Bancos e Petrobras causam maior queda ao Ibovespa desde escândalo JBS

| Valor Econômico

O movimento bastante negativo da Petrobras e dos bancos levou o tombo do Ibovespa a ser tão forte que o
índice perdeu, em um único pregão, mais de três mil pontos.
O índice fechou hoje em forte baixa de 3,37%, aos 83.622 pontos, depois de ter ido à mínima no dia em 83.377
pontos (-3,65%). Essa foi a maior baixa do Ibovespa em um ano: em 18 de maio de 2017, a delação dos donos da
JBS soterrou no mercado, e a queda foi de 8,80%.
O giro do dia também chama a atenção: R$ 14,7 bilhões, o maior desde 16 de março deste ano, quando o volume
financeiro foi de R$ 15 bilhões. A queda intensa combinada com giro também forte revela que parte do
investidor que entrou em bolsa agora decidiu sair.

A magnitude do recuo impressiona, especialmente depois de ter conseguido ontem recuperar ontem os 86 mil
pontos. Do total de 67 ações que fazem parte do Ibovespa, somente quatro subiram: Cosan (+0,85%), Eletrobras
ON (+1,28%), EDP Energias do Brasil (+0,96%) e Fibria (+0,03%). No caso de Cosan, o giro foi o segundo
maior do dia (1 bilhão), depois da negociação de um bloco de 17 milhões de ONs da empresa.
As demais todas tiveram quedas, entre elas ativos líquidos, como os bancos e a Petrobras. As baixas foram
impulsionadas, no caso da estatal, por operações de “stop loss”, isto é, ordens de vendas acionadas depois que
uma ação atinge uma certa cotação, com o objetivo de proteger o portfólio de investidores que estavam
comprados na ação.
Segundo operadores, há uma semana Petrobras PN (-4,49%) e Petrobras ON (-5,26%) têm enfrentando a forte
demanda dos investidores, em linha com a alta do dólar e do petróleo no exterior. Hoje, porém, o investidor do
“day trade” e o capital especulativo — que visam lucrar no curtíssimo prazo — decidiu puxar uma realização de
lucros, que foi ganhando tração ao longo do dia.
Em dia de exterior menos favorável ao risco, com bolsas americanas em leve baixa e rendimento dos Treasuries
subindo, o movimento se intensificou — mais perto do fim do dia, a PN chegou a cair 7% por causa do “stop
loss”. “A partir de um certo ponto, o investidor não suporta a queda e aciona as vendas em massa”, diz um
operador.
Além disso, para Ari Santos, da mesa de operações da H. Commcor, a baixa também acompanha o
reposicionamento do investidor que aguardava pelo vencimento de opções sobre ações na segunda-feira. Com
as altas recentes, muitos investidores apostavam em opções da Petrobras a R$ 26,00 ou R$ 26,50. “A queda de
hoje coloca em risco essas apostas, então é hora de sair do papel”, afirma

Já no caso dos bancos, a magnitude do ajuste de posição do investidor também fica elevada, porque investidores
escolhem justamente os ativos mais líquidos para fazer essa correção.
Segundo um analista do setor que prefere não ser identificado, a decisão do Comitê de Política Monetária
(Copom) de manter a Selic em 6,5% ao ano não é uma razão para a baixa nas ações dos bancos, que respondem
com mais agressividade à realização de lucros do mercado por terem maior liquidez. Em termos de spread
bancário — diferença entre a taxa de captação e a cobrada nos juros dos financiamentos –, a decisão do Copom
poderia até ser recebida de forma positiva pelo setor.
“O investidor acaba aproveitando a surpresa com o Copom para embolsar os lucros dos últimos dias e até
Petrobras e Vale, que sustentaram o Ibovespa acima dos 85 mil pontos, hoje caem”, diz a fonte. “Quanto maior a
liquidez, maior é o impacto do ajuste de posição.

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