Chesf mantém vazão na barragem de Sobradinho

Chesf mantém vazão na barragem de Sobradinho


As últimas chuvas registradas na bacia do Rio São Francisco deverão elevar o volume útil do lago da barragem de Sobradinho de 3,5% para 6% até o final deste mês. Diante da recuperação do reservatório, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) não precisará reduzir a vazão atual de 800 metros cúbicos por segundo. Mesmo com o aumento do volume útil, a companhia não cogita liberar mais água para o uso dos produtores rurais e para abastecimento humano. Atualmente a maior barragem do sistema Chesf gera energia com apenas duas das seis máquinas porque a crise hídrica não permite maior produção da usina. O volume total do reservatório de Sobradinho é de 34 bilhões de metros cúbicos, sendo 28 bilhões metros cúbicos utilizados para a geração de energia, quando a situação hídrica é normal.

O diretor de Operação da Chesf, José Ailton de Lima, explicou que a atual condição do volume útil do reservatório ainda não dá segurança para a companhia aumentar a vazão da barragem. “O volume últil de 3,5% não é suficiente para dizer que superamos o risco. Até termos um volume útil que dê garantia para atravessar o período seco (a partir de abril) a vazão ficará como está, em 800 metros cúbicos”. Segundo ele, a Chesf fará nova avaliação do quadro hídrico no final de fevereiro, para mensurar se o volume de chuvas na calha do Rio São Francisco vai elevar o nível do reservatório de Sobradinho, cuja capacidade de geração é de 1.050 megawatt (MW).

A atual vazão da barragem da hidrelétrica de 800 metros por segundo preocupa o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, porque reduz a liberação de água para o uso dos pequenos agricultores e para a população ribeirinha. Anivaldo Miranda, presidente do Comitê, diz que a atual vazão de Sobradinho é considerada crítica. Ele alerta para o agravamento da situação, se as chuvas não se confirmarem em fevereiro e for necessário diminuir a vazão da barragem. “Se a situação chegar ao extremo, a ANA (Agência Nacional das Águas) vê a possibilidade de diminuir a vazão até 500 metros cúbicos por segundo para evitar o uso do volume morto”, diz.

Miranda diz que o Comitê está preocupado com novas reduções de vazão em Sobradinho. “A atual vazão de 800 metros cúbicos por segundo já atinge fortemente o ecosistema e os outros usos múltiplos das águas no submédio São Francisco. Além de aumentar a cunha salina no rio e reduzir a captação de água para o abastecimento humano”. Ele destaca que o Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco quer outras alternativas à redução de vazão, como a restrição de outorgas que foi adotada no Rio Paraíba do Sul.

Pelos últimos dados liberados pela Chesf, os maiores reservatórios da bacia do São Francisco no Nordeste estão com a seguinte situação: Sobradinho com 3,49% V.U. (volume útil) e Itaparica com 22,69% V.U. Segundo a companhia, estes são valores mínimos verificados para o período no histórico da Chesf. Em relação à capacidade de geração, a empresa informa que o atendimento da Região Nordeste está assegurado com a utilização de recursos energéticos atualmente disponíveis, sendo estes: geração hidráulica, térmica, eólica e intercâmbios de outras regiões. A usina térmica de Camaçari vem operando normalmente.

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