Promessa de investimentos destravados

Jornal do Commercio

A reforma da Previdência tem potencial para destravar R$ 1,4 trilhão em investimentos, pelas contas da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Estudo realizado pela entidade concluiu que a perspectiva é que gargalos na oferta de serviços à população sejam solucionados.

“A Firjan considera a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados um grande passo para o equilíbrio das contas públicas e a retomada do desenvolvimento no País, mas ressalta a importância da inclusão de Estados e municípios”, afirma a entidade, em comunicado. A avaliação é que o déficit da Previdência nos Estados chega a R$ 77,8 bilhões, o que tem impacto direto na oferta de serviços à população.

Pelas contas da entidade, de 2014 a 2018, houve uma redução de 49,8% no volume de investimentos dos Estados, o que significou uma retração de R$ 34,7 bilhões e afetou a oferta de produtos, serviços e postos de trabalho. “Além disso, caso Estados e municípios não sejam incluídos na reforma, o caminho para o ajuste das contas será financiado por toda sociedade, por meio de novos aumentos da carga tributária, tornando produtos e serviços mais caros”, argumenta a Firjan, destacando que, no Rio, cada morador contribui com R$ 663,00 ao ano para cobrir o déficit de R$ 10,6 bilhões da Previdência estadual. No Estado, que terá um déficit projetado pelo Secretaria da Fazenda de R$ 3,7 bilhões este ano, significa dizer que cada um dos 9,2 milhões de pernambucanos terá de pagar R$ 402 para cobrir as despesas previdenciárias de seus servidores inativos.

No mercado financeiro, após a aprovação do texto-base da reforma da Previdência no plenário da Câmara por votação expressiva, o Ibovespa trabalhou, ontem, em terreno negativo na maior parte do dia e encerrou o pregão em queda de 0,63%, aos 105.146,44 pontos. Segundo o sócio da gestora de recursos pernambucana Multinvest, Osvaldo Moraes, o movimento de baixa da Bolsa, ontem, era esperado. “O mercado já tinha precificado a reforma. Há uma máxima que diz que o mercado sobe no boato e realiza (cai) no fato, foi o que aconteceu ontem”, disse. Na sua avaliação, a desidratação do texto na votação dos destaques não vai tirar o bom-humor do mercado, que “já vinha trabalhando com estimativa de R$ 500 a R$ 600 bilhões de economia com o texto.” A redação aprovada em primeiro turno trazia uma economia de R$ 985 bilhões em 10 anos. Influenciado positivamente pela reforma, o dólar fechou ontem em baixa de 0,15%, a R$ 3,7510.

BRASIL VOLTOU

A expressiva vitória reformista repercutiu no mercado internacional. Ilustrada pela imagem do Cristo Redentor, uma análise publicada no site da revista Forbes declara que, para Wall Street, o Brasil “está de volta” aos negócios. Na avaliação de Kenneth Rapoza, o rali recente do Ibovespa, “que está batendo todos os mercados emergentes”, é “todo graças a um antes impopular projeto de lei de reforma das aposentadorias, pelo qual dezenas de milhares foram às ruas no fim do mês passado em apoio ao esforço do novo presidente (Jair Bolsonaro) para mudar o claudicante sistema público de pensões do Brasil”. O autor da análise lembra que a gestora BlackRock adotou recomendação “overweight”, ou seja, acima da média de mercado para o Brasil, mas pondera que os dados econômicos contemporâneos “não são inteiramente impressionantes”. “Bancos vêm revisando o crescimento econômico para baixo o ano todo. Investidores estão deixando de olhar para os fundamentos e apostando em um voo de cruzeiro daqui para a frente por causa da reforma previdenciária.”

O varejo brasileiro também se animou. O presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Marcelo Silva, avaliou como positiva a aprovação, pelo placar de 379 a 131, em primeiro turno. Segundo ele, a reforma trará ânimo aos empresários do setor varejista. “Tínhamos previsão de que a reforma passaria, mas esse placar foi muito positivo, um pouco acima do previsto”, disse Silva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para ele, o placar dá indícios de que outras pautas, como a reforma tributária, devem ganhar impulso.