Palavra proibida


Hely Ferreira

Costuma-se dizer que religião, futebol e política não se discutem. Será? Entendia Michel Foucault, que nem sempre é possível falar o que se deseja em qualquer lugar ou momento. Em sua obra A Ordem do Discurso, o filósofo francês escreveu o seguinte: “Sabe-se bem que não se tem o direito de dizer tudo em qualquer circunstância, que qualquer um, enfim, não pode falar qualquer coisa. Tabu do objeto, ritual da circunstância, direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala: temos aí o jogo de três tipos de interdições que se cruzam, se reforçam ou se compensam, formando uma grande complexa que não cessa de se modificar”.

Embora as questões ligadas à sexualidade seja algo inerente ao ser humano, não raras às vezes em que o tema é tratado como se não fizesse parte da vida de todos nós. Ora é falado de maneira banal, ou encarado como algo indecoroso.

No que tange ao campo da religião, é algo muito melindroso, pois a mesma é dogmática, e se não for bem compreendida, pode nos levar ao campo minado. Talvez o problema esteja nas opiniões de quem a rejeita e só consegue enxergá-la como algo alienador para a sociedade. Mas há também quem defende que ela está apta a responder a todos as celeumas da vida. Nos últimos tempos, falar sobre política no Brasil virou sinônimo de querelas.

Parece que agora é proibido pensar diferente. Todos são obrigados ao mesmo pensamento. Ai de quem discordar. A falta de amadurecimento democrático tem promovido rusgas entre amigos, por não saberem conviver com o contraditório. Qualquer comentário que destoa do que se pensa é tido como uma ofensa ou partidarismo.

*Hely Ferreira é cientista político.