Lucro do BNDES sobe 436% e atinge R$ 11 bilhões no 1º trimestre

Valor Econômico

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou lucro líquido de R$ 11,1 bilhões no primeiro trimestre, alta de 436,7% frente ao resultado no mesmo período de 2018, informou a instituição nesta terça-feira. O lucro do BNDES foi impulsionado por venda de ações da Petrobras e outras empresas.

O desempenho foi positivamente influenciado pelo resultado de participações societárias – que cresceu 725,5% no mesmo período de comparação, para R$ 12,5 bilhões. Para o presidente do banco, Joaquim Levy, o resultado mostra “que o BNDES continua muito vigoroso”. Em coletiva de imprensa, Levy disse que o lucro na parte de intermediação financeira foi “bastante significativo”.

No primeiro trimestre, a intermediação financeira do banco subiu 44% ante igual período no ano passado, para R$ 3,7 bilhões. O executivo comentou, em sua fala, os recentes negócios de venda de participação acionária feitos pela instituição, por meio da BNDESPar – sociedade de participações acionárias do banco. Ele explicou que o desempenho positivo da instituição no período, em sua maior parte, veio de transações com venda de participação acionária “sobretudo Petrobras e Fibria”.

“A operação da Fibria exemplifica muito bem o trabalho do BNDES, que foi chamado quando a empresa passava por dificuldades em 2008”, afirmou Levy, detalhando um pouco sobre o histórico da empresa. Em 2018, a Votorantim acertou a venda de sua fatia controladora na Fibria para a Suzano. “No ano passado as partes [da transação da Fibria] foram chamadas. A Votorantim queria deixar o negócio. Então julgamos que era interessante. A Suzano manifestou interesse. Recebemos R$ 8 bilhões e também ações da Suzano e isso contribuiu para o lucro.

Boa parte desse primeiro trimestre [de lucro] se deve a isso”, afirmou Levy. Outras empresas também contribuíram para os bons números. “Também tivemos lucro com a venda de [ações de ] Petrobras, Vale e Rede”, completou, acrescentando que a intenção do banco não é permanecer para sempre nos ciclos de negócios das companhias. “Quando o ciclo está completo, o BNDES pode sair [das empresas] e começar a fazer investimentos em inovação, outras áreas”, completou. O banco de fomento estatal informou ainda que o ativo do Sistema BNDES cresceu 4,1% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o observado até dezembro do ano passado, para R$ 835,1 bilhões.

Já o patrimônio líquido foi de R$ 95,1 bilhões no primeiro trimestre, alta de 19,5% ante o registrado em dezembro. Além disso, a dívida do BNDES com o Tesouro Nacional foi reduzida em R$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre deste ano, 0,4% a menos do que um ano antes. Levy também mencionou o montante de R$ 30 bilhões que serão devolvidos até o fim de maio, informação já anunciada pela instituição.

“Mandamos R$ 48 bilhões para Brasília, para ajudar a economia brasileira”, afirmou ele. Para Levy, o BNDES está mudando o cenário de crédito no Brasil. O executivo afirmou que a proporção da instituição no mercado de crédito hoje é igual ao início da crise financeira, correspondente a uma faixa de 6,5% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB). “Esse trabalho de abrir o mercado de crédito está sendo basicamente pela ação do BNDES. Acredito que os outros bancos [públicos] também vão começar a diminuir, mas até agora foi o BNDES. Não é só uma retórica, estamos fazendo. Começou em 2015 e vai continuar.

E é o que permite a gente devolver dinheiro para o Tesouro”, disse. O banco informou que houve uma reversão de R$ 1,1 bilhão de despesa com provisão de risco para crédito no primeiro trimestre de 2019, ante uma reversão de despesa com provisão de R$ 361 milhões um ano antes. A carteira de crédito do banco somou R$ 489,7 bilhões, queda de 1,45% sobre dezembro de 2018, quando foi de R$ 497 bilhões. Já a receita com operações de crédito e repasses foi de R$ 9,6 bilhões nos primeiros três meses do ano, abaixo dos R$ 10,41 bilhões em março de 2018.

BNDESPar volta ao lucro A BNDESPar, sociedade de participações societárias do banco, registrou um lucro líquido de R$ 5,8 bilhões no primeiro trimestre, ante prejuízo de R$ 261 milhões obtido um ano antes. Considerando o resultado ajustado por ganhos com alienações, o lucro líquido foi de R$ 8,6 bilhões, ante R$ 570 milhões um ano antes. O patrimônio líquido da BNDESPar subiu 12% no primeiro trimestre deste ano, para R$ 104,2 bilhões. Já as participações societárias somam R$ 77,4 bilhões, alta de 11,3% no mesmo período de comparação.