Vale, Usiminas, Gerdau ou CSN: quem se dará melhor no quarto trimestre?

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A divulgação dos números do quarto trimestre, pela Vale (VALE3), Usiminas(USIM5), Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3), mostrará resultados mais favoráveis para a mineradora, do que para as siderúrgicas. A avaliação do Banco Safra, em relatório publicado nesta segunda-feira (10).

Assinado pelos analistas Conrado Vegner e Victor Chen, o texto afirma que as siderúrgicas devem ser prejudicadas pela queda sazonal do volume de vendas, que pressiona também os preços, e pela menor fatia de aços especiais sobre o total comercializado.

Já para as mineradoras em geral, o último trimestre de 2019 apresentou uma redução de 13% do preço médio do minério de ferro. O recuo, contudo, foi parcialmente compensado pelo maior volume vendido.

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A expectativa, agora, é o tamanho do impacto do coronavírus sobre a economia chinesa. Segundo o Safra, se a epidemia for forte o bastante, é possível que a produção de aço seja interrompida temporariamente, gerando ainda mais pressão sobre as empresas que integram sua cadeia produtiva.

Veja, a seguir, o que o Safra projeta para os resultados da Vale, Gerdau, Usiminas e CSN no quarto trimestre.

Vale

A mineradora deve apresentar números operacionais “estáveis”, de acordo com o banco, que estima que a geração de caixa, medida pelo ebitda, crescerá 0,3% sobre o terceiro trimestre de 2019 e 2,8% sobre o quarto trimestre de 2018.

O preço médio do minério de ferro caiu 13% no último quarto do ano. O recuo, contudo, foi parcialmente compensado pelo custo de frete, menor que o do período de julho e a setembro. O lucro líquido ajustado deve ficar em US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões, pela cotação atual).

Usiminas

A siderúrgica mineira será duplamente prejudicada no quarto trimestre, segundo o Safra. Primeiro, por causa da queda sazonal do volume de vendas. Segundo, pela deterioração do mix de vendas, com menor participação de aços especiais. Com isso, as margens serão mais pressionadas.

O Safra calcula que o ebitda da siderúrgica, no quarto trimestre, será 14% menor que o do terceiro, somando R$ 379 milhões. A margem de ebitda deve recuar de 11,5% para 10,1% na mesma comparação.

O banco acrescenta que a Usiminas registrará uma queda de 4% no volume de vendas no Brasil, em relação ao terceiro trimestre.

Gerdau

O Safra espera uma ligeira queda no volume embarcado de aço, em relação ao terceiro trimestre. De qualquer modo, o desempenho na comparação anual ainda será “saudável” – uma alta de 14,5%, segundo o banco.

O problema é que parte desse resultado será corroído pelo aumento dos custos nos Estados Unidos. Assim, o ebitda do quarto trimestre deve ser 10% inferior ao do terceiro trimestre, e quase 5% menor que o do último quarto de 2018. Em números, isso significa R$ 1,3 bilhão.

CSN

O número destacado pelo Safra é o ebitda, estimado em R$ 1,585 bilhão no quarto trimestre. A cifra é 1,3% maior que a do terceiro trimestre, e 1,6% superior ao de um ano antes. O número reflete, ainda, um misto de fatores positivos e negativos.

De um lado, o volume de aço será maior, devido à reativação do alto-forno 3. De outro, a reativação elevará os custos.

A área de mineração da companhia deve contribuir com um maior volume de produção de minério de ferro, bem como com menores custos de frete. Mas essas contribuições serão parcialmente anuladas, segundo o Safra, pela menor cotação do minério e pelo mix de aços menos sofisticado.


Recuperação virá para Vale e siderúrgicas, mas coronavírus seguirá impactando ações no curto prazo
Para analista, primeiro trimestre será de grande volatilidade, mas recuperação deve ocorrer a partir de abril

O temor sobre o coronavírus chinês segue afetando negativamente o mercado, e isso não deve acabar tão cedo. Apesar disso, o analista Thiago Lofiego, do Bradesco BBI, mantém uma visão otimista para o setor de mineração e siderurgia, acreditando que a partir do segundo trimestre o cenário deve voltar a melhorar.

Em relatório publicado no domingo (9), Lofiego diz os investidores devem se preparar para uma maior volatilidade nas próxima semanas, citando que as quedas das ações podem ser boas oportunidades de compra.

“Estamos lentamente aumentando posições a nomes como Vale, Gerdau, Usiminas e GMEX, pois esperamos uma normalização [do mercado] a partir do segundo trimestre”, afirma o analista.

Desde o dia 20 de janeiro, quando teve início a queda dos papéis por conta dos temores com o coronavírus, as ações da Vale já recuaram 11,4%, enquanto a Gerdau teve perdas de 9,2%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 5,4%.

A exceção fica com a Usiminas, que recuou de apenas 2,7%, favorecida por uma disparada de 14% das ações apenas no dia 22 por conta de um relatório também do Bradesco BBI, que na ocasião apontou a empresa como sua favorita e disse que o papel estava bastante descontado.

Visando esta recuperação, o BBI agora mantém suas estimativas de preços de aço, minério de ferro, cobre, zinco e níquel para 2020, ressaltando que o impacto na demanda por conta do coronavírus deve ser “transitório” e provavelmente será compensado nos próximos meses.

Também em relatório, o Credit Suisse destacou que o minério de ferro teve o pior momento com o vírus chinês. “O minério de ferro foi precificado para uma demanda robusta e oferta reduzida no primeiro trimestre, mas o vírus levou ao oposto, com a demanda ausente e os estoques portuários provavelmente aumentando”, dizem os analistas.

O Credit destaca que algumas siderúrgicas recentemente diminuíram a produção em 20% a 25% devido à escassez de matérias-primas causadas por restrições no transporte rodoviário. Por outro lado, o banco aponta que a maioria das usinas deve ter suprimento adequado, a menos que as restrições rodoviárias continuem na segunda metade de fevereiro.

No caso do minério de ferro, o Bradesco BBI vê a commodity negociando entre US$ 75 e US$ 85 no curto prazo.

Do lado negativo, Lofiego aponta para as restrições de transporte, estoques ainda em níveis confortáveis nas siderúrgicas e altos nos portos chineses. Por outro lado, favorece o mercado a oferta sazonalmente ainda baixa do Brasil e possíveis interrupções no fornecimento na Austrália por conta da temporada de ciclones, deixando o cenário mais equilibrado.

“Por enquanto, esperamos que o impacto do coronavírus seja contido durante o primeiro trimestre, com a combinação de demanda reprimida e outros estímulos do governo ajudando a aumentar os preços das commodities nos meses seguintes”, afirma o analista.

Do lado das produtoras de minério, ele avalia que a perda potencial de embarques pode ser compensada nos próximos trimestres, enquanto no caso das siderúrgicas, o analista está otimista com a dinâmica da demanda local, além de esperar que a pressão internacional de preços ameace a alta dos preços domésticos, dado que o real está mais depreciado e ainda existem descontos para o material importado.

Com isso, ele reforça que suas ações favoritas no setor são as brasileiras Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), além da mexicana GMEX.

O Credit Suisse, por sua vez, apontou em relatório na última semana que os potenciais impactos temporários do coronavírus sobre a demanda podem ser compensados pela aceleração das medidas de estímulo na China nos próximos trimestres.

Neste cenário, os analistas do banco suíço mantêm recomendação outperform (desempenho acima da média) para os ativos, destacando que o valuation está descontado em relação aos pares e também tendo em vista a perspectiva de pagamentos de proventos ainda em 2020.