Porto do Recife supera em novembro o total movimentado em 2018

Portos e Navios

Nos primeiros dias de novembro o Porto do Recife movimentou 107.097 toneladas, No ano, foram movimentadas até o período 1.230.728 toneladas. Em 2018, o porto movimentou 1.228.167 toneladas e a expectativa é que esse valor seja 14% maior em 2019.

“Temos que comemorar e ter a convicção que esse número pode crescer muito quando conseguirmos realizar a dragagem do porto. É preciso considerar que estamos trabalhando com a capacidade mínima em função da profundidade de nossos berços de atracação”, ressalta Carlos Vilar, presidente do Porto do Recife.

“O governo de Pernambuco já conseguiu inúmeros avanços junto ao Ministério de Infraestrutura para viabilizar a dragagem, um serviço extremamente importante, que manterá o porto competitivo. No último encontro com o ministro Tarcísio Freitas, nos foi garantido o direcionamento de R$ 23 milhões para a obra. O Termo de Compromisso já está em fase de minuta”, enfatizou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach.

O mês de outubro foi o terceiro maior mês em movimentação. Exatas 135.306 toneladas de produtos passaram pelo ancoradouro recifense, número 53,5% maior do que no mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, até outubro, o porto movimentou 1.123.631 toneladas, um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“A nossa preocupação maior foi manter a atração das cargas tradicionais e já consolidadas no Porto do Recife, como açúcar, malte, barrilha, fertilizante e trigo e concomitante buscar outras cargas, como o coque de petróleo. A estratégia deu certo e já podemos celebrar. Agora já estamos trabalhando a atração de novas cargas para 2020, como a Ilmenita, minério de ferro extraído de um jazida em Floresta, sertão pernambucano”, enfatiza Vilar.

O açúcar foi o produto mais movimentado no mês de outubro, seguido do coque de petróleo, fertilizante e do malte de cevada. Saíram do porto recifense 42.335 toneladas de açúcar com destino a América do Norte e a África. O produto ajudou a alavancar a exportação que registrou um crescimento de 145%, no ancoradouro. No acumulado do ano já foram movimentadas 64.665 toneladas de açúcar a granel, o que representa um aumento de 17%, e 53.170 toneladas de açúcar ensacado, um crescimento de 130% na movimentação do produto.

O coque de petróleo foi o segundo produto mais movimentado em outubro. 30.875 (aumento de 6,6%) toneladas do produto saíram em navegação de cabotagem para o Sudeste. De janeiro a outubro já foram embarcadas 193.837 toneladas de coque, o que representa um crescimento de 43% no acumulado do ano. O total de coque do ano passado foi de 135.725 toneladas.

A importação do malte de cevada, matéria-prima do pólo cervejeiro de Pernambuco, concentrado em Igarassu e Itapissuma, também continua em franca expansão. Em 2018 não foi registrada movimentação do produto no mês de outubro. Já no mesmo mês de 2019, 18.113 toneladas foram desembarcadas. No acumulado, 182.198 toneladas de malte já seguiram do ancoradouro recifense para a indústria cervejeira esse ano, um crescimento de 52% em relação ao ano passado e que já ultrapassa o total (148.543) de toda a cevada movimentada em 2018.

Mm novembro mais 20 mil toneladas foram desembarcadas e a expectativa é que outras 19 mil toneladas cheguem em dezembro.

“Até o final de novembro devemos receber mais 80 mil toneladas de produtos e em dezembro outras 145 mil. Se tudo acontecer como esperado, fecharemos o ano com a movimentação de 1,4 milhão de toneladas, 14% a mais do que no ano passado” ressalta Vilar.

Essa movimentação garante a manutenção de 1,3 mil empregos diretos ligados à carga e descarga de produtos no ancoradouro recifense, de acordo como Sindicato dos Trabalhadores de Serviços Portuários.

Santos Brasil apresenta lucro líquido de R$ 7,7 milhões no terceiro trimestre

Portos e Navios

A Santos Brasil apresentou lucro líquido de R$ 7,7 milhões no terceiro trimestre. No período, a receita líquida consolidada totalizou R$ 250,1 milhões e o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 59,4 milhões, com margem de 23,7%. O EBITDA pró-forma recorrente foi de R$ 42 milhões, com margem de 16,8%.

O saldo de caixa da companhia em 30 de setembro era de R$ 464,2 milhões e o caixa líquido de R$ 3,3 milhões. Os investimentos da companhia no trimestre somaram R$ 24,9 milhões, sendo R$ 19,5 milhões no Tecon Santos relativos à obra de expansão do cais.

De acordo com o diretor Econômico-Financeiro e de Relações com Investidores da Santos Brasil, Daniel Pedreira Dorea, o resultado mostra que a companhia está no caminho certo. “Se, por um lado, o desempenho da economia foi menor do que o esperado, com o Porto de Santos praticamente estável ano-contra-ano, de outro, a Santos Brasil tem consistentemente crescido num ritmo superior, com ganho de market-share e recuperação de margens. As nossas expectativas são positivas no médio e longo prazos, inclusive a partir dos investimentos na nossa principal unidade, o Tecon Santos.”Publicidade

Resultado Operacional
A movimentação de cais nos três terminais da Santos Brasil – Santos (SP), Imbituba (SC) e Vila do Conde (PA) – apresentou crescimento de 5,3% no terceiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018, totalizando 304.143 contêineres. Nas operações de longo curso, que representaram 72,5% do total movimentado no terceiro trimestre, o volume de contêineres de importação cresceu 31,9% e o de exportação apresentou queda de 7,6% em relação ao 3T18. As operações de cabotagem cresceram 5,5% e representaram 27,5% do volume total movimentado.

O Tecon Santos movimentou 262.993 contêineres no terceiro trimestre, aumento de 8,7% em relação ao 3T18. A utilização anualizada da capacidade instalada do Tecon Santos nos nove meses do ano foi de 83%. A companhia manteve a liderança no Porto de Santos, com uma participação de mercado de 40,3% no acumulado do ano (vs. 35,4% no mesmo período em 2018). O crescimento apresentado pelo Tecon Santos no terceiro trimestre superou em mais de sete vezes o crescimento do Porto.

O Tecon Imbituba movimentou 11.740 contêineres no terceiro trimestre. A movimentação de contêineres de longo curso, correspondeu a 3,2% do volume do terminal e as operações de cabotagem, a 96,8%.

No Tecon Vila do Conde, o volume de contêineres movimentados cresceu 9,3% no terceiro trimestre, atingindo 29.410 unidades. As operações de longo curso representaram 71,3% do volume total e tiveram crescimento de 19,6% ano contra ano. As exportações cresceram 17,2% e as importações, 22%.

O TEV movimentou 39.660 veículos no terceiro trimestre, volume 29,3% menor que o do 3T18, reflexo da retração das importações nacionais e do arrefecimento das exportações para a Argentina.

O volume de contêineres armazenados na Santos Brasil Logística caiu 4,8% no terceiro trimestre.

China anunciará investimento bilionário em Porto de São Luís através da CCCC, dizem fontes

Reuters

Maior parceira comercial do Brasil, a China anunciará um investimento bilionário no Porto de São Luís através da China Communications Construction Company (CCCC), afirmaram duas fontes com conhecimento direto do assunto, em condição de anonimato.

O anúncio será feito no âmbito da cúpula do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Uma das fontes pontuou que os recursos anunciados farão parte do maior projeto de investimento estrangeiro direto anunciado para o país neste ano.Publicidade

A pedra fundamental do porto de São Luís foi lançada em março do ano passado. À época, a agência estatal chinesa Xinhua informou que a CCCC liderava o projeto com participação acionária de 51% no empreendimento, ao lado das brasileiras WPR, do grupo de construção WTorre, e da gestora Lyon Capital.

Em seu site, a WTorre informa que o porto de São Luís é um terminal de uso misto privado. Com retroárea de 1.500.000 m² o projeto atende as áreas central, norte e nordeste do Brasil, interligado pela Ferrovia Norte–Sul/Carajás.

A segunda fonte afirmou que os investimentos não pararão por aí, com recursos também sendo divulgados para o modal ferroviário.

Mais cedo nesta quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo Jair Bolsonaro está procurando níveis de integração maior com a China, envolvendo não apenas negociações comerciais, mas também investimentos.

Em discurso num seminário sobre o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, Guedes chegou a dizer que o Brasil estava conversando com a China sobre a possibilidade de uma área de livre comércio. Mas, questionado por mais detalhes sobre o tema, ele apenas indicou a jornalistas que a intenção era aprofundar as relações com o gigante asiático.

Segundo a Reuters apurou, o Brasil quer, de um lado, expandir o número de produtos que compõem a pauta de exportação para a China, hoje muito concentrada em soja, petróleo e minério de ferro. O governo mira a ampliação de mercado para todo o complexo de alimentos brasileiros, com destaque para as proteínas animais.

De outro lado, o país busca também que as conversas com a China contemplem cada vez mais a frente de investimentos em meio à necessidade de financiamento para projetos de infraestrutura.

“Você tinha um gigantismo na pauta comercial, mas menos fluxo de investimentos, (agora) fluxo de investimentos também está aumentando”, disse a primeira fonte.

Seis operadoras disputam utilização de áreas do Saboó, em Santos

A Tribuna

Seis operadoras portuárias disputam a exploração temporária das três áreas do Cais do Saboó, na Margem Direita do Porto de Santos, disponibilizadas pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a autoridade portuária, em setembro passado.

A identidade dessas empresas foi revelada pela Docas na segunda-feira (11). São elas: Termares, Brasil Terminal Portuário (BTP, que conta com um terminal arrendado ao lado do Cais do Saboó), Santos Brasil (arrendatária do Terminal de Contêineres, o Tecon, e do Terminal de Exportação de Veículos, o TEV, ambos em Guarujá), Portonave, SE7Port e Reliance.

Essas operadoras apresentaram ofertas para explorar as áreas – consideradas nobres, mas que estão sem uso desde que foram devolvidas por seus antigos arrendatários, o Terminal Marítimo do Valongo e a Rodrimar. Os terrenos, que ficam um ao lado do outro, poderão ser utilizados pelas empresas escolhidas enquanto os processos licitatórios para novos arrendamentos não são concluídos pela Docas, ou pelo prazo máximo de 180 dias – o que ocorrer primeiro.Publicidade

Segundo a autoridade portuária, a Área 1, com 19 mil metros quadrados, é disputada pela Santos Brasil (que ofereceu uma remuneração mensal mínima de R$ 107,45 mil), pela BTP (com R$ 106.389), pela SE7Port (R$ 105.170), pela Portonave (R$ 104.776) e pela Termares (R$ 103.920).

A Área 2, que ocupa 42 mil metros quadrados, teve ofertas da Santos Brasil (R$ 247,4 mil como remuneração mensal mínima), da BTP (R$ 235.145), da Portonave (R$ 231.580), da Termares (R$ 229.620) e da SE7Port (R$ 24.040).

Já a Área 3, com cerca de 21 mil metros quadrados, tem como interessadas BTP (R$ 117.546), Portonave (R$ 115.764), SE7Port (R$ 115.530), Reliance (R$ 115 mil) e Termares (R$ 114.869).

A Codesp informou que, de acordo com o edital da concorrência, as operadoras poderão apresentar uma única oferta final na quarta-feira (13), das 12h às 16h. As propostas serão avaliadas pela Docas considerando critérios de exequibilidade, aderência da estrutura financeira aos parâmetros de mercado para a carga a ser movimentada, valor ofertado (soma do arrendamento fixo e do variável) e potencial de receitas tarifárias ao Porto. A melhor classificada será convocada para apresentar os documentos para qualificação em cinco dias úteis.

Conforme a companhia, a ideia de explorar as áreas de forma transitória busca evitar “potenciais prejuízos econômicos, financeiros e sociais em razão da descontinuidade da prestação dos serviços portuários”. Esta é a primeira vez que a Docas utiliza esse instrumento, reconhecido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq, o órgão regulador do setor desde 2016).

Empresa chinesa CCCC revela interesse de consolidar Estaleiro na Paraíba

WSCOM

O vice-presidente da China Communications construction company (CCCC), Chen Zong, se reuniu na tarde desta terça-feira (12), ao lado de outros diretores da empresa na América do Sul, com o governador João Azevêdo (PSB) e a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) para discutir objetivamente formas de viabilização do Estaleiro na praia de Lucena, demonstrando interesse no processo de avançar nos negócios.

O governador apresentou ao grupo de chineses detalhes da realidade econômica, fiscal e sua performance dos serviços, como o Estado bem posicionado do RATING do Tesouro Nacional e apto para atrair grandes investimentos nos próximos anos.

João Azevêdo mostrou uma série de outras oportunidades oferecidas pelo Governo da Paraíba, a partir do Distrito Turístico do Cabo Branco, com interesse de 5 investidores, ainda apresentando o potencial enérgico do Estado em nível competitivo no Nordeste, e lembrando a logística rodoviária e as obras de recursos hídricos.

A obra da Transposição nos dois eixos da Paraíba, Leste e Norte, se somam à política de ampliação de adutora e o canal ACAUÃ-Araçagi.

Estiveram presentes representando a Paraíba, além de João e Lígia, a secretária de Representação Institucional, Maria Suely Alves e o secretário executivo de Representação Institucional, Adauto Marcolino Fernandes. As autoridades internacionais participantes foram Chen Zhong, vice-presidente da CCC; Chang Yunbo, presidente da CCC na América do Sul, e Lil li, CEO da CCCC na América do Sul.

Indústria do alumínio pode ser beneficiada com o Novo Mercado do Gás

Revista Alumínio

A competitividade da indústria do alumínio – cuja cadeia produtiva tem a bauxita como base para a verticalização das indústrias de alumina, alumínio e produtos semimanufaturados e acabados – está diretamente relacionada ao custo de energia, principalmente elétrica e de gás natural, que pode representar até 70% do valor total de produção.

Por conta do custo Brasil, de 2009 a 2015, cinco plantas deixaram de operar no País. A primeira foi a Valesul, em Santa Cruz (RJ). Em seguida, a Novelis anunciou o fechamento das fábricas de Aratu (BA) e Ouro Preto (MG). Por fim, a Alcoa encerrou a unidade de fundição de Poços de Caldas (MG) e, por meio do Consórcio Alumínios do Maranhão, suspendeu temporariamente a produção da Alumar, em São Luís (MA). Com isso, a produção de alumínio primário caiu 52% e transformou o Brasil em um importador líquido de alumínio.

Milton Rego, presidente-executivo da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), explica que os países que produzem alumínio primário são os que têm energia elétrica mais barata, com exceção da China, onde é subsidiada. Na visão dele, depois da energia gerada pelas grandes hidrelétricas, o gás natural é a segunda fonte mais competitiva. “O Brasil, que não tinha gás até então, começa agora com a produção do pré-sal.”

Milton Rego, presidente-executivo da ABAL: em relação às smelters, teríamos de ter uma grande termelétrica a gás que pudesse suprir a necessidade de energia elétrica

Mesmo que o programa federal Novo Mercado do Gás prospere, colaborando com a indústria de refino e de transformados, a contribuição com o segmento de alumínio primário não será suficiente.

“Talvez isso dê um alívio. Porém, em relação às smelters, teríamos de ter uma grande termelétrica a gás que pudesse suprir a necessidade de energia elétrica para a produção”, comenta Milton.  “É possível fazer, sim — nos países do Golfo Pérsico isso já acontece. Mas estamos longe dessa situação.”

Troca de combustíveis

Fillipe Soares, diretor técnico da Abrace, entidade que reúne as grandes indústrias consumidoras de energia, afirma que a cadeia do alumínio é um grande campo para a troca de combustíveis. “Quando uma planta troca diesel por gás natural, por exemplo, tem menor emissão de CO2, colaborando com a sustentabilidade ambiental.”

Como o gás tem menor densidade, é preciso ter um preço competitivo para ser utilizado pela indústria. “No programa Novo Mercado do Gás, se o custo for alto, as empresas continuarão utilizando o carvão”, reforça Soares.


Veja como funciona a cadeia produtiva do alumínio. (Crédito: ABAL/Divulgação)

Oportunidades

Para o diretor da Abrace, há um grande espaço para a penetração do gás natural no País. “As refinarias localizadas nos Estados de Minas Gerais e São Paulo estão bem servidas por gasodutos”, ressalta. “No entanto, as empresas localizadas no Norte do Brasil ainda não estão. Essa é uma oportunidade para o crescimento.”

Uma das alternativas para atender os dois smelters na Região do Norte – a planta da Alcoa em São Luís (MA), e da Hydro, em Belém (PA) – é transportar o gás por meio de navios, sugere Milton Rego.

“É mais uma questão de regulamentação dos Estados, do que propriamente de disponibilidade de gás”, diz ele. “Hoje, o gás está muito barato no mundo. Trazer o navio com gás liquefeito é muito competitivo. É claro que, se o Brasil produzir, ficará mais competitivo ainda, porque não terá esse custo de importação.”

Gás do pré-sal

O programa Novo Mercado do Gás poderá melhorar a competitividade da produção industrial brasileira. Essa é a visão de Paulo Pedrosa, ex-secretário do Ministério de Minas e Energia (MME) e atual presidente da Abrace. Hoje, as tarifas de gás para a indústria no País variam entre US$ 11 e US$ 14 por milhão de BTU, bem acima dos US$ 4 a US$ 7 cobrados nos Estados Unidos.

A produção do pré-sal que já está contratada trará um grande volume de gás. Hoje, o consumo varia entre 40 e 60 milhões de m3 por dia. A expectativa é que, em 10 anos, o consumo industrial dobre para 80 milhões e o termoelétrico chegue a 80 milhões.“Numa projeção otimista, teremos 120 milhões de m3 diários a mais de gás sendo produzidos no pré-sal.”

Recentemente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou o leilão dos Volumes Excedentes da Cessão Onerosa (excedente do volume de petróleo e gás que a União cedeu à Petrobras). Foram arrematadas duas das quatro áreas em oferta – Búzios e Atapu, com arrecadação de R$ 69,96 bilhões em bônus de assinatura.

A ANP também promoveu a 6ª Rodada de Licitações de Partilha da Produção, licitando o bloco de Aram, na Bacia de Santos. Foram arrecadados R$ 5,05 bilhões em bônus de assinatura e a previsão de investimentos é de R$ 278 milhões na fase de exploração.

Destinação

Do ponto de vista da indústria do petróleo, a produção de gás não é tão importante economicamente, como aponta o ex-secretário do MME. O valor do gás é da ordem de 4% da riqueza do pré-sal. No entanto, quando se produz o petróleo, automaticamente tem-se o gás, que necessita ser tratado e destinado. Há opção de injetá-lo novamente ou queimá-lo na plataforma, porém, existem restrições ambientais. O que se espera, é que esse gás seja dirigido ao País e não liquefeito e exportado, uma das alternativas para os produtores.

Neste contexto, Pedrosa ressalta a importância de o setor empresarial negociar diretamente com os produtores para garantir esse gás do pré-sal. “O governo prevê investimentos e novas plantas industriais para absorver essa quantidade de gás.”

Um dos desafios é que muitos Estados têm contratos de concessão de 50 anos nessa área, que dão às empresas uma remuneração de 20% ao ano sobre o investimento e o custeio.

“Esse modelo cria uma reação à abertura do mercado de gás, pois, para se obter grandes volumes, é necessário preço baixo que permita a produção industrial”, salienta o executivo da Abrace.

Evolução do programa

Atualmente, a base conceitual para o Novo Mercado do Gás avançou muito no governo federal, com os acordos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e com os Estados — e os esforços devem continuar.

Entretanto, como prevê a Constituição Federal, cada Estado terá de elaborar a própria regulamentação. São Paulo, por exemplo, deverá optar entre dois modelos: um deles é fazer fluir um grande volume de gás pelo território, criando uma competição gás x gás. O outro é o de universalizar, ou seja, distribuir o gás em todo o Estado, gerando uma “competição” com o gás de bujão, energia elétrica, óleo diesel e combustível.

“Sem dúvida, a escolha favorável para a indústria é a dos grandes volumes de gás, o que permitirá preços para viabilizar a industrialização e a recuperação do emprego e do investimento industrial, além de aumentar a arrecadação dos Estados a partir da recuperação da produção”, destaca Pedrosa.

Visão da indústria

O especialista em Setor Elétrico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Roberto Wagner Pereira, considera que a readequação do setor de gás natural é vital para a retomada do crescimento da indústria, já que o preço do insumo é um dos mais elevados do mundo, sendo um obstáculo para a competitividade.

Roberto Wagner Pereira, especialista em setor elétrico da CNI: readequação do setor de gás natural é vital para a retomada do crescimento da indústria (Crédito: Miguel Ângelo/CNI)

“A busca de um novo modelo de desenvolvimento do setor justifica-se pela baixa competitividade do gás ofertado no País. Vale destacar que, internacionalmente, o gás está se tornando cada vez mais competitivo e a Petrobras decidiu reduzir a participação no setor.”

Com relação ao segmento de transporte de gás, Pereira afirma que o arcabouço regulatório não consegue induzir os investimentos e a concorrência.

“O elevado grau de complexidade e dirigismo do processo de licitação dos gasodutos, além da fragilidade do planejamento setorial, inviabilizam a expansão da malha de gasodutos.”

Presidente da Usiminas debate cenário e perspectivas da siderurgia na América Latina

Diário do Aço

O presidente da Usiminas, Sergio Leite, abriu nesta terça-feira (12) os trabalhos da 60ª edição do Congresso da Associação Latino-americana do Aço (Alacero) que ocorre até quinta-feira (14), em Buenos Aires, na Argentina. Leite, que também é presidente do Conselho de Administração do Instituto Aço Brasil, foi o mediador do primeiro painel do dia “A indústria siderúrgica global e seus insumos”. O painel reuniu Edwin Basson, diretor geral e membro do Comitê Executivo da World Steel Association e Paul Butterworth, responsável geral pela análise de mercados de matérias-primas do aço na consultoria internacional CRU. Antes do debate, Leite apresentou o cenário atual do mercado siderúrgico mundial, marcado pelo excesso de capacidade, e as perspectivas do setor diante de um contexto de crescimento do protecionismo, turbulências econômicas e maior pressão em temas como mudanças climáticas e sustentabilidade.

“A indústria do aço da América Latina tem desafios importantes pela frente. Estamos vendo um movimento de redução do comércio mundial em função do aumento de barreiras por diversos países e uma grande volatilidade nos preços dos nossos principais insumos, o que leva a uma redução das margens do negócio. Nesse cenário, o debate é extremamente importante para buscarmos soluções para enfrentarmos esses obstáculos comuns”, avalia o executivo.

Além da participação de Leite, a Usiminas também apresentará os programas “Mobiliza pelos Caminhos do Vale” e “ Mobiliza Todos pela Água”, que têm conquistado resultados relevantes na melhoria da qualidade de vida das comunidades em diversas cidades da região do Vale do Aço e leste de Minas Gerais.

Durante o evento, os participantes poderão conhecer no estante da Usiminas as Usinas de Ipatinga e Cubatão por meio de um tour virtual, utilizando óculos de realidade aumentada e de maquetes virtuais em três dimensões.

O congresso anual da Alacero acontece desde 1959 com o objetivo de debater temas atuais, para que as empresas produtoras de aço e sua cadeia de valor estejam preparadas para responder não só às necessidades do mercado, como também, contribuir para o crescimento industrial e socioeconômico da região. Com uma média de 800 participantes, o evento oferece atualização sobre os temas do momento e proporciona um espaço de networking reforçando os laços na cadeia produtiva e gerando debates sobre os temas que impactam o setor.

Gerdau: “estamos muito otimistas com 2020”

Infomet

O presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, disse que espera um crescimento de 6% a 8% na operação de longos em 2020, com a demanda no mercado brasileiro, puxado principalmente pelo setor imobiliário. “Pela primeira vez nesses últimos tempos, estamos vendo a demanda retomando. Com o aumento dos lançamentos imobiliários, os pedidos estão acontecendo. E esse movimento será mais forte depois do Carnaval. Então, 2020, haverá recuperação de mercado”, afirmou o executivo.

Com a queda da demanda nos último anos a Gerdau passou a operar com capacidade instalado de 63% em anos longos. “O ideal é um nível de ociosidade de 20% na operação. Mas, estamos trabalhando para essa recuperação esperada no próximo ano. Não haverá desabastecimento. Temos duas usinas paradas, uma na Bahia e outra em Curitiba, com isso temos condições de voltar a operação normal dessas unidades em três meses, caso necessitemos reativá-las”, afirmou o executivo.

Com relação aos investimentos previstos para a reforma do alto-forno 1 da usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, em 2022, o presidente informa de que a mesma ocorrerá em 2023, pois foi feita uma pequena manutenção do equipamento neste ano, com uma interrupção da operação por 60 dias, a companhia conseguiu estender a vida útil do alto-forno por mais um ano. “Será uma parada por quatro a cinco meses e os investimentos estão dentro do plano que traçamos para a usina nos próximos quatro anos. São recursos da ordem de R$ 500 milhões por ano que serão aplicados em Ouro Branco, incluindo a siderurgia e a mineração até 2022”, disse o executivo do grupo brasileiro

Análise: O governo Bolsonaro está no caminho certo para impulsionar a economia?

TERRA

Após a aprovação da reforma da Previdência, o ministro Paulo Guedes lançou um amplo pacote de medidas destinadas a reduzir os gastos públicos. Muitas das propostas são pertinentes, mas não deve ser fácil implementá-las.Talvez tivesse sido útil para o ministro da Economia, Paulo Guedes, testar seu recém-apresentado pacote de reformas num chamado elevator pitch (“discurso de elevador”) – ou seja, tentar convencer alguém influente durante a duração de uma viagem de elevador, ou seja, no máximo 30 segundos.

Bolsonaro e Paulo Guedes ao fundo: com pacote, ministro pretende romper espiral da dívida
Bolsonaro e Paulo Guedes ao fundo: com pacote, ministro pretende romper espiral da dívidaFoto: DW / Deutsche Welle

Porque é exatamente isso que falta ao Plano Mais Brasil: trata-se de um pacote abrangente de reformas com muitas medidas individuais, das quais muitas são pertinentes, mas difíceis de explicar em uma ou duas frases. Isso é essencial para que reformas tenham uma chance de serem implementadas – afinal, o pacote de Guedes será agora discutido pela opinião pública durante meses.

Grupos de lobistas e políticos vão se posicionar até a votação final no Congresso. Mas se o objetivo e os benefícios de um pacote de reformas não forem imediatamente perceptíveis, há poucas chances de serem implementados.

Guedes pretende erradicar o problema fundamental do Estado brasileiro, que sobrecarrega a economia do país há décadas: o gasto excessivo. Ano após ano, o Estado gasta mais do que arrecada.

Antes da reforma econômica do Plano Real de 1994, a lacuna entre (muito pouca) receita e gastos (muito altos) era compensada com a inflação. Para poder gastar mais do que tinha em caixa, o governo imprimiu dinheiro. Até a inflação ficar tão alta que o dinheiro perdeu o seu valor. Então foi feita uma reforma monetária, e alguns zeros foram cortados, e tudo recomeçou. Nos 25 anos após o Plano Real, os gastos foram financiados por créditos (e um pouco por notas impressas).

O resultado: a dívida em relação ao desempenho econômico aumentou rapidamente. Consequentemente, o Estado teve que pagar cada vez mais juros sobre seus empréstimos, o que aumenta exponencialmente o déficit no orçamento da União. O crescente déficit orçamentário paralisa e economia como um todo, porque o Estado quita apenas os vencimentos de funcionários públicos, pensões e alguns gastos correntes com encargos sociais, mas nada sobra para investimentos.

Nos últimos anos, os governos federais aprovaram várias medidas que visavam frear a geração de dívidas – Lei da Responsabilidade Fiscal, Regra de Ouro e a chamada lei do teto (Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos). Mas elas todas foram, mais ou menos, contornadas e minadas por meio do Judiciário ou do Congresso.

Guedes pretende romper radicalmente essa espiral da dívida – ele quer criar mecanismos que acionam automaticamente os freios das despesas públicas. O objetivo é que o acionamento desses mecanismos de bloqueio nos gastos não dependa mais da vontade política de quem estiver no poder. Para isso, Guedes desenvolveu várias regras fiscais que devem ser consagradas na Constituição, o que faria com que elas não possam ser contornadas tão facilmente.

Por exemplo, caso as despesas fixas, as chamadas despesas obrigatórias, atingirem mais de 95% num determinado orçamento, as despesas do serviço público serão congeladas automaticamente. Nenhum novo funcionário pode ser contratado, não são permitidas promoções, os salários não são mais ajustados pela inflação. Com isso, busca-se garantir o cumprimento da lei do teto, promulgada pelo o Congresso em 2016 e que estabeleceu que, durante 20 anos, os gastos públicos só podem aumentar conforme a inflação.

O pacote de Guedes também prevê medidas drásticas para garantir o cumprimento da Regra de Ouro, segundo a qual as despesas correntes não devem ser quitadas com novos empréstimos. Caso a própria arrecadação for insuficiente, as prefeituras, os estados ou o próprio governo federal devem reduzir em até 25% a carga de trabalho do setor público – até que o orçamento esteja equilibrado novamente. Ou seja, em escritórios, hospitais ou universidades públicas, os funcionários trabalhariam apenas quatro, em vez de cinco dias por semana.

Além disso, o governo federal quer dissolver cerca de um quinto de todos os municípios do Brasil que possuem menos de cinco mil habitantes e geram menos de 10% de sua própria arrecadação. Guedes também quer dissolver cerca de 200 fundos especiais.

Essas são medidas liberais radicais, que são difíceis de implementar em sistemas democráticos porque, acima de tudo, a administração pública está no centro das medidas de austeridade. Portanto, aqueles que teriam de aplicar as medidas são os que precisariam apertar o cinto.

O governo federal quer tornar o pacote de austeridade mais atraente em todos os níveis federais, ao prometer a estados e municípios maiores receitas oriundas de privatizações, especialmente de campos de petróleo.

“Mais Brasil, menos Brasília” é o lema do governo. Prefeitos e governadores devem receber mais dinheiro no curto prazo, mas no longo prazo estarão concordando com um rigoroso espartilho fiscal.

No entanto, o leilão de campos de petróleo da semana passada não teve o sucesso esperado. Quase não há injeção de capital de investimento no Brasil, e, portanto, há menos para distribuir. Isso deve paralisar o entusiasmo reformista no Congresso, mas também em comunidades e estados.

Além disso, o espaço de tempo é extremamente curto para as complicadas mudanças constitucionais. Em outubro de 2020, estão previstas eleições municipais em todo o país. Nenhum político quer impulsionar reformas que muitos eleitores sentirão imediatamente.

Para efeito de comparação, as negociações em torno da reforma da Previdência, que entra em vigor nesta terça-feira (12/11), duraram muito mais do que os dez meses de governo Bolsonaro. Os primeiros debates ocorreram durante o governo de Michel Temer, e, no total, foram 35 meses de negociações até o Congresso aprovar a reforma.

As fracas reações nos mercados financeiros mostram que os investidores não acreditam realmente nos pacotes econômicos de Guedes. O real está notoriamente mais fraco após o fracassado leilão dos campos de petróleo e a apresentação do pacote de reformas.

Outro sinal negativo é que até agora nenhum banco de investimento apresentou uma análise ou avaliação do pacote. Parece que todo mundo está esperando para ver como serão as primeiras reações na política e na economia. E isso não é um bom indício para o Brasil, que precisa urgentemente de investimentos e de novos empregos.