A nova ameaça dos caminhoneiros

Diário de Pernambuco

Circulam em grupos de WhatsApp de caminhoneiros supostos áudios do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, dizendo que vai tentar suspender a tabela do frete divulgada na última quinta-feira pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Desde sexta, inúmeros caminhoneiros se reuniram em grupos diversos de WhatsApp para discutir a possibilidade de uma nova paralisação das estradas hoje. A parada seria uma reação à resolução da ANTT, que estipulou preços mínimos do frete rodoviário com valores abaixo do esperado pela categoria. Um dos áudios atribuídos a Tarcísio de Freitas mostra o ministro dizendo a uma das lideranças que quer “resolver a situação” e admitindo erro.“Oi, Cesar, boa noite, obrigado pelas palavras. A gente está querendo resolver a situação. Saiu a tabela e ela desagradou a categoria. A gente tem o nosso limite. A gente erra também. Nós somos humanos. A gente está admitindo isso com muita humildade e estamos dispostos aí a conversar com a categoria”, diz um trecho. “Então, a gente vai tentar tirar aí, suspender a vigência dessa tabela por enquanto, até que a gente possa construir com a categoria soluções, procurar construir o consenso, o diálogo. Então, nós vamos voltar a dialogar. E eu devo… então, vou tentar tirar essa tabela do ar aí entre segunda e terça-feira para que a gente converse num ambiente de mais tranquilidade”, diz a voz no áudio.Pelo conteúdo, não é possível identificar quem é o interlocutor do ministro. A assessoria de imprensa do Ministério da Infraestrutura não nega que o áudio seja de Tarcísio, mas disse que não pode atestar a veracidade. O ministro não foi localizado, segundo a assessoria.Um dos líderes da categoria, Wanderlei Alvez, o Dedeco, que ganhou notoriedade na paralisação de maio de 2018, disse que falou com o ministro por telefone e que recebeu dele uma confirmação de que a tabela seria suspensa devido à reação dos caminhoneiros. O líder afirma que não faz parte dos grupos de WhatsApp que estão ameaçando o novo protesto. Dedeco disse que ouviu do ministro a promessa de que a resolução será suspensa em Diário Oficial amanhã.