Brasil sofre novo rebaixamento: como isso afeta seu bolso e investimentos?

Brasil sofre novo rebaixamento: como isso afeta seu bolso e investimentos?

Economia.UOL

O Brasil acaba de sofrer mais um rebaixamento e perder o último selo de bom pagador, desta vez pela agência de classificação de risco Moody’s. Como isso afeta a vida das pessoas? O que significa a perda do último grau de investimento que ainda restava ao país?

Se fosse uma pessoa, é como se o Brasil fosse considerado um cliente com um risco maior de dar calote. A consequência: terá que pagar uma taxa de juros mais alta para os credores se quiser continuar pegando dinheiro emprestado.

Como reflexo, as empresas brasileiras também devem sofrer mais para captar dinheiro. Essa conta mais alta das empresas deve ser repassada ao consumidor, que irá pagar mais pelos produtos ou por empréstimos, segundo o economista da NeoValue Investimentos Alexandre Cabral.

Dólar a R$ 4,50, 11% de inflação, 12% de desemprego

Juros e dólar devem continuar subindo após o novo rebaixamento, segundo os especialistas. Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, afirma que a moeda norte-americana pode atingir R$ 4,50 num curto espaço de tempo.

O dólar alto deve puxar para cima a inflação, o que irá diminuir o poder de compra das pessoas.

“Acredito que a inflação irá ultrapassar os 11% já nas três próximas medições, e o desemprego pode bater os 12% até o fim do ano”, diz Calil.

Para quem tem dinheiro para investir, a melhor aplicação serão os investimentos pós-fixados (que acompanham uma determinada taxa, como a Selic ou o CDI).

Todos os demais investimentos merecem cautela, tais como ações, títulos prefixados e dólar.

Tesouro ainda é opção segura, dizem analistas

O rebaixamento da nota do Brasil significa que seus indicadores econômicos estão piorando, o que aumenta o risco para os investidores, mas não indica necessariamente calote imediato aos pequenos aplicadores que têm papéis do governo, como o Tesouro Direto, segundo Mauro Calil.

Na escala das agências de risco, o país está fora do grau de investimento, mas ainda está longe do último degrau da escala, este sim indicador de inadimplência. Para atingir o último nível da escala da Moody’s, por exemplo, o país teria de descer mais nove degraus. Para alcançar o grau de investimento, teríamos de subir dois.

Segundo Calil, o investimento nos títulos do Tesouro Direto tem risco de calote próximo de zero, pois o governo precisa pagar seus investidores para poder se financiar. “Se não paga a dívida, o governo não tem mais crédito e aí acabou. Seria um suicídio financeiro e político, ninguém vê isso como uma possibilidade real nesse momento.”

“A maioria da dívida é em moeda local. Ou seja: em última instância, se não houver dinheiro para pagar, o governo pode simplesmente mandar imprimir moeda”, diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

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