Arquivo da categoria: Indústria Metalmecânica e Eletroeletrônica

PDZ do Porto de Santos projeta aumento de capacidade em 50% até 2040

Portos e Navios

A Santos Port Authority (SPA) apresentou à imprensa, nesta segunda-feira (17), o novo zoneamento do Porto de Santos. Também conhecido como PDZ, o plano pretende ser um instrumento de planejamento sustentável para o desenvolvimento racional das atividades e da ocupação das áreas portuárias no longo prazo. O PDZ define a ocupação das áreas, considerando um aumento de aproximadamente 60% na movimentação de cargas para 214,9 milhões de toneladas até 2040.

As principais diretrizes do PDZ são a eficiência operacional e a integração porto-cidade. No que se refere à eficiência operacional, prevê a consolidação de áreas para a ‘clusterização’ de cargas, dedicação de berços aos terminais contíguos e o aumento da participação do modal ferroviário nas operações. No aspecto de integração com a cidade, o plano abrange soluções para interferências de acessos, destinação do cais do Valongo à movimentação de passageiros em navios de cruzeiro e a elaboração de um plano mestre para preservação do patrimônio histórico e cultural.

O presidente da SPA, Casemiro Tércio Carvalho, destacou que o plano inaugura uma nova fase na relação entre o porto e a cidade, embasada na preocupação com o desenvolvimento sustentável. “Trata-se de dar maior eficiência à movimentação de cargas, garantindo melhorias na qualidade de vida dos cidadãos.” Outro ponto destacado por Casemiro foi a concepção do plano, considerando uma nova realidade de gestão da autoridade portuária também como um agente de atração comercial de cargas e de investimentos.

O PDZ foi elaborado ao longo do último ano a partir das bases de dados oficiais das cadeias de cargas, com projeções e ajustes com as informações de mercado, bem como a produção econômica nas áreas de influência do porto. O ponto de partida foi o Plano Mestre, instrumento de planejamento portuário elaborado pelo Ministério da Infraestrutura (Minfra). Publicado em abril de 2019, o Plano Mestre estabelece dez meses para a SPA enviar o PDZ à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNTPA), ligada ao Minfra.

O plano abrange tanto as necessidades de expansão de capacidades quanto as demandas dos municípios, promovendo alterações de zoneamento e melhoria de acessos.

O novo PDZ foi apresentado e discutido com mais de 30 entidades, tanto do setor portuário como representantes da sociedade. A primeira apresentação foi feita ao Conselho de Autoridade Portuária (CAP), integrado por representantes do empresariado, dos trabalhadores portuários e do poder público. As demais ocorreram para associações de empresários, sindicatos de trabalhadores, representantes de usuários, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Comercial de Santos (ACS) e representantes dos municípios de Santos e Guarujá, entre outros. Após as contribuições, a SPA incorporou algumas sugestões, tais quais a destinação de uma área para operadores de cais público.

Aumento da capacidade

As projeções apontam para uma capacidade instalada de 240,6 milhões de toneladas em 2040, alta de 50% sobre o cenário atual. Atendendo a diretrizes do Minfra de aumentar a participação da ferrovia nos portos, a movimentação prevista para o modal deve crescer mais de 90%, elevando a fatia dos trilhos no Porto de atuais 33% para 40% no cenário de projeção.

As instalações destinadas a contêineres terão o maior crescimento de capacidade entre todas as cargas: alta de 64%, saindo de 5,4 milhões TEUs para 8,7 milhões TEUs.

Com ampliação de 25,6 milhões de toneladas, a capacidade de movimentação de granéis sólidos vegetais passará das atuais 69,7 milhões de toneladas para 95,3 milhões de toneladas, um ganho de quase 30%.

A implantação de novos berços de atracação e o aumento no volume de tancagem elevarão a capacidade atual de movimentação de granéis líquidos químicos e combustíveis de 16 milhões de toneladas para 22,4 milhões de toneladas, aumento de 40%.

Na celulose, carga predominantemente ferroviária, a oferta aumentará de 7,1 milhões de toneladas para 10,5 milhões de toneladas, alta de 50%.

Integração Porto-Cidade

Nesse aspecto, o plano estabelece diretrizes como a eliminação de passagens de nível de tráfego rodoviário e ferroviário, proporcionando mais segurança e agilidade no deslocamento de trabalhadores e do público que circula na área portuária e em seu entorno.

Busca ainda fomentar a atividade no centro histórico com a dedicação de área para implantação de terminais de passageiros, podendo agregar até 8 novos berços de atracação para esse fim na região o Valongo.

O plano também prevê a destinação da área da Prainha (em Guarujá) para armazenagem e movimentação de carga geral, além da preservação do patrimônio histórico e cultural sob controle da autoridade portuária.

Justiça proíbe caminhoneiros de bloquear acesso ao Porto de Santos

Poder 360

A Justiça Federal proibiu caminhoneiros autônomos que atuam no Porto de Santos (SP) de bloquear os acessos ao maior porto do Hemisfério Sul durante movimento grevista.

A paralisação da categoria teve início nesta 2ª feira (17.fev.2020) e, inicialmente, teria duração de 24 horas, segundo anunciaram lideranças do Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira).

A categoria contesta as regras definidas pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para a nova tabela do frete, que discrimina quanto e o que deve ser pago aos caminhoneiros.

Em decisão proferida no domingo (16.fev), o juiz federal Roberto da Silva Oliveira atendeu a pedido da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), que administra o porto, e impôs multa diária de R$ 200 mil em caso de descumprimento. Eis a íntegra da decisão (112 KB).

O justo receio de esbulho e turbação ficou demonstrado por máxima de experiência, consistente em inúmeras situações anteriores relacionadas a sindicatos que se utilizam da mesma tática de bloqueios e invasões“, destacou o magistrado.

O juiz também citou operação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para examinar embarcação de bandeira chinesa que atracou nesta 2ª feira (17.fev), em Santos. Duas pessoas a bordo apresentaram durante a viagem sintomas que levantaram suspeitas de infecção pelo novo coronavírus. As suspeitas posteriormente foram descartadas.

O veto imposto pelo juiz ao bloqueio aos acessos ao Porto de Santos é válido até a 6ª feira (21.fev). Na 4ª feira (19), a Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) organiza nova greve de caminhoneiros em protesto contra o adiamento –a pedido do governo– de julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a legalidade da tabela de frete.

Autores

Investimentos para operações em Suape

Diário de Pernambuco

A companhia de logística Localfrio captou R$ 100 milhões por meio de emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), com objetivo de alongar para 12 anos uma dívida que estava no curto prazo e iniciar um novo ciclo de investimentos. As operações da empresa estão distribuídas entre Pernambuco, São Paulo e Santa Catarina e, apesar de ainda não ter definido quanto cada unidade vai receber de aporte, o estado vai se beneficiar com os novos investimentos. Isso porque uma das unidades operacionais da Localfrio fica no Porto de Suape e tem o papel estratégico de atender as regiões Nordeste e Norte.

A Localfrio, que originalmente esteve focada no segmento de armazéns frigorificados e terminais alfandegados e agora planeja ampliar as atividades para atuar como operador logístico completo, conta com seis unidades operacionais, sendo quatro terminais alfandegados, totalizando 430 mil metros quadros de área disponível. No Porto de Suape, a companhia, que é um dos maiores operadores logísticos de produtos químicos do Brasil, é líder de cargas de projeto para grandes parques eólicos do N/NE.

“Faz parte da estratégia da Localfrio estar posicionada em todas as principais zonas do comércio exterior brasileiro. É o único operador logístico com presença junto aos principais portos que atendem cada uma das regiões. Nesse sentido, as unidades de Suape têm um papel estratégico para atendimento de toda a região Norte e Nordeste, uma vez que Suape é o principal porto dessas regiões. As unidades da Localfrio em Suape, sendo terminal alfandegado, terminal de cargas e unidade de transporte, são responsáveis por cerca de 30% do faturamento da empresa”, ressalta o presidente da Localfrio, Thomas Rittscher.

As unidades de Suape atuam para as principais empresas da região, com foco principal nos segmentos químico, bebidas, bens de consumo e siderúrgico, com destaque para o segmento de cargas de projeto. “Para todos esses segmentos a empresa desenvolve soluções logísticas integradas. O segmento de cargas de projeto vem se consolidando como um dos mais importantes, onde movimentamos, armazenamos e transportamos pás eólicas, torres e equipamentos de grande porte, além de equipamentos para geração de energia solar. Existem grandes investimentos em novos parques eólicos e solares nas regiões Norte e Nordeste e esse movimento deve continuar. Por isso, a Localfrio tem investido na especialização para esse tipo de operação a partir de suas unidades junto ao Porto de Suape”, explica o presidente, destacando ainda a localização estratégica de Suape.

Portos em alerta por paralisação de Santos

Jornal do Commercio

Caminhoneiros da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, começaram à meia-noite de domingo uma paralisação por 24 horas na entrada do Porto de Santos. Liderados pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), os trabalhadores protestam contra o novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do cais, além de reivindicar um valor mínimo para serviços de frete e a retirada do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustíveis. Por enquanto, a paralisação não teve efeito sobre os portos pernambucanos. Mas o fato de se tratar do maior porto da América Latina pode trazer impacto nacional.

Ontem mesmo, a Justiça Federal proferiu decisão em favor da Companhia Docas de São Paulo, expedindo um Mandado Proibitório. A decisão impede o bloqueio dos acessos terrestres e marítimos ao Porto de Santos, no período de 17 a 21 de fevereiro de 2020. Na prática, apenas as operações nos cais que realizam descarga direta (granéis sólidos minerais) tiveram interrupção por causa da manifestação dos caminhoneiros. O presidente do Sindicom, Alexsandro Viviani, disse que o ato foi para mostrar a união da categoria. “Se não formos atendidos, nossa greve será por tempo indeterminado”, afirmou. Uma paralisação da categoria sempre remete à greve de maio de 2018, quando o caos se instalou no Brasil.

Durante o dia de ontem, os portos do País ficaram atentos ao “contágio” da paralisação e aos possíveis impactos na movimentação portuária. Por meio de sua assessoria de comunicação, o Porto de Suape informou que “não tem nenhuma reclamação de perda na movimentação, em virtude do movimento dos caminhoneiros de Santos, até o momento. Líder em cabotagem no País, 74% da movimentação do Porto de Suape é de granéis líquidos e, nesse caso, o porto pernambucano é quem recebe os produtos e distribui em maior escala, não existindo nenhuma movimentação de porte programada para vir de Santos, no momento”, diz a nota.

O professor de Logística e Administração da UniFBV/Wyden, Paulo Alencar, explica que o Porto de Santos é o maior em movimentação de cargas do Brasil e da América Latina e que dificuldades na sua operação podem ter reflexo no País. “As cargas que vêm para os portos do Nordeste fazem conexões com as cargas internacionais, a maioria delas por Santos e Sepetiba, no Rio de Janeiro. Esses grandes portos é que recebem as cargas internacionais em navios grandes e são redespachadas para navios que subirão até o Nordeste. Essa paralisação dos caminhoneiros gera um colapso no processo de embarque e desembarque de operação. O Porto de Santos já trabalha com seu limite operacional em termos de movimentação e esse protesto tende a fazer com que os processos fiquem mais lentos”, observa.

Alencar alerta, ainda, para o efeito psicológico que um tipo de paralisação gera. “Se fossem os caminhoneiros que atuam em portos menores, o efeito não seria o mesmo, mas em se tratando de Santos, a coisa ganha outra proporção. Isso sem falar que estamos num momento de sazonalidade, às vésperas do Carnaval. Algumas mercadorias podem estar em prazo final de entrega ou mesmo com entrega atrasada. É um momento delicado”, analisa.

Mercado mundial de navegação sofre com coronavírus

Folha de São Paulo

A desaceleração chinesa com o surto mortal de coronavírus tirou o setor de navegação mundial do rumo, derrubando as tarifas de frete para seus menores patamares históricos e levando muitos portos a recusar a entrada de navios.

Todos os segmentos da navegação, desde petroleiros até navios de contêineres, vêm sendo afetados pelo impacto econômico da suspensão de atividade em fábricas e das restrições a viagens que a China colocou em vigor para controlar a disseminação do vírus.

Na semana passada, o índice Capsize, que acompanha o custo de frete dos maiores navios do commodities secas a granel, como minério de ferro, carvão e grãos, caiu para território negativo pela primeira vez desde sua criação em 1999, indicando que algumas empresas de navegação vêm operando certas rotas com prejuízo.
Corretores de navios e analistas dizem que a queda na demanda para transportar bens para dentro ou fora da China — maior consumidor mundial de muitas commodities — vai continuar deixando suas marcas nos setores de navegação e de comercialização de commodities por vários meses.

“Está uma bagunça, realmente”, disse Erik Haavaldsen, chefe de análises no banco de investimento Pareto Securities, que tem sede em Oslo. “A China é muito importante para tudo relacionado à navegação.”

Desde que as suspensões de atividades começaram, alguns estaleiros ficaram sem trabalhadores, resultando em prejuízo para donos e construtores, que veem os navios ociosos, na fila para receber atendimento. Um dos maiores estaleiros da China, em Jiangjiang, perto de Xangai, teve duas solicitações seguidas para reabrir recusadas pelo governo local. “Não temos condições de continuar em férias por muito tempo”, disse um técnico da operadora, no início da semana.

No porto de Wuhan, no rio Yangtzé, outro técnico disse que a maior preocupação das autoridades são os remédios e os itens de primeira necessidade. “Não temos capacidade para lidar com outras mercadorias”, disse.

O uso da capacidade dos principais portos chineses está entre 20% a 50% abaixo do normal e cerca de 35% dos portos informaram que as instalações de armazenamento estão mais de 90% cheias, segundo uma pesquisa, realizada na semana passada, pelo centro de estudos Shanghai International Shipping Institute, financiado pelo governo chinês.

Os impactos no setor de navegação provavelmente serão duradouros. Um técnico da China Merchants Port, uma importante operadora de portos de Hong Kong, disse que a epidemia vai reduzir a receita anual de 10% a 25% se for controlada até o fim de março — se durar mais, a proporção será ainda maior.

Tripulações presas

No mar, tripulações estão presas dentro de navios em estaleiros chineses ou em portos como o de Cingapura, que adotaram regras rigorosas de quarentena sobre embarcações provenientes da China. Guy Platten, secretário-geral da Câmara Internacional de Navegação, disse que alguns navios ancorados estão ficando sem alimentos.

Tripulantes chineses, uma das nacionalidades mais frequentes entre os marinheiros, vêm sendo obrigados a ficar períodos mais longos no mar — que normalmente não passariam de seis meses — uma vez que as restrições das quarentenas dificultam a troca das tripulações, segundo corretores.

As commodities também sofrem com o surto. Executivos chineses da área de energia estimaram que o consumo doméstico de petróleo poderá cair até 25% em fevereiro, o que representaria um impacto de 3% na demanda mundial. Essas preocupações já derrubaram o preço do barril de petróleo do tipo Brent em cerca de 15% neste ano.

Como resultado, as tarifas dos superpetroleiros que transportam petróleo caíram 75% nos últimos 30 dias, para US$ 23 mil por dia, uma drástica diferença em relação aos US$ 140 mil por dia de quatro meses antes.

“O coronavírus vem tendo um grande impacto desestabilizador no mercado e em nossos negócios”, disse Brian Gallagher, chefe de relações com os investidores da Euronav, uma das maiores empresas de petroleiros do mundo.

O vírus não é a única força negativa agindo no mercado de petroleiros. Há mais embarcações disponíveis para uso desde que, no fim de janeiro, uma unidade da Cosco, maior proprietária de petroleiros da China, foi eximida das sanções dos Estados Unidos contra o Irã. A pressão sobre os preços dos fretes é amplificada pela tendência de queda na demanda depois do Ano-Novo Lunar chinês.

Uma possível boa notícia para as operadoras de petroleiros é a perspectiva de que os navios possam ser usados para armazenar petróleo no mar, uma vez que as instalações em terra estão sem muita capacidade. Gallagher disse ter recebido algumas sondagens para prestar esse serviço, mas que, por enquanto, ainda não vale a pena economicamente.

Outros segmentos da navegação também foram afetados. A AP Moller-Maersk, uma grande empresa de navios de contêineres, cancelou 20 saídas da China desde o início do surto. Alguns donos de navios não vêm permitindo que seus barcos se dirijam à China, em razão dos riscos, enquanto outros vêm cobrando a mais para ir ao país, segundo um corretor que trabalha na Ásia.

Os mais otimistas preveem a recuperação do setor graças aos esperados anúncios de estímulos econômicos pelo governo da China, uma vez que o vírus estiver contido. Mas uma desestabilização econômica prolongada pode, em última medida, levar empresas de vários setores, incluindo o de navegação, a repensar o excesso de dependência em relação a apenas um país e estudar realocar algumas operações fora da China.

“Você tem a guerra comercial e, em cima disso, o surto de coronavírus”, disse Erik Broekhuizen, chefe de análises do mercado de petroleiros da Poten & Partners, uma corretora. “Você vai ter pessoas dizendo ‘espera aí… precisamos de um plano B’.”

Fiat, VW, GM e Ford perdem espaço no Brasil

Autoo

Com tantas transformações que afetam o mercado de automóveis no mundo e no Brasil, pode ter passado despercebida boa parte da mudança de forças das marcas que atuam em nosso país. Mas esse fenômeno foi marcante, como mostra um levantamento inédito feito pelo Autoo.

Acostumado ao domínio das quatro montadoras mais tradicionais no Brasil, o consumidor quebrou essa tradição na última década, apostando em novos produtos e marcas menos conhecidas. Essa mudança de humor fez a participação de Ford, Volkswagen, Chevrolet e Fiat cair de cerca de 77% para 55%.

É um volume imenso, equivalente a deixar de vender algo como 575 mil veículos no ano passado. A Fiat foi de longe a marca que mais perdeu espaço na preferência do brasileiro. Se em 2009, a montadora italiana emplacou mais de 736 mil veículos, dez anos depois esse total caiu nada menos que 50%, o que fez sua participação cair quase dez pontos percentuais.

Logo atrás da Fiat está a Volkswagen, que perdeu quase 40% das vendas, número que seria pior se no ano passado a marca não tivesse recuperado um pouco do seu volume. A Ford caiu 28% e a Chevrolet, 20%, mesmo liderando o mercado com certa margem.

Mas afinal quem se beneficiou da derrocada das montadoras mais antigas do país? As marcas asiáticas, sem sombra de dúvidas. Japonesas, coreanas e chinesas mais que dobraram sua participação no mercado brasileiro, chegando a mais de 26% – ou seja um em cada quatro carros emplacados no Brasil é produzido por um fabricante cuja matriz fica do outro lado do planeta.

Dessas marcas, a Nissan foi a que mais viu seus números se multiplicarem em uma década. De apenas 23 mil veículos vendidos em 2009, a montadora terminou 2019 com 96 mil unidades emplacadas, ou 314% a mais. O resultado se explica no fato de a marca ter aberto uma fábrica no Brasil e passado a participar de segmentos como de sedans compactos e sobretudo SUVs com o bem sucedido Kicks.

Em números absolutos, o mérito é no entanto da Hyundai. Os sul-coreanos lançaram com enorme sucesso a família HB20 que abraçou um enorme naco do mercado e que compensou o recuo de vendas de seus carros importados. O resultado é que a Hyundai triplicou suas vendas em 10 anos.

A Toyota não ficou muito atrás, vendendo 122 mil carros a mais que em 2009 enquanto sua tradicional rival, a Honda, empacou. A marca, mesmo com uma linha de produtos equilibrada e atraente, teve um pequeno crescimento de 3% nesse período. Ainda assim viu sua participação crescer de 4,2% para 4,9%, mas poderia ser melhor se ela não tivesse passado os últimos anos com sua produção limitada por preferir não ativar sua nova fábrica de Itirapina.

A Peugeot foi a marca que mais perdeu mercado enquanto a Jeep foi, disparada, a que mais conquistou espaço.

Vexame da Peugeot Citroën

A indústria automobilística francesa conseguiu crescer modestamente nesse intervalo de tempo, mas apenas porque a Renault foi a maior exceção na tendência do consumidor de migrar para as marcas asiáticas. Com uma estratégia precisa, a montadora mais que dobrou suas vendas, conquistando o 4º lugar no mercado, posição tradicionalmente ocupada pela Ford.

Já sua rival caseira, o grupo PSA Peugeot Citroën teve uma década vexaminosa. As duas marcas, que já vinham em queda livre, encolheram a ponto de, juntas, não representarem nem 2% de participação no mercado brasileiro. A Peugeot foi a grande marca a ter a maior queda nesse período, indo de um volume anual de 81 mil carros para míseros 21 mil veículos no ano passado, ou 74% a menos.

Sua irmã Citroën não foi muito melhor, com redução de 62%, mesmo índice da Kia Motors, uma das exceções entre as asiáticas – a outra foi a Mitsubishi. Atingida pelas cotas do programa Inovar Auto e pela cotação elevada do dólar, a marca que é parte do grupo Hyundai vendeu menos de 10 mil carros no ano passado, resultado até melhor que o de anos recentes.

Novos players

Além do reequilíbrio de forças, o mercado brasileiro ganhou novos players entre os mais vendidos. O maior destaque foi, sem dúvida, a Jeep, até então uma marca de importados discretíssima. Com a nova estratégia global da FCA, ela saiu de um ano com 689 veículos emplacados para quase 130 mil SUVs vendidos (99% deles Compass e Renegade), número superior ao da Honda. O ótimo desempenho da Jeep, aliás, amenizou a queda impressionante da Fiat. Mesmo sem recuperar o volume da marca italiana, a Jeep compensou por elevar o tícket médio de seus veículos, para sorte da FCA.

Após um período de ostracismo diante das barreiras comerciais levantadas no Brasil, as marcas chinesas tiveram uma reviravolta com a CAOA Chery. Com a ajuda do grupo brasileiro, a marca terminou 2019 com mais de 20 mil carros vendidos, quase o mesmo que Peugeot e Mitsubishi, velhos conhecidos do brasileiro. 

Preço dos aços: fechamento da primeira quinzena de fevereiro/2020

Infomet

O aumento do preço dos aços anunciado pelas usinas siderúrgicas para janeiro deste ano, se concretizou, principalmente para os produtos planos. Podemos perceber a variação positiva acumulada de janeiro somado a primeira quinzena de fevereiro deste ano, conforme indicação das médias abaixo:

BQ: +7,5%
BF: +6,3%
CG: +6,2%
Galvanizado: +7,26%
 

Março: Preço do aço pode subir até 10% com a alta do dólar

As siderúrgicas produtoras de aços planos no Brasil já estão informando seus clientes – distribuidores, setor industrial e construção civil – que vão aplicar novo reajuste nos preços do produto a partir do início de março.

O argumento das companhias – Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas, ArcelorMittal Tubarão e Gerdau – é que o câmbio está pesando sobre os custos das empresas, que compram minério de ferro e carvão metalúrgico em dólar para abastecer seus altos-fornos.

Outro fator é o prêmio do aço nacional em relação ao material importado colocado no Brasil. Mesmo com os reajustes na média de 10% aplicados no início de janeiro pelas siderúrgicas, esse prêmio já está negativo.

A Usiminas, disse outra fonte, foi a primeira empresa a informar seus clientes da necessidade do reajuste.

A CSN também já tomou a decisão de reajustar sua tabela de preços a partir de março e está informando os clientes. O aumento não deverá ser inferior a 10%.

Segundo avaliação no setor, as fabricantes de aço deverão mesmo elevar os preços, numa estratégica de priorizar margens de ganho.

Alunorte investe R$ 670 milhões em nova estação de tratamento de efluentes

Abal

Com foco na modernização da refinaria e mudanças climáticas severas do futuro, garantindo o tratamento e armazenamento de água, a Alunorte investiu R$ 670 milhões e iniciou o funcionamento da nova unidade de Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI).

O sistema passa a operar com 23 novas bombas, alcançando uma capacidade de transferência de 33.000 metros cúbicos por hora, o equivalente a 33 mil caixas d’água.

“Esse investimento está em sintonia com o objetivo da companhia de tornar a Alunorte uma referência mundial em eficiência, segurança e qualidade para o setor do alumínio”, afirma Carlos Neves, diretor de Operações de Bauxita & Alumina da Hydro.

O projeto também trouxe impactos positivos no que tange à geração de empregos: 1.600 trabalhadores foram contratados no pico das obras, sendo 95% deles oriundos da região de Barcarena. E, para operar a nova ETEI, foram contratados 32 novos empregados fixos.

Com lucro líquido de R$ 377 mi, Usiminas planeja investimento de R$ 1 bi em 2020

Infomet

Com lucro líquido acumulado em 2019 de R$ 377 milhões, a Usiminas pretende aumentar em 30% investimentos neste ano, alcançando pelo menos R$ 1 bilhão em aportes diversos. 
 
Os números foram divulgados nessa sexta-feira (14). Apesar disso, a maior parte dos resultados registrados pela siderúrgica ficaram abaixo daqueles observados nos últimos três anos.

É o terceiro ano seguido em que a empresa aumenta os investimentos.
 
O Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – da Usiminas fechou 2019 em R$ 2 bilhões, queda de 27% em relação ao ano anterior, quando acumulou R$ 2,69 bilhões.

O lucro líquido foi 54% menor que o acumulado em 2018 – R$ 829 milhões. 
 
Por outro lado, a receita líquida da siderúrgica subiu 8,8%, alcançando R$ 14,9 bilhões, puxada principalmente, segundo a Usiminas, pela venda de 8,6 milhões de toneladas de minério de ferro, recorde da série histórica registrada pela empresa mineira nos últimos dez anos.

Em 2018, a receita havia sido de R$ 13,7 bilhões. 
 
O presidente da Usiminas, Sergio Leite, diz que, devido às condições nacionais e internacionais do mercado, a empresa teve “um ano difícil”, mas que também conseguiu vitórias importantes.
 
Ele cita os efeitos negativos da política protecionista adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que dificultou as exportações de aço brasileiras.

Também foram prejudiciais o aumento de preço da matéria-prima, a tragédia da Vale em Brumadinho e a queda do valor do aço no mercado internacional. 
 
“Tivemos uma economia que cresceu menos do que o esperado. A expectativa era de crescimento (do PIB brasileiro) de 2,5%, e o relatório Focus, do Banco Central, prevê que tenha crescido próximo de 1,2%, repetindo os resultados de 2017 e 2018”, ressaltou Leite. 
 
Em 2020, o executivo acredita que a pauta de reformas liberais do governo federal, em especial a tributária, e o avanço previsto nas privatizações, devem fomentar o mercado.

“Tudo que vem sendo feito pelo governo está em linha com o que desejamos e aguardamos”, diz.
 

Expectativa é de redução dos custos de produção no 1º tri, diz diretor
Após um resultado abaixo do esperado, ação da empresa está entre as maiores quedas do dia

O vice-presidente de finanças e relações com investidores da Usiminas, Alberto Ono, disse hoje, em teleconferência com analistas, que o planejamento da siderúrgica para o primeiro trimestre já prevê uma redução nos custos de produção em relação ao trimestre anterior.

Após um resultado abaixo do esperado, ação da empresa vem caindo por toda a manhã. Por volta de 13h06min, o papel (USIM5) caía 4,54%, negociado a R$ 9,88.

“Para o ano, ainda é muito cedo para estimar como ficarão os custos”, disse Ono, destacando a volatilidade do câmbio e dos preços do minério de ferro.

Ono, assim como o presidente da Usiminas, Sergio Leite, disse que para 2020 a expectativa da siderúrgica é de retomada da demanda no mercado doméstico. Segundo Leite, há sinalizações positivas para a economia, como o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), aumento da atividade na construção civil e geração de emprego. “A nossa estimativa é que o consumo aparente de aço cresça cerca de 5%”, disse Leite.

Com o desempenho da economia positivo e um câmbio mais alto, Miguel Homes, vice-presidente comercial da Usiminas, disse que há espaço para reajuste de preços da tonelada do aço no primeiro semestre. “Vemos um incremento de 8% a 12%”, disse Homes.


Resultado da Usiminas no 4º tri e em 2019 decepciona investidor

O balanço financeiro da Usiminas em 2019 não empolgou os investidores. A ação PNA da empresa fechou em queda de 4,35% na sexta-feira, negociadas a R$ 9,90. A empresa reportou lucro líquido de R$ 268 milhões no quarto trimestre de 2019, o que representou queda de 33% no comparativo com o mesmo período de 2018. Já em todo o ano, a siderúrgica lucrou R$ 377 milhões, um recuo de 55% ante o ano anterior.

Para o presidente da companhia, Sergio Leite, no entanto, os resultados da siderúrgica vieram dentro do previsto pelo mercado. Segundo Leite, no ano passado, o mercado brasileiro foi impactado por eventos externos e pelo desempenho econômico mais fraco, que levou o consumo aparente de aço cair 3,7%.

“Os nossos resultados estão em linha com o que o mercado esperava. A mineração, por exemplo, teve o melhor Ebitda (lucro antes juros, imposto, depreciação e amortização) desde a sua criação”, afirmou Leite.

O Ebitda da companhia somou R$ 447 milhões no quarto trimestre, aumento de 22% em comparação ao mesmo período de 2018. Em 2019, o indicador chegou a R$ 1,94 bilhão, um recuo de 10% em relação ao ano anterior. Na área de mineração, o Ebitda somou R$ 797,9 milhões em 2019, gerando uma margem de 40,1%. Já a siderurgia, o maior negócio da companhia, teve margem Ebitda de 10,7% com resultado de R$ 1,36 bilhão.

A receita líquida no quarto trimestre subiu 13% para R$ 3,87 bilhões. No ano, siderúrgica faturou R$ 14,94 bilhões, o que representou alta de 9% em relação a 2018.

Para 2020, a expectativa do executivo é de retomada da demanda no mercado doméstico. Segundo Leite, há sinalizações positivas para a economia, como o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), aumento da atividade na construção civil e geração de emprego. “A nossa estimativa é que o consumo aparente de aço cresça cerca de 5%.” Em 2019, a siderúrgica vendeu 4,1 milhões de toneladas de aço, recuo de 2% em relação a 2018. Já as vendas de minério de ferro subiram 33%, atingindo um volume recorde de 8,6 milhões de toneladas.

Outro ponto considerado por Leite para mostrar o bom desempenho – na avaliação dele – em 2019, foi a redução da dívida. Segundo ele, a Usiminas está em uma situação mais confortável, porque no quarto trimestre a companhia conseguiu quitar toda a dívida renegociada em setembro de 2016.

“Fizemos uma ação forte na gestão da dívida e com isso estamos mais confortáveis com menos custos e um prazo maior. Vamos ficar pelo menos quatro anos sem compromisso com amortização”, disse Leite

A Usiminas fechou o ano com dívida bruta de R$ 5,1 bilhões, 12,7% menor que em 2018, quando somava R% 5,8 bilhões. Já a dívida líquida ficou em R$ 3,2 bilhões, redução de 20% no comparativo com 2020. “Abre espaço para um investimento mais forte neste ano. Nos anos mais difíceis para a companhia, 2016 e 2017, investimos R$ 220 milhões. Em 2018, mais que duplicamos esse valor, chegando a R$ 460 milhões e em 2019, crescemos cerca de 50%. Para 2020, o nosso planejamento é um aporte de R$ 1 bilhão”, disse Leite.

Dentre os três projetos elencados como prioritários nesse programa, o executivo ressaltou a reconstrução do novo gasômetro na usina de Ipatinga e a expectativa é que entre em operação no primeiro semestre de 2021. O projeto deverá exigir em torno de R$ 140 milhões e terá capacidade de 150 mil metros cúbicos e armazenará gases de aciaria (LDG) e de alto-forno (BFG). Em meados de 2018, ocorreu uma explosão no equipamento da usina.

Além do gasômetro, a reforma do alto-forno 3 em Ipatinga e o projeto para beneficiamento a seco do minério de ferro serão prioritários neste ano para a Usiminas, segundo o executivo. “Esses três projetos são os principais em 2020, vão receber cerca de R$ 300 milhões do que estimamos para este ano. O restante será usado para aumentar a eficiência da operação”, disse Leite.