“Seca verde” no Sertão de PE afeta plantações, mas produz pasto para os animais

G1

Chuvas em excesso, porém irregulares, no Nordeste, causam um fenômeno já bem conhecido, principalmente pelos agricultores da região. A “seca verde” é caracterizada por uma vegetação verde e florida, mas também pela escassez da produção. Na comunidade de Ponta da Serra, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, a lavoura sofre com a estiagem, mas, por outro lado, o mato cresce e oferece o pasto para os animais.

Dados da Defesa Civil de Pernambuco apontam que cerca de 1 milhão e 600 mil pessoas são afetadas pela seca. Dessas, 700 mil estão no Sertão do estado. A agricultora Neuza Maria da Costa perdeu toda a plantação por causa da falta de chuvas. “Plantei milho, plantei feijão… Plantei na chuva, que a chuva boa foi mês de dezembro, só que não vingou, porque não teve mais chuva. Passou janeiro, fevereiro, março sem chover. Só agora que veio os pinguinhos, mas aqui foi muito fraca a chuva”, lamenta.

Agricultora sofre com estiagem no povoado de Ponta da Serra, em Petrolina.  — Foto: Reprodução/TV Grande RioAgricultora sofre com estiagem no povoado de Ponta da Serra, em Petrolina.  — Foto: Reprodução/TV Grande Rio

Agricultora sofre com estiagem no povoado de Ponta da Serra, em Petrolina. — Foto: Reprodução/TV Grande Rio

Enquanto a colheita na lavoura é prejudicada, a agropecuária é beneficiada. As cabras e ovelhas da agricultora Vânia Araújo se alimentam da pastagem em abundância. “Dá um alívio porque a gente não precisa gastar com ração nessa época do ano. Quando agente vê a chuva cair, já se anima, sabe que o mato vai crescer e vai pelo menos aliviar os gastos, porque eles [os animais] vão comer a pastagem que nasce”, afirma.

Apesar da seca, a vegetação está verde.  — Foto: Reprodução/TV Grande RioApesar da seca, a vegetação está verde.  — Foto: Reprodução/TV Grande Rio

Apesar da seca, a vegetação está verde. — Foto: Reprodução/TV Grande Rio

Apesar das chuvas fortes que o Sertão recebeu nos primeiros meses do ano, a água não foi suficiente para o desenvolvimento da agricultura. De acordo com o agrônomo Nélio Gurgel, o fenômeno da “seca verde” surge devido à má distribuição dessas chuvas.

“É seca pelo fato que a gente não está conseguindo produzir o feijão, o milho e a mandioca, que são culturas tradicionais de subsistência dos agricultores. É verde, porque está conseguindo produzir a forragem que é da própria caatinga, e essa forragem serve para a pecuária. A nossa região do sertão tem uma característica, são chuvas fortes num volume muito grande de uma só vez, e isso não facilita o desenvolvimento da cultura. A cultura precisa de água pouca, com uma certa constância”, explica.

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