Consórcio Águas Azuis construirá corvetas para a Marinha

Portos e Navios

A Marinha informou, na tarde desta quinta-feira (28), que o Consórcio ‘Águas Azuis’ venceu a concorrência para construção das quatro corvetas classe Tamandaré. O consórcio é formado pelas empresas Atech Negócios em Tecnologias S.A, Embraer S.A e thyssenkrupp Marine Systems GmbH (TKMS), contando com as seguintes empresas subcontratadas: Estaleiro Aliança S.A (Oceana/Grupo CBO), Atlas Elektronik e L3 MAPPs. A proposta foi enviada pelo consórcio no último dia 8 de março, junto com três outros concorrentes finalistas dashort list. O consórcio escolhido alcançou, na fase de seleção, os índices de conteúdo local de 31,6%, para o primeiro navio, e média de 41% para os demais navios da série. A proposta vencedora apresenta um projeto de um navio de propriedade intelectual da empresa alemã TKMS, baseado nos navios da classe “MEKO A100”.

As futuras corvetas da classe Tamandaré vão navegar na velocidade de 14 nós e estão projetadas ter 107,2 metros de comprimento cada, com 15,95m de boca máxima, 5,2m de calado e 3.455 toneladas de deslocamento. A propulsão contará com quatro motores MAN, e quatro diesel geradores Caterpillar.

A Empresa Gerencial Projetos Navais (Emgepron) iniciará as ações para assinatura dos contratos com a futura SPE “Águas Azuis” e a previsão é que o contrato principal e os demais contratos coligados (transferência de tecnologia, apoio logístico integrado e compensação), para obtenção de até quatro navios, sejam assinados até o final deste ano, em conformidade com as condições previstas na RFP (request for propose). A entrega definitiva dos navios à Marinha está prevista para o período entre 2024 e 2028. Os investimentos são da ordem de US$ 1,6 bilhão, com  a possibilidade da geração de cerca de 2000 empregos diretos e 6000 empregos indiretos.

O processo transcorreu ao longo de 15 meses, a partir da divulgação da RFP, em 19 de dezembro de 2017. Durante esse período foram executadas as fases de questionamentos, análise e refinamento das propostas, seguido por negociação, envolvendo a emissão de 386 circulares entre a gerência do projeto e as proponentes. Na decisão, a Marinha afirma ter se baseado em dois instrumentos principais: análise multicritério à decisão (AMD) e análise de riscos.

A Marinha destacou que a seleção contou com apoio técnico em áreas específicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A análise final foi composta por 215 critérios, com a participação dos especialistas das diretorias técnicas e do setor orçamentário/financeiro da Marinha, englobando as seguintes áreas de análises: plataforma; sistemas de combate; comunicações & TI; aeronaves; proposta comercial e tributos; capacidade técnica dos estaleiros acionais; ciclo de vida; e transferência de tecnologia, compensações e conteúdo local.

Manutenção – A Marinha informou ainda que pela primeira vez negociará, simultaneamente, a estruturação do gerenciamento do ciclo de vida dos navios, incluindo o contrato de apoio ao serviço (manutenção pós-venda). “Tal iniciativa, dependendo do sucesso alcançado, contribuirá para maior disponibilidade operativa dos futuros navios durante todo o ciclo de atividades, além de contribuir para maior perenidade de negócios para a base industrial da defesa (BID)”, diz a força naval em nota.