Reajustes de preços de aço: Nippon, Usiminas, CSN e Gerdau

Infomet

Margens apertadas levam aos reajustes de preços do aço

São vários os fatores que têm prejudicado não apenas os preços do aço no mercado internacional, mas também a margem das siderúrgicas mundo afora. Não bastasse a briga comercial entre China e Estados Unidos e o excesso de capacidade de produção de aço, as empresas brasileiras – ou com operações no País –, ainda precisam lidar com a valorização do dólar frente ao real e, mais recentemente, com a possibilidade da volta da sobretaxa aos produtos que entram nos Estados Unidos.

Na avaliação do diretor Executivo da Nippon Steel Corporation na América do Sul, Osamu Nakagawa, diante deste cenário, é praticamente impossível que as siderúrgicas não reajustem os preços, já que a diferença dos valores entre o aço produzido no Brasil e o importado atingiu níveis insustentáveis no decorrer deste ano.

Segundo ele, contribuíram para essa situação não apenas a conjuntura internacional, mas também a elevação do insumo siderúrgico no mundo, tanto pela baixa na produção da Vale, em virtude do rompimento da barragem em Brumadinho (RMBH), no início deste ano, quanto pelo elevado volume importado pela China para abastecer as siderúrgicas.

“Os preços já caíram de tal maneira a atingirem um nível crítico. Se caírem mais, as siderúrgicas terão ainda mais problemas. Felizmente, no último mês, começamos a ver a elevação dos preços do aço no mercado mundial e a recuperação do prêmio no mercado interno”, explicou.

Entre as siderúrgicas nacionais, na última semana, Gerdau e Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) anunciaram elevação para o início do ano que vem. A Gerdau anunciou aumentos de preço de 8% a 12% para os produtos de aço longo no Brasil a partir de janeiro. Já a Usiminas informou que o aumento de seus produtos deve ser da ordem de 5% também no início de 2020, após outros 5% a serem praticados no decorrer do ultimo trimestre deste exercício. 

Ainda de acordo com Nakagawa, o cenário tem prejudicado os resultados das companhias em todo o mundo. Ele citou como exemplo a Usiminas, empresa da qual a Nippon é sócia majoritária, que registrou prejuízo de R$ 139 milhões no terceiro trimestre deste exercício, ante lucro de R$ 289 milhões no mesmo período do ano passado, registrando piora acentuada no resultado nanceiro. “A própria Nippon também apresentou resultado negativo nos últimos meses”, citou.

Usiminas tem margem para subir preços do aço em 2020, dizem analistas

Diante do Investor’s Day da Usiminas (USIM5) realizado na última sexta-feira (29), analistas do Credit Suisse e do BTG Pactual listam prognósticos positivos em relação à siderúrgica.

“No geral, a companhia demonstrou otimismo no curto prazo no que diz respeito ao aumento de preços”, afirma o analista Caio Ribeiro do Credit Suisse, mesmo com a expectativa de que as negociações com as montadoras em janeiro de 2020 serão “duras”.

“Deverá existir espaço para uma elevação marginal positiva no preço”, completa.

Três fatores

Para o BTG Pactual, existem três fatores que influenciam as negociações com as montadoras: taxa de câmbio, “que subiu substancialmente nas últimas semanas”; preços globais do aço, “que devem melhorar em 2020 de acordo com a Usiminas” e demanda doméstica, com expectativa de alta pela siderúrgica.

Desta forma, “os três fatores em conjunto estão trabalhando a favor das siderúrgicas dentro da implementação de aumento de preço nas negociações de 12 meses”, avalia o BTG Pactual, embora considere que o aumento não será muito elevado.

Problemas estruturais

O BTG Pactual ressalta que a diretoria prevê melhora em todas variáveis operacionais, como volumes – pela melhora esperada do PIB, precificação – com expectativa de maior demanda – e custos – a serem diluídos em virtude do maior volume esperado.

“Por outro lado, ainda avaliamos que a companhia possui problemas estruturais que precisam ser endereçados antes que possa haver desfruto deste novo ciclo de crescimento”, afirmam os analistas Leonardo Correa e Caio Grener, destacando as pressões de custos e a utilização baixa da capacidade instalada.

Longos melhores que planos

A siderúrgica destacou que o momentum dos aços longos é mais forte que o dos planos. Por outro lado, a diretoria destacou que o mercado como todo deverá se beneficiar da melhora da atividade econômica, que deverá estimular a demanda doméstica por automóveis e o consumo de bens duráveis para as famílias, como geladeiras e fogões.

“Em adição a expectativa de melhora na produção industrial e de automóveis, a Usiminas crê que a melhora operacional da companhia poderá vir também de gastos com infraestrutura e aprimoramento nos investimentos dos setores petrolífero e de gás”, afirma Caio Ribeiro.

O Credit Suisse projeta que o PIB do Brasil deverá ter crescimento de 2,7% durante 2020.

Adicionalmente, o guidance (projeção operacional) para o capex (plano de investimentos) foi mantido tanto para 2020 quanto para 2021, na casa de R$ 1 bilhão, mesmo com a postergação do reinício da operação em Ipatinga.

CSN eleva preço em 10%

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vai reajustar em 10% os preços do aço a partir de 1º de janeiro, informou ao Valor o diretor executivo comercial e de logística, Luiz Fernando Martinez. A decisão se deve ao impacto do câmbio nos custos e ao prêmio negativo, de 4% a 6%, entre material importado e o nacional.

O aumento vai abranger todos os tipos de aço da siderúrgica no país – planos e longo. A nova tabela vai atingir os consumidores da distribuição, construção civil, fabricantes de tubos e indústria em geral.

Montadoras vão ter até 7%
Com as montadoras de automóveis, as negociações estão na fase final, segundo o diretor-executivo da CSN. Martinez informou que o reajuste em discussão é de 5% a 7,5%. Tradicionalmente, com o setor automotivo, os aumentos são anuais, vigorando sempre no início de janeiro. Em 2019, o reajuste aplicado ficou entre 22% e 25%. 

O diretor afirmou que a intenção de Donald Trump, presidente dos EUA, de impor tarifas ao aço brasileiro vai ter impacto irrelevante para a CSN. “Exportamos para lá apenas 4% do total de nossas vendas – cerca de 200 mil toneladas por ano”, afirmou.