Quais são as projeções deste ano para a indústria?

Augusto Pellicer*

Desde 2018 o Brasil sonha com a sua retomada econômica, e não diferente das resoluções de ano novo que fazemos para as nossas vidas, especialistas de diversos segmentos projetam os bons agouros do ano que se inicia. Em sua maioria, o otimismo é exaltado na crença de que os dias que estão por vir serão mais ensolarados.

O setor industrial em geral é utilizado como um dos termômetros da atividade econômica de um país, afinal, esse setor está diretamente relacionado com a cadeia produtiva, e, portanto, impacta diretamente os setores logísticos e de serviços. É de profundo interesse entender e tentar medir o seu desempenho para compreender o potencial do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, por exemplo.

O ano de 2019 se iniciou com uma ousada expectativa de crescimento industrial na ordem de 3% para o ano. Digo ousada, pois desde a greve dos caminhoneiros em meados de 2018, a atividade industrial brasileira desacelerou consideravelmente com um recuo, principalmente, no setor de extração, onde a retração foi de 7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Lembrando que em janeiro de 2019, este mesmo setor sofreu com o rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale em Brumadinho. Apenas em outubro, que o nível de atividade da indústria retomou os padrões de 2018.

Após as instabilidades internacionais, principalmente, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a China e o processo vagaroso na implementação das reformas políticas e econômicas no Brasil, as projeções otimistas para o crescimento econômico no país foram deixadas de lado. Fechamos o ano com uma retração de 1%, e depois dessa projeção, aprendemos a ser mais conservadores em nossas expectativas para 2020.

O novo patamar da taxa de juros está iniciando um processo de reconstrução nos indicadores de confiança do setor. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o índice já apresenta melhora, embora isso não signifique no curto prazo um aumento na produção, sobretudo, devido aos níveis atuais de ociosidade produtiva. No entanto, o empresário está conseguindo conquistar bons incentivos para voltar a investir, o que traz perspectivas mais realistas para o crescimento do setor em 2020.

A maior parte das projeções para o próximo ano, apontam um crescimento conservador na ordem de 2% para o setor industrial. Acredita-se no crescimento, especialmente, do agronegócio e de setores ligados à infraestrutura, onde sem dúvida, os aportes tanto públicos quanto os privados devem agregar para esse avanço. No mercado financeiro, enxergamos oportunidades na emissão de novas ofertas de crédito privado, que por sua vez, serão utilizadas para o financiamento das operações da indústria.

*Augusto Pellicer, economista, sócio da Monteverde Investimentos e head de fundos imobiliários