Siderurgia: Comércio latino-americano avança

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Em um momento de baixo dinamismo da economia mundial (graças à desaceleração nos países desenvolvidos e em desenvolvimento), fatores regionais de longo prazo e transições políticas em vários países contribuíram para um ambiente muito desafiador na América Latina. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), excluindo a Venezuela, o crescimento médio do PIB na América Latina está aumentando, mas apenas 1% ao ano, refletindo a maior recessão desde a Segunda Guerra Mundial vivida pelo Brasil, a maior economia da região. Contamos com a estagnação da economia no México desde o início de 2019 e também com os desequilíbrios macroeconômicos observados na Argentina. Ainda, a crise financeira global e a agitação popular em países como Equador, Bolívia e Chile também prejudicaram o desempenho econômico da América Latina, segundo dados diulgados pela Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), no dia 14 de janeiro(terça-feira0.

Nesse contexto, o consumo de aço laminado em outubro foi 5% inferior ao total registrado no mesmo período de 2018. Apesar do aumento de 4% em relação a setembro de 2019, o acumulado até outubro permaneceu 5% maior que no mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, foi 0,3% superior à média do acumulado. O saldo apresentou uma tendência levemente positiva, totalizando 202 mil toneladas, 4% acima do resultado observado em setembro. O crescimento se deve em grande parte ao consumo da Guatemala (26%), Argentina (24%), Brasil (17%), México (16%) e Equador (14%).

Em novembro de 2019, a produção de aço bruto totalizou 4.828 Mt, 10% a menos que em novembro de 2018. O acumulado até novembro (55.722 Mt) foi 8% inferior ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 5% abaixo da média dos primeiros 10 meses. O México foi responsável pela maior parte da queda (58%) e registrou o pior indicador desde março de 2016.

A produção de aço laminado atingiu 3.971Mt, 10% a menos que em novembro de 2018. O acumulado até novembro também caiu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o nível mais baixo em 35 meses. O total diminuiu 4,3% em relação a outubro, mostrando um resultado 6% menor que a média dos primeiros 10 meses de 2019. Grande parte do saldo regional negativo é devido ao déficit do Brasil (75%) e Argentina (36%), que sofreram reduções em suas produções anuais e mensais.

“Não podemos esperar que os mercados resolvam problemas socioeconômicos sozinhos. Os governos devem revisar suas políticas públicas para estimular o crescimento e priorizar o desenvolvimento sustentável, aproveitando o baixo custo atual dos financiamentos. Precisamos reorientar nossos esforços para as exportações”, diz Francisco Leal, Diretor Geral da Alacero.

Importações desaceleram — Com um total de 1.929 Mt, as importações de outubro foram 6% menores que no mesmo mês de 2018. O acumulado até outubro permaneceu 3% abaixo do período equivalente em 2018. No entanto, houve um aumento de 10% em comparação com setembro, que já havia registrado uma queda pontual devido à volatilidade do mercado mexicano.

O resultado foi 0,4% superior à média dos primeiros 9 meses de 2019. Os maiores aumentos de importações foram observados na Guatemala (54 mil t), Equador (30 mil t), Brasil (23 mil t), Argentina (17 mil) t) e Chile (12 mil t). Nos primeiros 11 meses, as importações de aço laminado da China caíram 27% na América Latina. Em janeiro, o total importado foi de 559 mil toneladas, enquanto em novembro foi de 410 mil toneladas.

Mais exportações — As exportações de outubro atingiram 836 mil toneladas, 9% acima do resultado observado no mesmo mês de 2018. Embora o acumulado (7.655) tenha sido 4% menor que o mesmo período de 2018, o crescimento total registrado foi de 14% em comparação com o mesmo período de 2018, o melhor indicador desde maio de 2019. O resultado das exportações ficou 9% acima da média dos primeiros 9 meses. O Brasil expandiu suas exportações em 12%, seguido pelo México (15%) e Argentina (20%).

Menor déficit comercial — Em outubro, a balança comercial registrou um déficit 15% menor que o mesmo mês do ano anterior, apresentando uma queda de 3% no déficit acumulado até outubro em relação ao mesmo período de 2018. Embora em outubro o déficit fosse 7% superior a setembro, o total foi 6% inferior à média dos primeiros nove meses do ano.