Arquivo da categoria: Indústria Metalmecânica e Eletroeletrônica

Porto de Paranaguá tem exportação recorde de grãos

AEN

O Porto de Paranaguá fechou março com a maior movimentação mensal já registrada no Corredor de Exportação. Foram embarcadas pelo porto paranaense 2,4 milhões de toneladas de soja, em grão e farelo. O volume é 51% maior que o movimentado no mesmo mês de 2019 e supera em mais de 180 mil toneladas o recorde anterior, de 2,2 milhões de toneladas, alcançado em junho do ano passado.

De acordo como diretor-presidente Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, o resultado positivo, mesmo diante das adversidades da Covid-19, mostra a eficácia das medidas de segurança adotadas, desde janeiro, pela empresa pública. “Nossa preocupação com a saúde dos trabalhadores portuários, caminhoneiros e tripulantes sempre está em primeiro lugar. Precisamos garantir um ambiente seguro para que eles tenham confiança e mantenham os serviços que são essenciais para o País”.

Segundo ele, o novo recorde também comprova a força do agronegócio. “A safra foi muito boa e o câmbio foi favorável para as exportações. Os portos do mundo todo têm um papel importante para a segurança alimentar e estão inseridos em uma cadeia de negócios que gera milhões de empregos, no campo e na indústria”, completa.Publicidade

CORONAVÍRUS – Os portos paranaenses foram os primeiros do Brasil a montar uma estrutura completa para o atendimento primário de saúde, no cais e no pátio de triagem de caminhões. Equipes médicas atendem 24 horas, todos os dias, com aferição de temperatura, orientações e o devido encaminhamento dos casos necessários.

A empresa pública também adquiriu 20 mil litros de álcool em gel; 144 litros de sabonete antisséptico (usados em ambientes hospitalares); 5 mil pares de luvas; 10 mil unidades extras de máscaras cirúrgicas; 21 tendas e cabines elevadas; 200 metros lineares de grade de isolamento, 32 chuveiros, 60 pias e lava-pés com hipoclorito de sódio.

SOJA – A exportação de soja foi a grande responsável pelo desempenho histórico. Nove terminais privados e dois públicos do complexo movimentaram 2 milhões de toneladas em grãos e cerca de 463,6 mil toneladas de farelo. A carga encheu, no mês, os porões de 40 navios.

O setor, que no primeiro bimestre do ano estava apreensivo com o atraso no plantio, comemora. Segundo Helder Catarino, representante da Interalli e um dos diretores da Associação dos Terminais do Corredor de Exportação de Paranaguá (ATEXP), a falta de chuva no final do ano passado atrasou a colheita para o final de fevereiro e o início de março.

“Com o avanço da colheita no último mês, tivemos um cenário mais favorável. Boa oferta, portos com capacidade estática, espaço operacional para receber a colheita forte e uma programação de navios que garantiu a saída e o giro da mercadoria”, desatacou Catarino.

No primeiro trimestre, o Corredor de Exportação de Paranaguá movimentou 4,72 milhões de toneladas de granéis. Desse total, 3,3 milhões de soja em grão, 1 milhão de farelo de soja e 297 mil toneladas de milho. O volume movimentado nos três primeiros meses de 2020 é quase 12% maior que o registrado no mesmo período de 2019.

Expectativa é exportações manterem alta nos próximos meses

O diretor-presidente da empresa pública Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, estima que as exportações vão manter a alta nos próximos meses. O setor portuário considera as projeções atuais de demanda por alimentos e o bom ritmo da safra brasileira. Para os próximos meses são esperados 6,43 milhões de toneladas de soja, já comercializadas.

“O Governo do Estado adotou medidas muito firmes no combate ao novo coronavírus e deixou claro que as estradas e ferrovias, além das atividades essenciais para o transporte, como restaurantes, borracharias e mecânicas, devem permanecer abertas”, comenta Garcia.

O movimento de caminhões para descarga de granéis no Porto de Paranaguá está acima da média. Somente em março, 55.835 passaram pelo Pátio de Triagem da empresa pública. A quantidade supera em 5 mil veículos a marca histórica registrada em 2019, com 50,9 mil caminhões recebidos.

Na página do Departamento de Estradas de Rodagem (www.der.pr.gov.br) os motoristas encontram uma lista de estabelecimentos comerciais em funcionamento no entorno das principais rodovias paranaenses.

Contratos e cláusulas de desempenho dos portos podem ser revistos devido à Covid-19

Portos e Navios

Responsáveis por mais de 90% da movimentação de mercadorias, os portos brasileiros não pararam suas atividades devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). No entanto, para garantir o pleno funcionamento das operações, algumas medidas devem passar por ajustes, como nos casos dos contratos de infraestrutura portuária e das cláusulas de desempenho.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo da Silva, as empresas do setor já estão apresentando problemas de ordem contratual. Isso porque algumas delas tinham compromissos de investimentos portuários programados para este mês, inclusive com financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas estão encontrando dificuldades até mesmo para contratação de pessoal por causa da atual crise.

Para tentar resolver questões como essas, Silva afirmou que a associação vem conversando com o Ministério da Infraestrutura para que os contratos dessas empresas possam ser renegociados. Outro aspecto que também está sendo dialogado junto à pasta, segundo ele, é a necessidade de reformulação das cláusulas de desempenho dos portos para evitar o risco de multas.

Ele destacou o caso da meta mínima exigida para a movimentação de contêineres nos portos organizados. Com a redução das cargas movimentadas, os portos não estão conseguindo cumprir esta meta. Portanto, segundo Silva, isso precisa também ser conversado e revisto para que os portos não sejam multados. “Temos que encontrar uma saída, afinal, os portos não podem parar, pois suas atividades são consideradas essenciais para o abastecimento e a economia do país”, disse.

A advogada especialista em infraestrutura do escritório Stocche Forbes Advogados, Miriam Signor, acredita que o coronavírus tenha provocado repercussões negativas de ordem econômica no setor de infraestrutura e confirmou que os impactos nos contratos de infraestrutura já estão sendo sentidos.

Ela explicou que, a depender da avaliação do caso concreto, os contratos de infraestrutura usualmente preveem que a impossibilidade do cumprimento de obrigações assumidas em razão de um fato imprevisível, como é o caso do coronavírus, poderá levar à suspensão total ou parcial das obrigações contratuais e revisão de suas condições.

Miriam afirmou, porém, que o governo federal já vem anunciando medidas para amenizar os impactos negativos na economia. Ela lembrou que o BNDES, em parceria com o governo, anunciou no último dia 22 de março, um pacote de medidas para o enfrentamento da Covid-19. Tais medidas injetarão aproximadamente R$ 55 bilhões na economia para apoiar a manutenção da capacidade produtiva. Dentre elas está a possibilidade de suspensão, por até seis meses, do pagamento de parcelas vincendas em financiamentos obtidas junto ao banco. Durante o período de suspensão não incidirão juros, multas ou quaisquer encargos adicionais.

A pandemia provocou ainda, segundo Silva, o cancelamento nas escalas de alguns navios que vinham da China, regiões da Ásia e Oriente. Devido a isso, ele afirmou que houve uma queda de aproximadamente 10% nas importações entre os meses de fevereiro e março.

Estaleiro Brasfels em Angra dos Reis demite 50 funcionários devido à pandemia de coronavírus

Click Petróleo e Gás

O estaleiro Brasfels, localizado em Angra dos Reis-RJ, demitiu nesta terça-feira (31) um total de 50 trabalhadores de seu quadro de funcionários. O processo demissional faz parte da não renovação do contrato dos colaboradores em virtude, provavelmente, dos atrasos que a pandemia do novo coronavírus pode acarretar nos projetos da indústria de óleo e gás no Brasil e no mundo.

Mesmo em decorrência da crise da Covid-19, o estaleiro não havia paralisado suas atividades, contrariando as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as diretrizes do Ministério da Saúde do Brasil em relação ao afastamento social para evitar a proliferação do vírus.

Importante lembrar que o estaleiro Brasfels entregou em janeiro deste ano 2 módulos e ainda constrói o flare para o FPSO MV-30 da Modec e foi anunciado pela operadora japonesa, na semana passada, como construtor de outros 2 módulos para o FPSO MV-32, ambas as plataformas estão sendo construídas em estaleiros chineses e operarão no pre-sal brasileiro para a Petrobras em contratos de 21 anos de duração.

Além do anúncio das demissões no estaleiro Brasfels em Angra dos Reis, mais de 300 trabalhadores da terceirizada offshore Elfe são assombrados pelo fantasma da demissão nesta semana devido às incertezas nos próximos meses no setor marítimo e de petróleo e gás.

O Click Petróleo e Gás acredita que, passado a crise atual em decorrência da pandemia, todas as empresas que foram obrigadas a demitir entrarão em contato novamente com seus colaboradores para retomarem suas atividades.

Gerdau doa aço para construir centro de tratamento da Covid-19

Utomotive Business

Principal fornecedora de aços planos e especiais para a indústria automotiva nacional e outros setores, a Gerdau vai colaborar nas ações de enfrentamento à pandemia de coronavírus no País com a doação do insumo para a construção de um centro de tratamento a pacientes da Covid-19. A empresa uniu esforços com a Prefeitura de São Paulo, Ambev e o Hospital Israelita Albert Einstein para construir de forma rápida um anexo do Hospital Municipal M’Boi Mirim, na zona sul da cidade, que até o fim de abril terá 100 leitos – os primeiros 40 serão entregues em apenas 20 dias – para tratar doentes exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Decidimos participar dessa brilhante iniciativa, pois o momento pede colaboração. Estamos disponibilizando o nosso aço, que será a matéria-prima da estrutura do hospital. As estruturas em aço se destacam pela leveza, resistência e praticidade, o que ajudará a dar velocidade a essa importante obra que ajudará a salvar muitas vidas”, disse Gustavo Werneck, CEO da Gerdau.

As empresas vão colaborar para construir o novo centro de tratamento de acordo com a especialidade de cada uma. A Ambev irá assumir os custos da construção e fará a gestão do projeto, usando sua experiência no desenvolvimento de processos ágeis. A Gerdau oferecerá o aço, que será a principal matéria-prima usada no método construtivo do anexo, e também empregará seu conhecimento na montagem de estruturas metálicas.

O Hospital Israelita Albert Einstein, que já é responsável pela gestão do Hospital M’Boi Mirim, também irá administrar a nova unidade de atendimento. Cerca de 200 profissionais entre médicos e equipe multidisciplinar da equipe do Einstein serão deslocados para local, que terá atendimento 24h.

Após a fase mais aguda da epidemia de coronavírus na cidade, o anexo e toda sua estrutura será entregue à Prefeitura de São Paulo e passará a integrar a rede pública de saúde do município. O projeto já contempla a possibilidade de dobrar para 200 o número de leitos da nova unidade de tratamento.

Os leitos do novo centro serão estruturados usando técnicas de construção modular criadas pela Brasil ao Cubo, uma Construtech Brasileira. Os módulos individuais são produzidos em uma fábrica e, depois, montados no local como “peças de jogo”. O processo permite entregar obras em caráter definitivo com velocidade que já que é quatro vezes mais rápida do que uma construção comum.

“Esse momento pede colaboração e união de esforços. Cada um deve fazer o que está ao seu alcance para, juntos, superarmos essa situação o quanto antes. Decidimos usar nosso conhecimento e expertise em gestão de projetos, que sabemos fazer bem, e nos unirmos à Gerdau e ao Einstein para entregarmos esse hospital com a agilidade e qualidade necessárias para o momento. Aproveito para convidar, neste momento, outras empresas que queiram aderir a este movimento do bem para aumentar a capacidade de leitos do País”, comentou Jean Jereissati, CEO da Ambev.

Consumo de aço no País pode diminuir 20% neste ano

CIMM

O setor siderúrgico nacional já estima encerrar o ano com queda de 20% no consumo de aço ao longo de 2020, devido às consequências do novo coronavírus (Covid-19) no País.

A projeção inicial do Instituto Aço Brasil dava conta de um avanço de 5% sobre 2019, mas possivelmente será impactada pela paralisação das indústrias de máquinas e equipamentos, automotiva e construção civil que, juntas, respondem por 80% do que produzido pelas usinas nacionais.

As informações foram divulgadas pelo presidente do Instituto, Marco Polo de Mello Lopes, em entrevista coletiva digital, que ponderou que o quadro ainda não é definitivo e poderá ser alterado mais uma vez, caso haja retomada das atividades. Segundo ele, a demanda do setor despencou na última semana e, entre os efeitos negativos da pandemia no Brasil, poderá estar uma “crise de proporção inimaginável”.

“Precisamos caminhar para a retomada econômica de forma gradual, com a segurança necessária, seguindo os protocolos e procedimentos que assegurem a saúde das pessoas.

Mas este ciclo virtuoso precisa ser iniciado o quanto antes, caso contrário, poderemos ter um problema ainda maior”, argumentou.

O Aço Brasil estima, ainda, que a demanda do parque siderúrgico vai cair pela metade no mês que vem, sobre o atual, e que o resultado do segundo trimestre será pelo menos 40% inferior ao dos primeiros três meses deste exercício.

“Iniciamos o ano com boas perspectivas, mas com grau de utilização das usinas em torno 60%, quando as empresas deveriam estar operando acima de 80% da capacidade. Agora, por conta desta queda na demanda, este patamar poderá cair ainda mais, caso algo não seja feito”, explicou.

Grupo Aço Cearense em recuperação consegue suspender pagamento a credores

Valor Econômico

O Grupo Aço Cearense, fabricante e distribuidor de aço, conseguiu na Justiça do Ceará uma suspensão de pagamentos no âmbito de sua recuperação judicial (RJ). A companhia pediu 90 dias de período de “cura” de suas obrigações de pagamentos e covenants no plano da RJ, alegando impacto da pandemia do coronavírus nas atividades produtivas e comerciais.

“É verdade que tal medida acarretará algum prejuízo momentâneo para os credores concursais, os quais não receberão por determinado período o desembolso previsto. No entanto, a alternativa existente seria desastrosa para eles”, diz o juiz Cláudio de Sales em sua decisão, em referência a uma eventual falência. 

A empresa entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 1,8 bilhão. É a primeira RJ desse porte a conseguir a suspensão. A companhia é assessora pelo escritório de advocacia Nunes, D’Álvia e Notari.

Preço do minério de ferro agora é mais ‘realista’, diz CRU Group

Bloomberg News

Para o CRU Group, o preço do minério de ferro agora está em um nível mais sustentável após a onda vendedora provocada pela ameaça do coronavírus à demanda global enquanto a oferta permanece praticamente intacta.

Cerca de US$ 80 a tonelada é um “preço muito mais realista”, segundo Erik Hedborg, analista sênior do CRU Group.“Os preços ficaram em torno de US$ 90 no primeiro trimestre e achamos que uma continuidade não era realista. Foi quando vimos a mudança em março.” Embora a situação possa mudar muito rapidamente, os preços devem permanecer estáveis ou mostrar leve queda, disse.

O preço do minério de ferro conseguiu se segurar devido aos cortes de oferta, produção de aço elevada e apostas de estímulos na China, mesmo quando outras commodities, como o cobre, afundam este ano por causa do surto. Desde meados de março, os preços começaram a cair em meio à recuperação das exportações e avanço da pandemia, atingindo siderúrgicas no mundo todo. Os preços de referência caíram cerca de 10% em duas semanas.

Na China, embora a demanda esteja se recuperando, “a questão é até que ponto”, disse Hedborg em entrevista por telefone de Londres. A demanda por aço e exportações estão fracas, enquanto os estoques permanecem altos, disse. Com exceção da China, as siderúrgicas europeias tiveram o maior impacto na produção, avalia.

Ao mesmo tempo, a oferta de minério de ferro praticamente não foi afetada, com a maioria extraída na Austrália e no Brasil. Até agora, cortes em países como África do Sul e Canadá reduzirão o suprimento transoceânico em apenas 0,4%, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

Ainda assim, a propagação do vírus na região que produz volumes significativos de minério de ferro no Brasil é acompanhada de perto, disse Hedborg. Há menos preocupação com mineradoras australianas, que se apoiam em trabalho remoto, automação e centros de saúde adequados, disse.

Outros mercados

Com a piora do surto fora da China, siderúrgicas são obrigadas a interromper ou diminuir a produção. A ArcelorMittal, a maior siderúrgica da Europa, nota ou espera uma retração significativa do setor e está reduzindo a produção. Nos EUA, cinco associações siderúrgicas solicitaram ao Congresso um projeto de lei de estímulo à infraestrutura.

“Siderúrgicas no mundo todo serão prejudicadas em todas as frentes pela pandemia de coronavírus, e esperamos que os preços e margens dos produtos diminuam no curto prazo”, disseram os analistas da Bloomberg Intelligence, Andrew Cosgrove e Grant Sporre. Eles projetam que a demanda por aço caia entre 10% e 15% nos EUA e na Europa e pouco mais de 3% na China este ano.

Como as usinas da Europa, Japão e Coreia do Sul cortam a produção, também há implicações nos fluxos de minério de ferro. Mais volumes podem ser redirecionados para a China, onde os preços à vista são determinados, o que traz risco de baixa para as cotações, disse Hedborg, do CRU.

Contratos e cláusulas de desempenho dos portos podem ser revistos devido à Covid-19

Portos e Navios

Responsáveis por mais de 90% da movimentação de mercadorias, os portos brasileiros não pararam suas atividades devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). No entanto, para garantir o pleno funcionamento das operações, algumas medidas devem passar por ajustes, como nos casos dos contratos de infraestrutura portuária e das cláusulas de desempenho.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo da Silva, as empresas do setor já estão apresentando problemas de ordem contratual. Isso porque algumas delas tinham compromissos de investimentos portuários programados para este mês, inclusive com financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas estão encontrando dificuldades até mesmo para contratação de pessoal por causa da atual crise.

Para tentar resolver questões como essas, Silva afirmou que a associação vem conversando com o Ministério da Infraestrutura para que os contratos dessas empresas possam ser renegociados. Outro aspecto que também está sendo dialogado junto à pasta, segundo ele, é a necessidade de reformulação das cláusulas de desempenho dos portos para evitar o risco de multas.

Ele destacou o caso da meta mínima exigida para a movimentação de contêineres nos portos organizados. Com a redução das cargas movimentadas, os portos não estão conseguindo cumprir esta meta. Portanto, segundo Silva, isso precisa também ser conversado e revisto para que os portos não sejam multados. “Temos que encontrar uma saída, afinal, os portos não podem parar, pois suas atividades são consideradas essenciais para o abastecimento e a economia do país”, disse.

A advogada especialista em infraestrutura do escritório Stocche Forbes Advogados, Miriam Signor, acredita que o coronavírus tenha provocado repercussões negativas de ordem econômica no setor de infraestrutura e confirmou que os impactos nos contratos de infraestrutura já estão sendo sentidos.

Ela explicou que, a depender da avaliação do caso concreto, os contratos de infraestrutura usualmente preveem que a impossibilidade do cumprimento de obrigações assumidas em razão de um fato imprevisível, como é o caso do coronavírus, poderá levar à suspensão total ou parcial das obrigações contratuais e revisão de suas condições.

Miriam afirmou, porém, que o governo federal já vem anunciando medidas para amenizar os impactos negativos na economia. Ela lembrou que o BNDES, em parceria com o governo, anunciou no último dia 22 de março, um pacote de medidas para o enfrentamento da Covid-19. Tais medidas injetarão aproximadamente R$ 55 bilhões na economia para apoiar a manutenção da capacidade produtiva. Dentre elas está a possibilidade de suspensão, por até seis meses, do pagamento de parcelas vincendas em financiamentos obtidas junto ao banco. Durante o período de suspensão não incidirão juros, multas ou quaisquer encargos adicionais.

A pandemia provocou ainda, segundo Silva, o cancelamento nas escalas de alguns navios que vinham da China, regiões da Ásia e Oriente. Devido a isso, ele afirmou que houve uma queda de aproximadamente 10% nas importações entre os meses de fevereiro e março.

Logística de GNL ao interior vai estimular isotanques e multimodalidade

A interiorização do gás natural no Brasil vai estimular o aumento do transporte em estado liquefeito por contêineres especiais. Os projetos em desenvolvimento para levar gás natural liquefeito (GNL) para o interior do país preveem soluções multimodais e complementares, desde transporte terrestre, por estradas ou ferrovias, até por cabotagem. Uma delas é o armazenamento do gás em isotanques — um tipo de contêiner em forma de cisterna que pode ser acoplado a caminhões.

A Golar Power, joint venture formada entre a norueguesa Golar LNG e o fundo Stonepeak Infrastructure Partners, acredita que, com a abertura do mercado e as recentes mudanças no marco regulatório do gás, haverá cenário favorável para reduzir a dependência da importação do diesel e promover a “interiorização” do GNL, já que esse energético pode ser transportado com facilidade para regiões que ainda não contam com gasodutos. O GNL permite o transporte de uma quantidade superior de produto, em pequeno volume, numa operação conhecida como small scale. Essa dinâmica de resfriamento do gás permite reduzir o seu volume em até 600 vezes.

A empresa pretende aproveitar a estrutura de armazenamento dos terminais de GNL e levar esse gás em pequenas embarcações, numa operação de cabotagem, e depois em terra, em caminhões com iso-contêineres de GNL. Os veículos, importados da fabricante chinesa Shacman, fazem parte da estratégia de distribuição do GNL em pequena escala, elaborado em parceria com a empresa de logística Alliance GNLog. A China já movimenta mais GNL em caminhões do que o Brasil consome através de dutos. Metade desse volume é usado para abastecer a frota de caminhões movidos a GNL.

Para viabilizar o uso dos caminhões movidos a GNL, a Golar pretende implementar, nas principais rotas de transporte e escoamento de produção, os chamados ‘corredores azuis’, vias de tráfego com pontos de abastecimento a gás. O uso do GNL nesses moldes já é realidade na Europa, nos EUA e na China, que conta atualmente com uma frota de mais 300 mil caminhões movidos a GNL. Essa utilização no transporte de carga reduz as emissões de gases do efeito estufa. Estima-se que a conversão de um caminhão a diesel pelo GNL equivale ao plantio de sete mil árvores.

Em Suape (PE), o navio de GNL Golar Mazo, com capacidade de 135 mil metros cúbicos e 290 metros de comprimento, atracará de forma permanente no cais de múltiplos usos do porto local. Esta embarcação funcionará como supridor para abastecimento de isotanques montados em caminhões. Os veículos farão a distribuição para cidades num raio de até mil quilômetros. A previsão é que o escoamento por caminhão chegará a um volume de 800 m³ de GNL/dia, o que equivale a, aproximadamente, 480 mil m³ de gás natural por dia.

A distribuição de GNL também será feita a partir de Suape para outros estados do Brasil, por meio de cabotagem. O navio criogênico de pequeno porte do grupo Golar será abastecido por transbordo e utilizado no transporte do GNL para outros portos da região. A embarcação possui 123 metros de comprimento e capacidade de armazenamento em cada operação de 7,5 mil m³ de GNL, equivalentes a 4,5 milhões de m³ de gás em estado natural. No caso dos navios criogênicos, que farão essa logística por cabotagem, a Golar prevê operação para três navios de small scale de GNL nos próximos dois anos. 

O diretor de desenvolvimento da Câmara Brasileira de Contêineres, Transporte Ferroviário e Multimodal (CBC), Ian Gordon Petersen, explica que hoje não se acha isotanques facilmente à venda ‘nas prateleiras’. Ele disse que os players interessados precisam ter as especificações do produto e encaminhá-las para saber se os operadores ou afretadores de isotanques têm interesse nesse fornecimento. O planejamento ideal, estima, deve ser de um ano ou talvez um pouco menos. Petersen diz que esse tipo de demanda se viabiliza com lastro de contratos extensos, de cinco a oito anos, a fim de amortizar investimentos que serão feitos.

O diretor da CBC acredita que, no curto prazo, a demanda brasileira será atendida por grandes players estrangeiros já consolidados no mercado global. A China é o maior fornecedor desse tipo de equipamento, num mercado em que a África do Sul e a Alemanha também possuem fatias representativas. Entre os maiores operadores de contêiner-tanque no mundo estão empresas como Stolt Tanque Containers, InterBulk Grupo, Hoyer, Bulkhaul, NewPort e VOTG.

O vice-presidente executivo da Golar Power, Marcelo Rodrigues, contou que a empresa firmou acordo com dois fornecedores de isotanques, com os quais acertou uma programação de produção, para seus projetos no Brasil. Segundo Rodrigues, existem diversos fornecedores desse tipo de equipamento no mundo, especialmente no Estados Unidos, Índia e China. O tempo para encomendar e receber esses isotanques é, em média de seis meses. No começo do ano, a empresa também firmou parceria com a BR Distribuidora para o desenvolvimento conjunto de soluções para distribuição de GNL de pequena escala em todo o território nacional.

Em reunião à distância, FMM aprova R$ 654 milhões em novos projetos

Portos e Navios

Na primeira reunião de 2020, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou R$ 654,3 milhões em novos projetos, além de outros R$ 4,9 bilhões destinados a projetos que já haviam sido aprovados pelo conselho e obtiveram novo prazo para contratação, totalizando R$ 5,6 bilhões de investimentos para o setor naval. A 43ª reunião ordinária foi realizada à distância devido às medidas de prevenção e isolamento para evitar a maior número de contaminações ao novo coronavírus (Covid-19). De acordo com o Ministério da Infraestrutura, os conselheiros tiveram prazo para manifestação até 23 de março, quando foi concluída a reunião. A sessão originalmente estava agendada para o dia 19.

O CDFMM também aprovou a prestação de contas de 2019 do FMM e alterou projetos, sem impacto no valor anteriormente priorizado. Os projetos priorizados referem-se à construção, conversão, reparo e modernização de embarcações de apoio portuário, apoio marítimo e carga, bem como para apoio à construção de um estaleiro. Dentre os novos projetos aprovados, R$ 256 milhões são voltados para construção de novas embarcações de apoio marítimo e outros R$ 326 milhões para construção de oito rebocadores, estes com potências de 70 e 80 de tração estática (bollard pull).

Nos próximos dias será publicada a resolução do CDFMM com os projetos que obtiveram prioridade. Com isso, as empresas estarão habilitadas a contratar o financiamento por meio dos agentes financeiros conveniados (BNDES, BB, CEF, BNB e BASA). O FMM pode financiar até 90% do valor dos projetos pleiteados. O percentual de financiamento dependerá do conteúdo nacional e do tipo de embarcação.

A próxima reunião ordinária do CDFMM está prevista para o dia 2 de julho. Os interessados têm até o dia 4 de maio para apresentar os projetos para obtenção de prioridade para financiamento com recursos do FMM. O ministério informou que, em caso de alteração do calendário por força dos impactos do novo coronavírus, as novas datas serão divulgadas no site do FMM.