Produção de minério de ferro da BHP fica estável no 2º trimestre

Dow Jones Newwires

A BHP informou nesta quarta-feira (horário local) que sua produção de minério de ferro se manteve inalterada no segundo trimestre deste ano, na comparação anual, em 238 milhões de toneladas. Na comparação trimestral, houve avanço de 12%, a 63 milhões de toneladas.

Além disso, a mineradora reduziu sua projeção de produção de minério de ferro para todo o ano fiscal, de 270 para 265 milhões de toneladas, refletindo impactos do ciclone tropical Veronica. No entanto, foi mantida a perspectiva de produção de petróleo, cobre e carvão metalúrgico.

A maior mineradora do mundo em valor de mercado também espera arcar com US$ 260 milhões de dólares para desativar a barragem da Samarco, que rompeu na cidade brasileira de Brumadinho.

Choques de oferta e demanda robusta sustentando os preços do minério de ferro

O Petroleo

Em meio a crescentes tensões geopolíticas, a renomada iniciação do ciclo de flexibilização continua estimulando as economias por poucas economias avançadas. O preço do minério de ferro tem atingido altas mais altas este ano devido aos choques globais de oferta. Atualmente, o Brasil e a Austrália dominam as exportações de minério de ferro no mundo, enquanto o maior consumidor do material é a China.

Em 15 de julho de 2019, os futuros de minério de ferro na Bolsa Mercantil de Chicago se estabilizaram em 121,18, mais 0,93 pontos em relação ao fechamento anterior. Enquanto isso, os futuros de minério de ferro na Dalian Commodity Exchange se estabeleceram em 884,00.

Brasil

Em janeiro de 2019, a destruição das barragens de rejeitos da Vale no Brasil resultou em mais de 200 mortes. O Departamento de Indústria, Inovação e Ciência reconheceu que o maior impacto sobre a oferta marítima foi causado pelo incidente da Vale em seu relatório. Assim, as condições climáticas adversas no Brasil também reduziram os níveis de produção.

Além disso, a Vale reconheceu uma queda de 90 milhões de toneladas devido ao incidente, e levaria um período de dois a três anos para chegar à meta pré-incidente de 400 milhões de toneladas. Além disso, notou-se um lado positivo depois que uma apelação ao tribunal anulou as decisões anteriores e a produção na mina Brucutu da Vale SA foi iniciada.

Austrália

De acordo com o relatório da Resource & Energy Quarterly de junho de 2019, estima-se que as receitas de exportação de minério de ferro tenham registrado US $ 75 bilhões ou 23% de aumento no período de 2018-19. Além disso, isso foi beneficiado pela escalada de preços, que compensa a menor produção que foi impactada pelas condições climáticas. Além disso, os produtores da Austrália também favoreceram a taxa de câmbio e os preços entre altos e baixos teores de minério de ferro.

Além disso, o ciclone Veronica impactou as produções de minério de ferro na região de Pilbara , e os volumes de exportação caíram 5,2% em relação ao ano anterior, durante o trimestre de março, para 188 milhões de toneladas. Além disso, o gasto com exploração de minério de ferro na Austrália aumentou 18% em relação ao ano anterior, atingindo US $ 59 milhões no trimestre de março de 2019, que representa o maior crescimento desde 2012.

China

De acordo com relatos da mídia, o aumento nos preços do minério de ferro levou ao início de uma investigação sobre o monopólio de preços pela China Iron & Steel Association ( CISA ), e os estoques de minério de ferro caíram nos maiores portos da China. As siderúrgicas chinesas acusam os futuros comerciantes da manipulação dos preços do minério de ferro. Além disso, os gastos do governo com construção doméstica podem empurrar a demanda por aço. Além disso, o governo local vem promovendo investimentos em infraestrutura e construção que exigiriam mais aço.

Durante junho de 2019, a produção de aço inoxidável da China ficou em 2,34 milhões de toneladas métricas, recuando 2,34% em relação ao mês anterior. No entanto, as siderúrgicas chinesas estão buscando aproveitar os preços premium do aço e melhores margens através do aumento da produção.

De acordo com relatos da mídia, as usinas chinesas estão procurando adquirir matéria-prima a um preço razoável, enquanto a escassez de oferta global é proveniente da Austrália e do Brasil, e a crescente demanda por produção de aço está queimando o estoque portuário. Atualmente, os níveis de estoque no porto não se complementam igualmente com o nível de oferta no mercado, que vem disparando os preços do minério de ferro.

De acordo com o Bureau Nacional de Estatísticas da China, a produção de aço bruto para o mês de março, abril e maio de 2019 foi de 80,32, 85,03 e 89,09 milhões de toneladas, respectivamente. Parece que a produção na China não está desacelerando apesar do aumento no preço do minério de ferro.

No início, a demanda da China não está mostrando sinais de desaceleração, e a recuperação do lado da oferta no Brasil, como o pré-incidente, parece improvável no curto prazo. Portanto, qualquer correção nos preços do minério de ferro é improvável no curto prazo. Além disso, a evolução das queixas dos fabricantes de aço poderia pesar se pudesse ser tomada qualquer decisão pela CISA.

Se a demanda pelo minério de ferro nas siderúrgicas chinesas for prolongada, as empresas de mineração de minério de ferro continuarão a ter um desempenho melhor. Além disso, quaisquer desenvolvimentos no lado da oferta podem afetar os sentimentos de investimento.

Rio Tinto Limited (ASX: RIO )

A Rio Tinto Limited ( ASX: RIO ) é pioneira na indústria de mineração e afins. O grupo está no mercado há quase 150 anos, demonstrando expansão, exploração, diversificação e inovação. Atualmente, a Rio Tinto é uma das maiores produtoras de uma série de materiais.

Revisão de Operações do Segundo Trimestre

Em 19 de junho de 2019, a empresa divulgou a atualização sobre a orientação do minério de ferro . Assim, a empresa reconheceu os desafios relacionados às operações na mina, no Greater Brockman, na região de Pilbara . Além disso, o resultado disso foi o aumento da proporção de produtos de baixo grau da empresa para salvaguardar a qualidade da Mistura de Pilbara.

Segundo relatos, a empresa vendeu cerca de 1,5 milhão de toneladas de certos produtos de baixa qualidade no primeiro trimestre, e esperou vendas adicionais desses produtos em 2019. Além disso, uma revisão dos planos de mineração resultou na redução da orientação das remessas de Pilbara para 2019, que havia sido revisado para estar entre 320 milhões de toneladas e 330 milhões de toneladas do anterior, 333 milhões de toneladas e 343 milhões de toneladas.

Projeto Pilbara : Em 16 de julho de 2019, o grupo, em seus resultados de Produção do Segundo Trimestre, informou que a mina de ferro Koodaideri tem progredido com a aquisição, construção e tais atividades. Além disso, espera o primeiro minério da mina no final do período de 2021.

Guidance 2019 : Segundo notícias, a empresa também revisou o guidance de custo unitário para 2019, que agora é de US $ 14-15 por tonelada da faixa anterior de US $ 13-14 por tonelada; isso inclui custos para movimentação adicional de resíduos em minas no segundo semestre e uma redução geral nos embarques.

Em 16 de junho de 2019, as ações da RIO fechando o pregão estavam em R $ 103,25, queda de 0,635% em relação ao fechamento anterior. O retorno acumulado no ano é de + 40% e o retorno nos últimos três meses é de + 3,03%.

Siderúrgica no Rio utiliza coprodutos em obras de infraestrutura

IABr

No complexo industrial da Ternium Brasil, em Santa Cruz (Zona Oeste do Rio), até mesmo as vias que servem à usina são pavimentadas com utilização de material proveniente da produção de aço. A escória de aciaria, gerada pela transformação do ferro gusa líquido em aço, passa por um processo de retirada do conteúdo metálico, peneiramento e armazenamento, além de tratamento para a redução da expansão. O resultado é um agregado siderúrgico que pode ser aplicado substituindo a brita, com excelentes resultados em sub-bases e bases de pavimentos, aterros, artefatos de concreto, lastro ferroviário, entre outros.

Mensalmente, são produzidas 75 mil toneladas dessa escória que é beneficiada e tratada pela Ternium Brasil. Entre 2016 e 2018, a companhia economizou cerca de R$ 16 milhões substituindo a brita por agregado siderúrgico, em projetos internos de melhoria de infraestrutura. Este agregado da Ternium foi utilizado em obras como a adutora, consumindo 233 mil toneladas, o ramal ferroviário 52 mil toneladas, e na pavimentação de vias da usina aplicando-se 92 mil toneladas. A usina de Santa Cruz tem ainda uma área de 78 mil metros quadrados a serem pavimentados nos próximos anos, e a economia gerada com o uso do material deverá atingir R$ 2,7 milhões no período.

A iniciativa integra a estratégia da Ternium Brasil, que investe no desenvolvimento contínuo de tecnologias para aplicação dos coprodutos. O objetivo é minimizar impactos, gerar valor e contribuir para a redução do consumo de recursos naturais. Gerente de Coprodutos, Leila Kauffmann, destaca os ganhos ambientais com uso do material:

-O coproduto gerado é uma ótima alternativa ao uso da brita, tanto economicamente como para o meio ambiente. Trata-se de um material de alta qualidade técnica e que substitui um recurso cuja extração gera diversos impactos prejudiciais às reservas naturais – explica Leila.
Os benefícios são ambientais e econômicos, principalmente se comparado com a utilização da brita, um dos principais materiais consumidos em obras de pavimentação e construção civil. Entre as vantagens estão a maior durabilidade e resistência do agregado siderúrgico. Além da redução do consumo de energia e do custo na obtenção da brita, um ganho ambiental é a preservação de recursos naturais, reduzindo os impactos causados pela extração do agregado natural. A eliminação do desperdício e dos impactos ambientais causados pela disposição de materiais em aterros completa a lista de benefícios do uso do agregado siderúrgico proveniente da escória da aciaria.

Cúpula do Mercosul discute revisão integral de tarifas de importação

ESTADÃO

Na abertura da 54ª Cúpula do Mercosul, a primeira depois de ter sido fechado o acordo entre o bloco e a União Europeia, o chanceler argentino, Jorge Faurie, disse que um dos temas a serem abordados será a revisão das tarifas de importação “para que nossas economias ganhem produtividade e competitividade no cenário internacional”.

“Será a primeira vez, em 25 anos, que faremos uma revisão integral das alíquotas”, afirmou.

Com relação ao acordo com a União Europeia, os países do bloco discutem um esquema comum para acelerar o processo de implementação do tratado, por meio do mecanismo de cláusula de vigência bilateral.

O que significa que, uma vez ratificado pelo Parlamento Europeu, se um dos países sul-americanos aprovar em seu Congresso antes de seus vizinhos, esse país já pode começar a implementar o pacto. Essa medida, porém, vale só para questões comerciais. 

O chanceler argentino também anunciou oficialmente o acordo para a eliminação da cobrança de “roaming” internacional entre os países integrantes do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

“Será um elemento para facilitar a vida dos cidadãos que, com cada vez maior frequência, se movem entre nossos países e pedem para estar mais conectados”.

Nesta terça-feira (16), participam da reunião os chanceleres. Além do anfitrião, Faurie, estão presentes o brasileiro, Ernesto Araújo, o uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, e o paraguaio Luis Alberto Castiglioni. Na quarta, ocorre a cúpula dos quatro países. A Argentina, atual presidente pro-tempore do bloco, passará o bastão para o Brasil.

Faurie disse ainda que os países também pretendem avançar nos acordos já em negociação com Canadá, Coreia, Singapura e Vietnã.

O governo argentino vê na reunião também uma oportunidade de fazer propaganda da ligeira melhora dos números da macroeconomia nos últimos dois meses. A inflação baixou de 4,7% ao mês para 2,6%, e o dólar está estável em 43,60.

Também nas últimas semanas, a distância entre a chapa que lidera as pesquisas, a dos kirchneristas Alberto Fernández e Cristina Kirchner, e a do atual presidente, Mauricio Macri, com o peronista Miguel Ángel Pichetto de vice, diminuiu.

A cidade de Santa Fe, capital da Província, está voltada à propaganda da chapa governista.

IBC-Br reage, mas mantém padrão de atividade lenta

IABr

A alta de 0,54% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em maio em relação a abril, feito o ajuste sazonal, interrompeu sequência de quatro meses de retração no indicador, mas segue refletindo avanço lento da atividade, avaliam analistas.

Para junho, os indicadores coincidentes já disponíveis sugerem mais um mês de economia fraca, com nova queda da produção industrial. Com isso, há economistas que avaliam que uma recessão técnica – quando o país tem dois trimestres seguidos de retração do PIB – é o cenário mais provável.

A maioria, porém, aposta em ligeiro crescimento do produto em relação ao primeiro trimestre. Mas um junho fraco puxa para baixo a estimativa para o PIB do terceiro trimestre, devido ao menor carregamento estatístico.

A alta do IBC-Br em maio veio em linha com a estimativa do mercado (0,5% na mediana Valor Data). Na comparação anual, o índice tem alta de 4,4% na série sem ajuste. No ano, a variação é positiva em 0,94% e, em 12 meses até maio, o avanço é de 1,31%. O comportamento do indicador no mês foi influenciado por queda de 0,2% da produção industrial, alta de 0,2% do varejo ampliado e estabilidade dos serviços.

“Em linhas gerais, o indicador segue refletindo o avanço lento da atividade econômica no país e a falta de confiança dos agentes na economia”, avalia a equipe da 4E Consultoria, em relatório.

Alberto Ramos, do Goldman Sachs, destaca que, com o resultado de maio, o IBC-Br segue 7,9% abaixo do pico registrado em dezembro de 2013 e apenas 3,6% acima do vale de dezembro de 2016, sintomático da mais lenta recuperação cíclica já registrada.

Segundo os analistas ouvidos pelo Valor, a alta marginal do IBC-Br em maio, maior do que o desempenho dos indicadores de atividade do mês, é resultado da fraca base de abril – quando o indicador caiu 0,32% – e também do forte crescimento interanual, devido à greve dos caminhoneiros em maio de 2018. “O ajuste sazonal não consegue corrigir perfeitamente oscilações tão grandes na série histórica”, diz Rodrigo Nishida, da LCA Consultores.

Para junho, a perspectiva é de atividade fraca devido a dois fatores principais, afirma o economista. O primeiro deles é o número de dias úteis: junho teve 19 dias úteis neste ano, contra 21 no ano passado. Outro aspecto é a saída da greve no ano passado, que provocou um pico de atividade em diversos setores em junho, prejudicando a base de comparação para este ano. Assim, a maioria dos indicadores coincidentes para o mês apresenta quedas relevantes na base interanual e contração também na margem.

Pelo ajuste das entidades ou da LCA, entre os indicadores usados para prever a atividade da indústria, o fluxo de veículos pesados nas estradas recuou 0,58%, a vendas de papelão ondulado caiu 3,32%, a produção de veículos diminuiu 2,93%, a confiança da indústria encolheu 1,54% e a utilização da capacidade industrial teve baixa de 0,40%, sempre em relação a maio, com ajuste.

Dos indicadores coincidentes do varejo, o fluxo de veículos leves avançou 0,91%, a venda de veículos cresceu 2,26%, a confiança do consumidor subiu 2,19% e as consultas ao SPC aumentaram 1,61%.

Para Alexandre Lohmann, economista da GO Associados, o dado positivo do IBC-Br em maio não esconde uma tendência geral de atividade econômica muito fraca no segundo trimestre. Ele destaca que nos três meses até maio o indicador tem queda de 0,99% em relação ao trimestre até fevereiro. “Se houver uma retração no IBC-Br em junho, a recessão técnica não pode ser descartada”, afirma Lohmann.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, também destacou em relatório publicado ontem que “os indicadores de alta frequência já divulgados no segundo trimestre do ano indicam a possibilidade de nova contração do PIB no período”.

Bradesco, UBS, LCA e Itaú, por outro lado, esperam variação ligeiramente positiva para o PIB no segundo trimestre, o que afastaria por enquanto a possibilidade de uma volta do país à recessão. Os dois primeiros bancos projetam avanço de 0,2%, e a consultoria e o Itaú, crescimento de 0,4%.

Para junho, com base nos indicadores coincidentes já disponíveis, o Itaú projeta uma queda de 1% da produção industrial, na margem. “Junho está com uma cara mais fraca do que abril e maio”, diz Luka Barbosa, do Itaú.

“Se a atividade de fato recuar em junho, deixa um carrego pior para o terceiro trimestre, então nossa estimativa para o período, muito preliminar ainda, é de um crescimento de 0,1%, o que seria uma desaceleração em relação ao segundo trimestre”, afirma.

Já a LCA espera aceleração da atividade na segunda metade do ano. Segundo Nishida, a flexibilização esperada da política monetária tem efeito defasado e deve impactar a economia mais no fim do ano e em 2020. Mas a melhora recente das condições financeiras deve se refletir na confiança, e a aprovação da reforma da Previdência pode liberar alguns investimentos que se encontravam represados. 

Vamos desestatizar mercado de crédito no Brasil, diz Guedes

REUTERS

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterou nesta terça-feira a meta do governo de acelerar privatizações e de “despedalar” bancos públicos, com desestatização do mercado de crédito no Brasil.

Segundo Guedes, os juros no crédito livre são “altíssimos”, com o crédito concentrado em “quatro, cinco” bancos e recolhimento dos depósitos compulsórios “muito alto”. De acordo com o ministro, essa série de “imperfeições” joga os juros “na Lua”.

Guedes disse ainda que, por determinação do presidente Jair Bolsonaro, o governo anunciará dentro de duas semanas medidas para baratear o custo da energia, tratado pela equipe econômica como um “choque de energia barata”.

Novo BNDES deve reduzir investimentos e ampliar serviços

ESTADÃO

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai passar por uma reestruturação de seu papel, com atuação mais voltada à assessoria financeira do setor público e menos a investimentos, afirmou nesta terça-feira (16) o novo presidente do banco, Gustavo Montezano.  

A intenção é que o banco atue como um consultor financeiro na estruturação e modelagem de projetos de saneamento, concessões de infraestrutura, privatizações e na assessoria para o poder público. “O banco quer se posicionar menos como um banco de empréstimos e investimentos e mais como um banco de serviços, como um assessor financeiro”, disse.

A intenção é que os serviços do banco sejam ofertados ao governo federal e também a estados e municípios, em troca de remuneração. “Vamos usar o conhecimento do BNDES, o corpo técnico qualificado que tem lá para auxiliar os clientes na modelagem financeira. É o famoso assessor financeiro”, disse. 

Montezano afirmou que o nível de empréstimos a serem concedidos deve diminuir em relação a gestões anteriores e ficar em um patamar de R$ 70 bilhões. Apesar disso, o montante ainda final ainda será discutido.

Em 2017 e 2018, os desembolsos do banco ficaram em torno de R$ 70 bilhões. Mas até 2015 o montante ficava acima de R$ 135 bilhões. 

O executivo disse esperar que, no futuro, o lucro do BNDES deve menor do que o registrado no passado, mas com um retorno maior à sociedade.

“Se for por nível de desembolsos, vai ser [um banco] menor. Se for medir o quanto está impactando o Brasil, não. Acredito que o BNDES terá capacidade de impactar muito mais o Brasil do que fez nos últimos anos”, afirmou.

Presidente do BNDES quer vender R$ 100 bi em participações

O Globo

Ao tomar posse como novo presidente do BNDES,Gustavo Montezano disse nesta terça-feira que a instituição será “menos banco e mais desenvolvimento”. O economista afirmou que o alinhamento com o governo será “total” e estabeleceu cinco metas para o banco de fomento. A primeira dessas metas, disse ele, será explicar a “caixa-preta” da instituição , reivindicação do presidente Jair Bolsonaro. Montezano disse que irá ainda acelerar a venda de “participações especulativas” na Bolsa de Valores que banco ainda detém e que somam R$ 100 bilhões.

Troca de comando: Saiba quem é Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES

— O BNDES do futuro, o novo BNDES, será um banco de serviço, ajudando em privatizações, concessões e desinvestimentos, ajudando o setor público nas finanças — disse Montezano, durante discurso no Palácio do Planalto. — O BNDES será menos banco e mais desenvolvimento — completou.

Engenheiro e economista, Montezano foi escolhido no mês passado para presidir o banco no lugar de Joaquim Levy, que pediu demissão após Bolsonaro falar que ele estava com a “cabeça a prêmio”. Escolhido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e amigo dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, Montezano afirmou que fará uma gestão alinhada a Brasília:

— O alinhamento com o governo é total. Nós seremos o braço operacional da execução da política pública.

O novo presidente do BNDES listou cinco metas para a instituição neste ano. A primeira delas é “explicar a caixa-preta para a população brasileira”. Esse termo é usado pelo governo em suas críticas à suposta falta de transparência do banco.

 Como informou O GLOBO na semana passada, o novo presidente do BNDES trabalha na elaboração de um programa de desinvestimento a ser anunciado a partir de setembro.

A ideia é montar um cronograma para a venda das participações do banco em outras empresas.A carteira inclui ações em empresas de setores como elétrico, siderúrgico, de saneamento, de petróleo e imobiliário. Há gigantes como Vale e Petrobras.

— O país quebrou. O Estado entrou em atividades que não são suas funções. Deixou de cuidar de saúde, educação e segurança. Temos que mudar isso — afirmou.

Montezano afirmou que o BNDES irá devolver, neste ano, de forma antecipada, R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional.

— Vamos apresentar um plano trianual com orçamento e metas. E vamos melhorar a prestação de serviços desse banco ao estado brasileiro, permitindo que o Estado foque em segurança, saúde e educação — completou.

Bolsonaro afirmou que conhece Montezano “desde piá” e pediu transparência no BNDES.

— O BNDES transparente, o BNDES servindo ao povo, esse povo a que nós devemos ter uma terrível lealdade, nos orgulha. Não precisa falar em responsabilidade, porque você, para chegar onde chegou, tem muita responsabilidade — disse o presidente.

Guedes, reiterou, durante a posse, a meta do governo de acelerar privatizações e de “despedalar” bancos públicos, com desestatização do mercado de crédito no Brasil.

Segundo Guedes, os juros no crédito livre são “altíssimos”, com o crédito concentrado em “quatro, cinco” bancos e recolhimento dos depósitos compulsórios “muito alto”. De acordo com o ministro, essa série de “imperfeições” joga os juros “na Lua”.

BNDES, ‘caixa-preta’ e outras lendas

Antonio Corrêa de Lacerda*

Um dos mitos que seguem sendo disseminados é sobre a existência de uma suposta “caixa-preta”, que esconderia os dados sobre os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Embora reiteradas vezes desmentida por vários ex-presidentes que passaram pelo banco e de manter em seu site expressiva transparência, essa “lenda urbana” continua sendo repetida. Na verdade, o episódio revela grande preconceito e total desconhecimento da forma de operação desse importante órgão de Estado para o Brasil.

É preciso ficar claro que todas as operações do banco precedem de avaliação criteriosa do seu corpo técnico, formado por profissionais concursados e altamente qualificados. Supor que um determinado presidente ou diretor teria autonomia para conceder empréstimos de risco é desconhecer por completo o trâmite dos projetos na instituição. Uma simples visita ao site do banco evitaria a disseminação de verdadeiras fake news a respeito da sua atuação.

Outro assunto correlato igualmente relevante é quanto ao funding do banco, que conta com repasses do PIS/Pasep ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), dos quais parte é destinada aos seus financiamentos. Especialmente em um momento de crise e atrofia de investimentos como o atual, a preservação de fontes de financiamento para projetos torna-se ainda mais relevante.

Restringir os repasses do FAT ao BNDES, além de limitar a sua própria atuação, representaria mais uma daquelas pseudossoluções simples para problemas complexos, mas longe de serem adequadas. O banco historicamente tem exercido um importante papel. Ao longo dos 67 anos de existência, sempre exerceu função relevante no financiamento do desenvolvimento brasileiro, embora em diferentes períodos suas funções tenham sido mais específicas, a depender das prioridades das políticas econômicas em vigor.

A Constituição de 1988 determina que 40% do PIS-Pasep, principal fonte do FAT, seja destinado ao BNDES. Com o efeito da Desvinculação de Receitas da União (DRU), criada em 1994, os repasses foram reduzidos a 28% do total. O banco repassa via empréstimos esses recursos ao setor produtivo, no financiamento de investimentos para infraestrutura, novos empreendimentos e compras de máquinas e equipamentos. Esses recursos representam cerca de 35% das fontes de financiamento do banco. O saldo atual em carteira monta R$ 268,7 bilhões, 83,7% superior ao de 2011, de acordo com o boletim do FAT. Para o ano em curso está previsto o repasse de R$ 18,8 bilhões.

Com as alterações promovidas pelos governos Temer e agora Bolsonaro, está em andamento um processo de devolução de recursos ao Tesouro por parte do BNDES, um montante de R$ 416 bilhões tomados entre 2008 e 2014 que foram utilizados para fazer um contraponto à crise. Desde 2015, já houve a devolução de R$ 330 bilhões, restando um saldo equivalente a R$ 250 bilhões considerando correção e juros. O plano anterior à mudança de governo previa que o BNDES restituísse cerca de R$ 25 bilhões anualmente. No entanto, o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, pressiona para que R$ 126 bilhões sejam devolvidos ainda este ano.

A sustentabilidade das operações do banco depende das suas fontes de financiamento. Destaque-se que não há substituto para a atuação do BNDES. No mercado privado inexistem fontes de financiamento de longo prazo e a custos (juros) compatíveis com a rentabilidade esperada das atividades e projetos. Assim, a atuação do banco se revela imprescindível, especialmente em face da longa crise enfrentada pela economia brasileira. Dificultar ou buscar inviabilizar a sua atuação representaria, na prática, adiar a saída da crise e postergar as condições para a retomada do desenvolvimento nacional.

*PROFESSOR-DOUTOR E DIRETOR DA FEA-PUCSP, CONSELHEIRO E ATUAL VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA (COFECON), É AUTOR, ENTRE OUTROS LIVROS, DE ‘ECONOMIA BRASILEIRA’ (SARAIVA, 2018 – 6ª EDIÇÃO)