afirmativa de que o Brasil manipula seu câmbio é desprovida de qualquer sentido. Não tem pé nem cabeça falar que o agricultor americano é prejudicado. Agricultura não tem nada a ver com aço”, declarou, assinalando que, para ele, o mercado de aço tem convivido com “práticas predatórias”.

Na avaliação de Lopes, as autoridades brasileiras responderam adequadamente à questão, já que a medida ainda não foi realmente implementada nem anunciada oficialmente. Trump disse, em sua conta no Twitter, que o Brasil e a Argentina estão promovendo uma desvalorização das moedas locais e supervalorização do dólar prejudicando produtores americanos. Por isto, o presidente norte-americano informou que planeja restaurar as tarifas sobre aço e alumínio comprados desses países.Edição: Carolina Gonçalves Tags: AÇO BRASILEXPORTAÇÕESVENDAS INTERNAS

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A longa escalada da indústria

Editorial ESTADÃO

Em mais um sinal de recuperação, a produção industrial cresceu 0,8% em outubro e acumulou 2,4% de expansão em três meses, mas terá de avançar com mais firmeza para voltar ao nível de atividade de um ano atrás. Além disso, será necessário um esforço maior e mais longo para o retorno ao desempenho alcançado ainda no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Mas o último balanço foi o melhor para um mês de outubro desde 2012, quando o produto setorial aumentou 1,5%. Na terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia apresentado os dados trimestrais do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o relatório, o PIB do terceiro trimestre foi 0,6% maior que o do segundo. Boa parte dos analistas interpretou o novo conjunto de dados como indicativo de uma reativação mais forte e provavelmente duradoura da economia brasileira.

Essa expectativa deve ter sido reforçada pelo avanço da atividade industrial em outubro, primeiro mês do quarto trimestre. Os últimos números da indústria, segundo se argumenta, já parecem garantir um fim de ano mais próspero do que se previa. Além disso, os três meses finais de 2019 deverão constituir uma boa plataforma para o crescimento geral da economia em 2020 e, se nenhum grande obstáculo for encontrado, também nos anos seguintes. Uma avaliação realista do quadro atual e das perspectivas da produção requer o exame de alguns detalhes.

A fabricação de bens de consumo foi 1% maior que a de setembro e 4,1% mais volumosa que a de outubro de 2018, com crescimento de 0,5% acumulado em 12 meses. O aumento mensal deve ser atribuível pelo menos em parte à liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do PIS-Pasep. Também houve alguma expansão da massa de rendimentos, graças a alguma criação de vagas, embora o desemprego tenha permanecido muito alto.

O crescimento da venda de bens duráveis (1,3% no mês e 0,6% em 12 meses) é sem dúvida explicável pela melhora das condições de crédito. Um novo corte dos juros básicos deve ser anunciado este mês pelo Banco Central (BC).

Uma redução adicional no primeiro trimestre é considerada muito improvável, mas algum estímulo monetário persistirá, a partir do novo afrouxamento previsto para os próximos dias. Não há como dizer com alguma segurança, neste momento, se outros fatores contribuirão para novos aumentos da demanda de consumo, no próximo ano. Nada sugere, por enquanto, uma melhora mais veloz das condições de emprego no próximo ano.

O avanço na produção de bens intermediários foi modesto em outubro (0,3%). Importantes dados negativos, no caso das grandes categorias, apareceram no balanço da indústria de bens de capital (máquinas e equipamentos). A produção de outubro foi 0,3% menor que a de setembro e 2,9% inferior à de um ano antes.

A demanda de bens de capital é um indicador fundamental para a avaliação das perspectivas da economia. Novas máquinas e equipamentos destinam-se a recompor, ampliar e modernizar o potencial produtivo de empresas, unidades de serviço público e de sistemas de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, portos e instalações de saneamento. Qualquer diminuição na demanda e na produção de bens de capital pode ser preocupante, especialmente num país onde o valor investido em capital fixo continua muito abaixo do necessário. No terceiro trimestre, ficou em 16,3% do PIB, embora tenha crescido em relação aos três meses anteriores.

Em dez meses o crescimento industrial foi 1,1% menor que o de igual período de 2018. O volume acumulado em 12 meses ficou 1,3% abaixo do contabilizado no período anterior. A recuperação continua muito lenta no setor industrial, o mais importante por seus efeitos de irradiação no conjunto da economia e pela criação de empregos formais e produtivos.

O quadro é especialmente preocupante pelo mau desempenho da indústria de transformação. Mas esse dado parece motivar pouca ou nenhuma inquietação no governo federal.