Prévia confirma expectativa de inflação contida

Valor Econômico

A primeira prévia da inflação de 2019 reforçou a conjuntura positiva observada no ano passado, com preços subindo abaixo da meta e perspectivas favoráveis para os próximos meses. De acordo com analistas, a tendência é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano acima dos 3,75% registrados em 2018, mas abaixo dos 4,25% estabelecidos como meta.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem que o IPCA-15, prévia da inflação oficial, teve alta de 0,3% em janeiro. Foi o menor número para o mês desde a implantação do Plano Real, em 1994, ainda que tenha representado uma alta em relação à deflação de 0,16% registrada em dezembro. O resultado também ficou abaixo da estimativa média de 0,34% das 30 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data. No acumulado de 12 meses, o indicador atingiu 3,77%, queda em relação aos 3,86% no fim do ano passado.

“Os dados não sugerem nenhuma pressão inflacionária. São números bastante confortáveis”, diz Breno Martins, economista da Mongeral Aegon Investimentos.

Nos cálculos dele, a média dos núcleos de inflação, que excluem itens com preços mais voláteis, foi de 0,37% no IPCA-15 em janeiro e de 3,52% no acumulado de 12 meses. Já a inflação subjacente dos serviços, mais sensível à atividade e à política monetária, seguiu caminho semelhante, atingindo 0,49% na prévia de janeiro e 3,45% em 12 meses. A expectativa da Mongeral é que o IPCA feche 2019 em 4,05%.

Em relatório, o Goldman Sachs também destaca vários fatores que devem manter os preços em patamares confortáveis, como: a amplitude ociosidade da economia e do mercado de trabalho; as expectativas inflacionárias ancoradas; as perspectivas contidas para o crescimento da atividade no curto prazo; e o câmbio comportado.

Já a Guide Investimentos afirma que a tendência é que a inflação acumulada em 12 meses suba até março, para depois desacelerar ao longo do ano, terminando 2019 em 4%. Preços administrados vêm caindo, enquanto itens que respondem à atividade “estão acelerando lentamente”, segundo a corretora.

Na prévia deste mês, sete dos nove grupos que compõem o indicador tiveram alta maior de preços ou deflação menos intensa do que a registrada em dezembro. O grupo Alimentação e Bebidas sozinho contribuiu com 0,22 ponto percentual (p.p.) dos 0,3% de alta do IPCA-15, em razão do aumento sazonal dos preços de alimentos. Com isso, o chamado Índice de Difusão, que mede a proporção de itens com aumento de preços no período, subiu de 58,9% em dezembro para 62,5%, segundo cálculos do Valor Data – o maior patamar desde junho (66%). Mas, quando são excluídos os alimentos, o indicador recuou, passando de 57,8% para 56,9%.

Já a gasolina e a energia elétrica atuaram no sentido oposto. O preço do combustível recuou 2,73%, no segundo mês consecutivo de baixa, e retirou 0,12 p.p. da prévia da inflação em janeiro. A redução da bandeira tarifária para o patamar verde em dezembro também ajudou a evitar uma inflação maior, já que em janeiro a conta de luz ficou 0,73% mais barata – o quarto mês seguido de queda. Como o IPCA-15 abrange a última quinzena de dezembro e a primeira de janeiro, a redução da bandeira influenciou o resultado deste mês.

Ana Flávia Soares, economista-chefe da Icatu Vanguarda, calcula que o IPCA cheio terminará o ano em 4%, mas destaca dois riscos com potencial para trazer alguma pressão inflacionária: o câmbio, devido às incertezas no cenário externo; e as chuvas abaixo do esperado neste começo de ano, que podem elevar o preço da energia. No entanto, há também a possibilidade de o câmbio ajudar a inflação, caso a reforma da Previdência avance no Congresso.

Na ponta menos otimista, o UBS afirma que o crescimento maior da economia previsto para este ano deve fazer com que a inflação também acelere, terminando 2019 em 4,5% – acima da meta, portanto. O banco também destaca o aumento da inflação de serviços “nos últimos meses, sugerindo uma normalização” dos preços.

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