Um ano com duas caras distintas na economia

Editorial O Globo

As previsões para o PIB do ano foram ajustadas depois do resultado do terceiro trimestre. Bancos como o Goldman Sachs e o Citi elevaram a previsão para um crescimento pouco superior a 1% este ano. A estimativa é menor que o 1,3% de 2018, mas é melhor que a imagem que se projetava após o fraco desempenho do segundo trimestre. O ano da economia mudou de julho para frente, período que combina com o avanço das reformas.

— O investimento surpreendeu nos últimos meses. A compra de máquinas e equipamentos já vinha crescendo sistematicamente e agora a construção também avança, em especial das moradias. Isso mostra empresários e famílias com mais confiança para investir. Está fazendo a diferença — diz Claudio Considera, economista do Ibre da FGV.

A Fundação estima alta de 1,1% no PIB do ano. É um ritmo lento, menor que o de 2018. Mas até meados de 2019 as previsões estavam mais próximas de 0,8%. A cara da economia mudou. A estimativa que começou o ano próxima a 2,5% despencou com as confusões do governo. Elas custaram caro ao país. A incerteza só diminuiu com a aprovação da reforma da Previdência, liderada pelo Congresso. Foi aí que a atividade recuperou terreno. Esse roteiro de erros tem que servir de lição.

As previsões para o ano que vem subiram para a casa dos 2%. A repetição dos equívocos pelo governo levará a novas frustrações no ano que vem. A equipe econômica tem que calcular bem se vale atrasar as reformas tributária e administrativa. A atividade engrenou quando essas propostas já estavam no horizonte. Travar as pautas pode provocar novas decepções.