Com Maduro, maior reserva de petróleo do mundo produzirá menos de 1 milhão de barris por dia

Por Marcelo Loureiro

Não há corte de zeros na moeda que dê jeitoOs venezuelanos que ainda residem no país têm que conviver com uma perspectiva tenebrosa. A produção de petróleo, que era superior a 3 milhões de barris ao dia em 2014, deve cair abaixo de 1 milhão neste novo mandato de Nicolás Maduro. Em novembro a média diária foi de apenas 1,1 milhão de barris. A queda é aguda. De um ano para o outro, a produção cai 35%. Essa tendência significa mais sofrimento para os vizinhos. Este será o quinto ano seguido de recessão por lá, sequência que derrubará o PIB à metade do que era em 2013.

— Elevar a produção para 2,5 milhões de barris é fácil. Poderia ser feito em um ano, mas demanda dinheiro. Em mais cinco anos, seria possível chegar a 5 milhões. A questão é que seria preciso privatizar a indústria. Isso é impossível com Maduro e seu grupo — conta Ángel García Banchs, da consultoria local Econométrica.

Os números atuais são ínfimos para um país membro da Opep, o cartel do petróleo. Até na região o desempenho venezuelano está ficando para trás. O Brasil, por exemplo, produziu 2,6 milhões de barris na média de outubro. Este ano, a Venezuela deve se aproximar dos 875 mil barris extraídos pela Colômbia.

Com a queda na produção, o desabastecimento de alimentos e remédios tende a se agravar. A exportação de petróleo é responsável por mais de 90% do dinheiro que entra na Venezuela. O país tem a maior reserva comprovada do mundo, seguido pela Arábia Saudita. A diferença é que os árabes produzem 11 milhões de barris por dia. Há racionamento de combustíveis em alguns estados venezuelanos. Enquanto isso, a inflação bateu na casa dos 1.000.000%. Não há corte de zeros na moeda que dê jeito.

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