Ibovespa fecha alta com impulso após feriado

Valor Econômico

O Ibovespa reduziu a tração no fechamento, mas mesmo assim conseguiu garantir alta hoje. O índice respondeu a um ajuste positivo dos fundos, após o avanço dos ativos internacionais na sexta-feira, quando os mercados locais estavam fechados. As perspectivas positivas para o resultado do segundo turno da eleição também estimularam as compras das ações de estatais federais e estaduais, o que justifica a alta da bolsa no dia.

Ibovespa encerrou com uma alta de 0,53%, aos 83.360 pontos, depois de tocar os 84.278 pontos na máxima do dia, alta de 1,64%. O giro financeiro foi de R$ 11,7 bilhões, em mais um pregão marcado por volume muito forte e bem acima da média do ano, em torno de R$ 9 bilhões.

Segundo analistas e operadores, a primeira explicação para a alta de hoje é a retirada do “atraso” das ações em relação aos recibos de ações (ADRs) negociados em Wall Street na sexta. Hoje, as bolsas americanas fecharam em baixa, mas o movimento positivo consolidado de sexta foi suficiente para manter o bom humor por aqui.

Em segundo lugar, as ações das estatais voltam a ter um desempenho favorável hoje, em especial no caso das empresas mais sensíveis ao cenário eleitoral. É o que se vê em Eletrobras ON (6,24%) e Eletrobras PNB (5,46%), maiores altas do Ibovespa, mesma dinâmica de Cemig PN (1,48%).

“Existe uma enorme expectativa com a eleição no Brasil. A confirmação da vitória de [Jair] Bolsonaro na eleição presidencial deve fazer o mercado destravar novas altas. Até lá, vejo o Ibovespa oscilando entre 82 mil pontos e 87 mil pontos”, afirma Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos. “Se a pressão no exterior voltar a crescer, podemos operar mais ‘descontados’ em relação ao mundo, mas a eleição é o que representa o maior catalisador positivo agora.”

No noticiário corporativo, a Smiles e a Gol se consolidaram como destaque. De um lado, a empresa de fidelidade ficou com a maior queda do Ibovespa e de toda a bolsa, de 38,84%, enquanto a Gol PN avançou 4,06%. O motivo para isso, segundo o estrategista da Guide, é a incerteza, sobretudo dos minoritários, após a decisão da Gol de não renovar o contrato com a sua controlada, cujas operações seriam incorporadas à empresa aérea.

“Para a Gol, é sem dúvida um ganho de sinergia e uma busca por eficiência operacional, mas é uma reorganização menos interessante ao minoritário da Smiles. Pensando em quem comprou ação da Smiles, existe uma exigência de maior prêmio de risco dentro da nova estrutura, ou seja, dentro da Gol, que tem outro custo de capital e outro ‘valuation'”, diz.

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