Dólar fecha acima de R$ 3,70, máxima em 26 meses

| Valor Econômico

O Copom surpreendeu ao manter os juros estáveis, evitando novo corte. E o dólar disparou acima de R$ 3,70,
nova máxima em 26 meses. A reação do câmbio desafiou as expectativas de muitos profissionais nas mesas de
operações nesta quinta-feira e levantou mais dúvidas sobre o espaço para um alívio no dólar, a despeito da alta
de 18% da moeda nos últimos 12 meses.
No fechamento, o dólar comercial subiu 0,61%, a R$ 3,7015. É a mais elevada taxa para um encerramento desde
16 de março de 2016 (R$ 3,7386).
Na máxima intradiária, a cotação foi a R$ 3,7131.

Uma medida do grau de incerteza sobre a taxa de câmbio brasileira bateu nesta quinta-feira o maior patamar
em quase um ano. A volatilidade implícita de um mês da taxa dólar/real foi a 14,275% ao ano, máxima desde o
período entre o fim de maio e começo de junho de 2017.
No dia 18 de maio de 2017, a volatilidade disparou de menos de 14% para cerca de 23%, por ocasião das
delações da JBS contra o presidente Temer.
O dólar havia iniciado os negócios hoje em firme queda, atingindo a mínima do dia já na abertura (R$ 3,6490),
em baixa de 0,82%. Mas ao longo da manhã as vendas foram cessando até que a cotação virou para alta,
acelerando os ganhos por volta de 13h.
A percepção é que, a despeito do movimento do BC ontem de não subir os juros, o cenário para a taxa de câmbio
segue mais no sentido de desvalorização do que de um alívio consistente.
Na pesquisa Focus do Banco Central, há apostas de que o dólar chegará a R$ 3,81 no próximo mês de outubro,
quando ocorrerão as eleições presidenciais. E essa estimativa está em alta. No começo de maio, por exemplo, a
cotação máxima esperada para outubro não passava de R$ 3,7. Já hoje o dólar superou R$ 3,71.
É fato que o dólar vem subindo em todo o mundo. Hoje, enquanto o real caiu 0,61%, peso colombiano (-1,45%),
rand sul-africano (-1,28%), lira turca (-0,94%), rublo russo (-0,79%) e peso mexicano (-0,75%) tiveram
desempenhos ainda piores.
Para alguns analistas, contudo, já é hora de o Banco Central reforçar a atuação para defender o real.
Para Roberto Campos, gestor sênior de câmbio da Absolute Investimentos, ficou constatado o “caminho livre”
para os comprados em dólar. Segundo ele, é de chamar atenção que, mesmo não liderando as perdas globais, o real ainda tenha se depreciado 0,61% ante o dólar nesta sessão, mesmo após a decisão do BC de manter a Selic
estável ter surpreendido boa parte do mercado.
Campos entende que uma atuação mais firme se faz necessária agora já que nem o evento da pausa da Selic – ao
qual se atribuía grande peso para a dinâmica do câmbio – não surtiu o efeito esperado.
“O BC precisa suavizar esse movimento de queda do real. A dinâmica negativa não foi quebrada”, afirma.
Por ora, o BC tem ofertado 5 mil contratos “novos” de swap cambial por dia. A expectativa é de uma injeção de
liquidez de US$ 3 bilhões ao fim deste mês.
Em maio do ano passado, última vez que fez venda líquida de swaps, o BC colocou um total de US$ 10 bilhões.
Porém, ao mesmo tempo que o cenário global segue amparando alta do dólar aqui e no exterior, a escalada da
moeda para os patamares atuais e a velocidade do movimento têm sido citadas como argumentos de visões de
que a depreciação do real pode estar exagerada.
Apenas em maio, o real perde 5,37%, terceiro pior desempenho entre as principais moedas. No ano, o dólar
dispara 11,71%.
“O Brasil não tem as vulnerabilidades externas de países como a Argentina, por exemplo. Por isso, mantemos
nossa visão positiva para o câmbio”, diz Alejandro, analista de renda fixa da gestora Julius Baer.
A casa mantém estimativa de que o dólar ficará em R$ 3,60 nos próximos três meses e ceda a R$ 3,50 em 12
meses.

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