Sindicato dos petroleiros decide suspender greve temporariamente

Poder 360

FUP (Federação Única dos Petroleiros) anunciou nesta 5ª feira (20.fev.2020) que a categoria suspenderá a greve para tentar novo acordo com a Petrobras. A paralisação dos petroleiros já dura 20 dias. De acordo com a federação, a decisão foi tomada em assembleias realizadas pelos 13 sindicatos filiados.

“Com isso, os petroleiros reforçam sua disposição em dialogar com a Petrobras na manhã desta 6ª feira (21.fev.2020), em Brasília, em audiência de mediação proposta pelo ministro Ives Gandra, do TST (Tribunal Superior do Trabalho)”, diz o comunicado.

A reunião também deve contar com a presença de representantes da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.

A paralisação começou em 1º de fevereiro com o pedido da categoria para suspender as demissões em subsidiária da Petrobras no Paraná. A FUP aponta que as demissões afetam mais de 1.000 famílias. Se não houver 1 acordo, o sindicato diz que vai indicar a retomada do movimento.

A decisão de pausar o movimento se deu depois de indicativo divulgado na 4ª feira (19.fev):

reprodução

REIVINDICAÇÕES

Os petroleiros querem o estabelecimento de negociação com a estatal para cumprimento de ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) que, argumenta a federação, vem sendo descumprido. A FUP aponta, ainda, entre as reivindicações o fim da política de paridade de preços com o mercado internacional.

Eis a lista com as reivindicações da categoria (121 KB).

Em nota, a Petrobras afirmou que o movimento é “descabido” e que tomou as providências necessárias para garantir a continuidade das atividades. De acordo com a estatal, todos os compromissos assumidos na negociação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) 2019-2020 vêm sendo integralmente cumpridos.

O presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco, afirmou que, mesmo diante de eventual acordo na manhã de 6ª feira, contratos de trabalho serão suspensos.

Diferentemente dos sindicatos, que falam em 1.000 desempregados, a estatal reconhece responsabilidade pelos 396 contratados diretos. “Não existe essa história de 1 mil empregados. O restante é dos fornecedores”, disse Castello Branco.

Rnest alavanca dívida bruta da Petrobras

Jornal do Commercio

A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), inaugurada há 5 anos no Complexo de Suape, contribuiu mais uma vez para aumentar a dívida bruta da Petrobras, que fechou em US$ 87,1 bilhões no ano passado. Apesar de ter encerrado o ano com um lucro líquido recorde de R$ 41 bilhões, a companhia continua a ser uma das petroleiras mais endividadas do mundo. Desde que foi construída, a Rnest contribui ano a ano para a desvalorização dos ativos da Petrobras. A divulgação do balanço da companhia em 2019 aconteceu ontem durante evento na sede da empresa, no Rio de Janeiro.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, lembrou que a unidade de refino de Pernambuco foi a mais cara construída no mundo, diante da sua capacidade de produção. “Existem refinarias no Oriente Médio com uma produção muito superior e que tiveram investimento menor”, observou. O projeto da Rnest previa uma capacidade de produção de 230 mil barris de petróleo por dia, mas o investimento na segunda parte da planta não foi construído e atualmente ela só produz 100 mil barris por dia, com destaque para a produção de diesel

O balanço de 2019 da Petrobras contabilizou perdas de R$ 11,6 bilhões por redução ao valor recuperável do ativo (“impairment”). Desse total, R$ 6,59 bilhões vieram da revisão de expectativa de curva do petróleo Brent, no quarto trimestre, e R$ 2,2 bilhões vieram da postergação da previsão de entrada em operação do segundo trem (etapa) da Rnest, que está fora do horizonte, à espera da venda do empreendimento. Outro fator de perda foi a perfuração de poços secos, com baixa de US$ 1,25 bilhão.

“Se a Rnest não for vendida, a companhia terá que fazer um investimento na unidade mais pra frente e essa postergação diminui o valor do ativo. A Petrobras sofreu um desmonte gigante nos últimos anos e não será fácil reverter. Já estamos conseguindo, mas durante algum tempo vamos precisar conciliar a redução da dívida com a melhora da companhia. Para isso, vamos continuar fazendo investimentos, boa parte deles com recursos oriundos do programa de desinvestimento”, diz Castello Branco. No ano passado, a Petrobras conseguiu colocar US$ 16,3 bilhões no caixa da companhia por conta dos desinvestimentos e, por outro lado, fez investimento de US$ 27,4 bilhões.

A expectativa da Petrobras é assinar contrato de compra e venda de oito refinarias, inclusive a Rnest, ainda este ano e concluir as negociações em 2021. Castello Branco adiantou que há interesse de compradores por todas as refinarias colocadas à venda. “Todas as refinarias receberam ofertas, nenhuma ficou órfã”, afirma.

A Petrobras espera receber no segundo trimestre deste ano as propostas vinculantes pelas refinarias colocadas à venda, revisando a previsão anterior que era no início de março. Segundo a companhia, as empresas interessadas pediram mais prazo para apresentar suas propostas. A Rnest foi a última refinaria construída pela Petrobras após um intervalo de mais de 30 anos sem construir uma nova unidade de refino. Castello Branco também lamentou os US$ 50 bilhões desperdiçados na construção de refinarias sem operação, como o Comperj, as Premium 1 e 2 e Pasadena, além da Rnest, com pequena produção. “O Comperj é o cemitério da corrupção”, disse.

Gerdau registra queda de 74% no lucro líquido do 4º trimestre

Infomet

O grupo siderúrgico Gerdau teve queda de 74% no lucro líquido do quarto trimestre de 2019 sobre o mesmo período do ano anterior, pressionado por queda nos preços internacionais do aço e demanda menor pelos produtos da divisão de aços especiais no Brasil e nos Estados Unidos.

A companhia teve lucro líquido de 102 milhões de reais nos três últimos meses do ano passado, ante previsão média de analistas compilada pela Refinitiv de 362 milhões de reais.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 19,4% no período, para 1,13 bilhão de reais, ficando também abaixo da expectativa média do mercado, de 1,31 bilhão, segundo a Refinitv.

A produção de aço bruto da divisão de aços especiais, voltada para indústrias como automotiva e petrolífera, despencou 33% no período e as vendas recuaram 28%. Com isso, o Ebitda da unidade desabou 50%, para 113 milhões de reais e a margem retrocedeu de 11,4% para 8,1%.

A Gerdau afirmou que no Brasil a produção caiu por causa de parada em usina de Mogi das Cruzes (SP) e as vendas tiveram queda por causa da contínua redução das exportações da indústria de veículos nacional, que tem a Argentina como seu principal cliente.

Nos Estados Unidos, a divisão de aços especiais produziu e vendeu menos “em virtude da menor demanda no setor de óleo e gás e da redução na produção automotiva no período”, afirmou a Gerdau.

Fora da divisão de aços especiais, a Gerdau teve crescimento nas vendas de aços longos, voltados para a indústria de construção civil. As vendas no mercado interno da unidade “Brasil” da Gerdau subiram 14% no quarto trimestre sobre um ano antes, puxadas pelo incremento de 15% no volume de longos e de 11,4% no de planos.

Segundo a Gerdau, este movimento evidencia “melhor demanda nos mercados de construção civil e da indústria. Vale ressaltar que as vendas de concreto armado (vergalhão e corte e dobra) aumentaram 17% e as vendas de chapas grossas aumentaram 36% no mesmo período”.

Apesar disso, o Ebitda ajustado da operação Brasil da Gerdau caiu 16% e a margem recuou de 16,4% no quarto trimestre de 2018 para 13,4% nos últimos três meses de 2019.

A Gerdau terminou o ano passado com relação dívida líquida sobre Ebitda de 1,67 vez, redução ante o nível de 1,71 vez do fim de 2018 e do múltiplo de 1,96 vez ao final de setembro.


OPERAÇÕES MINEIRAS DA GERDAU RECEBERÃO R$ 1 BILHÃO EM 2 ANOS

A Gerdau segue focada nos investimentos voltados para as operações em Minas Gerais e deve investir cerca de R$ 1 bilhão nas operações no Estado nos próximos dois anos. Além disso, no final do ano passado, a empresa obteve a licença para a nova área chamada Várzea Leste Norte, que faz parte do complexo Várzea do Lopes, localizado em Itabirito/Moeda. O empreendimento contará com a produção de 1 milhão de toneladas de minério de ferro ao ano e as obras serão iniciadas entre final de março e início de abril. Também estão previstos investimentos próximos a R$ 40 milhões na descaracterização de barragens em 2020.

“Tivemos importantes avanços no final de 2019. Na operação de mineração, cujo foco é o abastecimento interno, obtivemos, em dezembro, licença para a nova área Várzea Leste Norte, que contará com a produção de 1 milhão de toneladas de minério de ferro ao ano. Outro avanço foi o nosso plano de solução para descaracterização do alteamento a montante da barragem dos Alemães, que foi aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM)”, explicou o diretor-presidente (CEO) da Gerdau, Gustavo Werneck.

O investimento previsto para a descaracterização da barragem dos Alemães, em Ouro Preto, é de R$ 40 milhões em 2020.

Werneck explica que Minas Gerais é um estado muito importante para a Gerdau, por isso, nos próximos anos, uma parte muito significativa dos investimentos previstos para o Brasil será direcionada para o Estado.

“Na mineração, vamos fazer investimentos importantes em processamento a seco e vamos aportar na descaracterização da barragem. Na usina de Ouro Branco vamos ter um ciclo de investimentos importante de 2020 a 2024. A unidade passará por manutenções, modernização tecnológica e melhoria da competitividade. Vamos ter uma obra relevante no alto-forno 1 por volta de 2023. Boa parte do capex previsto para o Brasil vai ser direcionado para Ouro Branco. Nos próximos dois anos, serão investidos R$ 1 bilhão em Minas Gerais especialmente na mineração e na usina”.

Em 2019, os investimentos da Gerdau somaram R$ 1,7 bilhão, sendo R$ 797 milhões para manutenção geral, R$ 424 milhões para manutenção da usina de Ouro Branco e R$ 525 milhões para expansão e atualização tecnológica. Do valor total desembolsado no ano, 49% foram destinados para a operação Brasil, 24% para a Aços Especiais, 23% para a América do Norte e 4% para a América do Sul.

O plano de investimentos global da companhia para 2020 continua sendo de R$ 2,6 bilhões, que faz parte do programa de capex de R$ 7 bilhões para o período de 3 anos (2019-2021).

Produção de aço bruto tem queda em 2019

A produção de aço bruto da Gerdau chegou a 2,9 milhões de toneladas no quarto trimestre, contra 3,2 milhões de toneladas um ano antes, queda de 8,4%. Já as vendas chegaram a 3 milhões de toneladas entre outubro e dezembro de 2019, enquanto na mesma época de 2018 havia sido de 3,1 milhões de toneladas. Resultado 2,8% menor.

No acumulado do ano, a produção da siderúrgica caiu de 15,3 milhões de toneladas em 2018 para 12,4 milhões de toneladas em 2019, volume 18,8% inferior. As vendas também ficaram menores, saindo de 143,5 milhões de toneladas para 12 milhões de toneladas em 2019, retração de 17%.

Na Operação de Negócio Brasil (ON Brasil), ao longo do quarto trimestre de 2019, a produção de aço bruto somou 1,4 milhão de toneladas, queda de 1% frente a igual período anterior. Mantendo a mesma base de comparação, foi verificada alta de 13,2% nas vendas totais internas somando 1,4 milhão de toneladas. As vendas internas de aços longos, 1 milhão de toneladas, cresceram 14,9% e de aços planos, 434 mil toneladas, aumentaram 11,4%.

O diretor-presidente (CEO) da Gerdau, Gustavo Werneck, destaca que, no Brasil, ao longo do quarto trimestre de 2019, houve um crescimento acima da média do mercado doméstico de aços planos e longos. No período, as vendas de aços planos cresceram 11,4%, impulsionadas, principalmente, pelo avanço da estratégia em chapas grossas nos setores eólicos, máquinas e equipamentos, embarcações e óleo e gás. Para 2020, as perspectivas são positivas e os negócios serão estimulados pelos avanços na construção civil e nos projetos de infraestrutura.

“A cadeia consumidora de aço encerrou 2019 com baixos níveis de estoques e demanda aquecida. O mercado doméstico de aços longos, os sinais de reação no setor de construção civil no Brasil se confirmaram nos últimos meses do ano, o que resultou em aumento de 17% nas nossas vendas de aço para concreto armado no quarto trimestre de 2019. Para 2020, o avanço dos lançamentos da construção civil, que estavam restritos aos grandes centros, devem se estender a outras regiões do País, favorecendo uma retomada mais consistente para o setor da construção e contribuir para a maior demanda pelos nossos produtos”.

Ainda conforme Werneck, é esperado um avanço maior no setor de infraestrutura a partir do segundo semestre de 2020, seguindo os destravamentos dos investimentos públicos e das parcerias com o setor privado.

O segmento de varejo também segue bastante positivo, segundo Werneck. “Nossas vendas subiram 34% em 2019, frente a 2018, enquanto a base de cliente cresceu 55%. Além disso, as vendas vias canais eletrônicos passaram a representar 11% dos volumes vendidos devido ao lançamento da loja virtual”, disse Werneck.

Gerdau vê espaço para subir preços de aço no Brasil no 1º tri

Reuters

O atual panorama permite à Gerdau elevar preços de aço no Brasil no primeiro trimestre, depois que a diferença de valores entre a liga importada e a nacional ficou próxima de zero em janeiro, afirmou nesta quarta-feira o presidente-executivo do grupo siderúrgico, Gustavo Werneck.

“Temos objetivo de recompor margens, já que existe uma tendência de subida de (custo de) matéria-prima. Com o crescimento de demanda na construção civil, existe ambiente bastante propício no primeiro trimestre para a gente implementar essa subida de preços e recompor margem”, disse Werneck.

Ele não foi específico sobre o reajuste pretendido pela Gerdau, mas afirmou que desde janeiro a Gerdau tem “reposicionado” os preços no Brasil, de olho em elevar a diferença de valores entre material importado e nacional, conhecida como “prêmio” pelo setor.

“Queremos levar os prêmios para patamares mais equilibrados…para dois dígitos, acima de 10%”, disse Werneck.

As ações da Gerdau, que estavam entre as principais quedas mais cedo, logo após a divulgação de queda de 74% no lucro líquido do quarto trimestre sobre um ano antes, reduziram a perda após os comentários de Werneck, caindo 1,3% às 13h20.

O presidente da Gerdau comentou ainda que espera uma recuperação de margens das operações de aços especiais da empresa nos Estados Unidos neste ano, após a divisão pressionar o resultado do grupo no quarto trimestre.

No Brasil, Werneck citou que a Gerdau espera que o movimento de recuperação do mercado imobiliário residencial continue nos próximos meses, fomentando a demanda por aços longos.

“Todos os indicadores mostram que a demanda se recuperou e vai continuar se recuperando nos próximos meses, não só em São Paulo, mas em outras regiões do país”, disse o executivo.

Negociação para livre comércio com a Coreia avança e preocupa indústria

O Globo

A negociação de um tratado de livre comércio do Mercosul com a Coreia do Sul avançou rapidamente nos últimos dias. O eventual acordo despontou como a grande aposta do ano para a política de abertura da economia. Mas isso tem desagradado setores produtivos, que reclamam inclusive da falta de transparência do governo sobre os detalhes negociados.  Mantido o ritmo, o acordo será fechado entre o meio do ano e o fim de 2020.  

Outras negociações, com o Japão e os EUA por exemplo, estavam mais avançadas e contavam com mais apoio de entidades de empresários. Mas a Coreia do Sul furou a fila. A interpretação é que os coreanos são mais pragmáticos e que o governo brasileiro entende que o tratado com os coreanos vai forçar uma abertura mais rápida da economia brasileira. Há um cálculo político. O desnível competitivo em relação à Coreia deixaria mais evidente a necessidade de reformas como a tributária. No Brasil, a carga sob a indústria, por exemplo, é de 46%.

Os tratados costumam estipular tarifas diferentes por setores e um tempo até a adoção das novas regras. Até aqui esses detalhes não foram divulgados pelo governo. Isso explica porque o apoio do setor produtivo ao acordo é baixo.  

A situação gera um temor. A Coreia do Sul é o segundo país mais contestado na OMC por práticas desleais, nos processos antidumping e contra subsídios. Só fica atrás da China. O país se caracteriza pelos grandes conglomerados, que controlam de siderúrgicas a fábricas de eletrônicos, passando por estaleiros. A indústria brasileira alerta que não teria como competir com os custos menores da Coreia. A CNI, a confederação do setor, diz que uma simulação revelou que o tratado com coreanos teria um impacto negativo no PIB brasileiro, com perda de empregos. A indústria de transformação representa cerca de 30% do PIB na Coreia do Sul; no Brasil a participação do setor está em torno de 12%.

Pelo o que se sabe até aqui, o agronegócio seria um dos setores beneficiados. Mas falta clareza. Mesmo na Argentina, também grande exportadora de grãos e carnes, há receios sobre o tratado. A próxima rodada de negociações deve ocorrer em maio.

Confiança da indústria cresce 0,7 ponto na prévia de fevereiro

Agência Brasil

O Índice da Confiança da Indústria (ICI) cresceu 0,7 ponto na prévia de fevereiro em relação ao número consolidado de janeiro, segundo dados divulgados hoje (19) pela Fundação Getulio Vargas. Com isso, o indicador chegou a 101,6 pontos, mesmo patamar de setembro de 2013.

A alta da confiança foi resultado da melhora da percepção dos empresários em relação ao momento presente. O Índice de Situação Atual teve alta de 1,7 ponto, passando para 101,4 pontos, o maior valor desde outubro de 2013 (101,6 pontos).

Já o Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, recuou 0,3 ponto, para 101,7 pontos.

O resultado preliminar de fevereiro indica alta de 0,5 ponto percentual do Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria (NUCI), para 76,2%, o mesmo valor outubro de 2018.

A Presidência desonrada

Por Míriam Leitão

O presidente Bolsonaro avilta a Presidência da República. Ao caluniar e difamar uma jornalista com uma afirmação machista e uma insinuação sexual, ele não atinge só a  Patrícia Campos Mello. Num efeito bumerangue, Bolsonaro desrespeita o próprio cargo que ocupa. A Presidência tem poderes e tem obrigações. O presidente tem usado os seus poderes para descumprir suas obrigações. Diariamente. Ele tem escalado diante dos olhos da nação. Até quando as instituições brasileiras permanecerão tão incapazes de responder a um chefe do Executivo que quebra o decoro da instância máxima da República?

O espetáculo de horror se repete toda manhã. Bolsonaro chega com seus seguranças e sua claque, ofende alguém ou alguma instituição, ataca e debocha dos jornalistas, faz gestos obscenos, manda os repórteres calarem a boca. Diariamente, ele exibe seu mandonismo primitivo. A qualquer momento do dia, em edição extraordinária, pode ser retomado o show de ofensas que é a comunicação presidencial. A lista dos alvos do presidente é imensa: os governadores, os portadores de HIV, os indígenas, os ambientalistas, a primeira-dama da França, os estudantes, Paulo Freire. Jornalistas são uma “raça em extinção”, governadores do Nordeste são os “governadores Paraíba”, o repórter na porta do Palácio tinha uma cara de “homossexual terrível”, ONGs incendiaram a Amazônia e ambientalistas devem ser confinados, os índios “estão evoluindo e cada vez mais são seres humanos como nós”, os portadores de HIV custam caro ao país, Paulo Freire não pode descansar em paz, é o “energúmeno”.

O que Bolsonaro fez ontem foi repugnante. Ele repetiu a mentira do depoente da CPI da Fake News na semana passada e que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, ecoou da tribuna. Bolsonaro deu sequência à calúnia, usou de deboche obsceno para as gargalhadas da sua claque. O que houve foi um ataque serial à jornalista da “Folha de S.Paulo”, e dele o presidente fez parte. A reportagem que provocou toda a ira do presidente ilumina um fato que precisa ser cada vez mais entendido, a compra de disparos em massa de fakenews através do WhatsApp. O país precisa proteger a democracia do risco de interferências e manipulação do processo de escolha do eleitor através de mentiras difundidas pelas redes sociais. Ou a democracia entende esse submundo ou correrá riscos.

Todo governante pode gostar ou não de uma reportagem, reclamar, dar o seu lado, desmentir, combater a informação que considera errada com mais informação. Mas um governante não pode levar a Presidência ao nível de baixeza que foi levada ontem por Bolsonaro, na difamação sexista contra a portadora da notícia da qual ele não gostou. Essas ofensas a Patrícia Campos Mello atingem a imprensa independente e responsável, que não vai se calar diante dos gritos e das injúrias, mas que o governante tenta intimidar.

Este é apenas um caso. Mas é extremo. Nele, o presidente ultrapassou todos os limites impostos pelo decoro que o cargo exige. Nos últimos dias, ele provocou uma crise federativa ao desafiar os governadores a adotar uma proposta que ele sabe ser impraticável, de zerar todos os impostos sobre combustíveis e, depois, fez um acusação direta ao governador da Bahia. Uma das obrigações do presidente é zelar pela federação, Bolsonaro atormenta a federação. Ele a fragiliza.

Um presidente não é inimputável. Ele pode não responder pelos atos que cometeu antes de assumir. E essa prerrogativa existe para proteger a Presidência em si e não a pessoa que ocupa o cargo. Mas Bolsonaro entendeu que entre os seus poderes está o de dizer o que lhe vier à cabeça, agredindo qualquer brasileiro, grupo social ou instituição. Contra isso existem os freios e contrapesos, para que um Poder alerte o outro dos excessos cometidos. O problema no Brasil neste momento é que o presidente radicalizou, exibe uma agressividade descontrolada, e os outros poderes se encolheram diante desse extremismo.

É assim que as democracias morrem. Elas vão sendo desmoralizadas aos poucos, as instituições vão se omitindo e se cansando das batalhas diárias, as pessoas vão se acostumando aos absurdos.

Carteira do PPI inclui portos, florestas parques e áreas de mineração

Valor Econômico

A carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) incluiu a concessão de cinco novos terminais portuários, por sugestão do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, conforme a reunião realizada nesta quarta-feira do Conselho do PPI, a primeira desde que o programa migrou para o Ministério da Economia.

Os terminais estão localizados em Aratu (BA), Maceió, Santana (AP), Paranaguá (PR) e Vila do Conde (PA), destacou nesta quarta-feira a secretária especial do programa, Martha Seillier. Também foi incluída a relicitação da BR-040, concedida no governo Dilma Rousseff e devolvida ao governo.

A carteira passou a contar com mais dois parques nacionais, ambos no Rio Grande do Sul: Canela e São Francisco de Paula. Três florestas no Amazonas foram incluídos para concessão na carteira do PPI: Humaitá, Piquiri e Castanho. A ideia é permitir o manejo sustentável dessas áreas.Publicidade

O conselho também incluiu no programa cerca de 20 mil direitos minerários em poder da Agência Nacional de Mineração (ANM). São áreas que já estiveram em mãos privadas e por algum motivo retornaram ao governo.

A Ceitec, uma empresa estatal fabricante de chips, foi incluída no Programa Nacional de Desestatização (PND). Os estudos para sua privatização, que deveriam ser concluídos em junho, foram antecipados para março.

Um novo conjunto de participações minoritárias da União foi incluído no programa. Também foram adicionados terminais pesqueiros em Cabedelo (PB), Belém e Manaus.

O PPI também propôs a criação de uma política para atrair investimentos privados para o setor de turismo.

Com a reunião de hoje, a carteira do PPI passa a ter 134 projetos, destacou a secretária especial, que salientou ainda a inclusão de mais dois leilões de geração de energia, A-4 e A-6, e dois de transmissão.

Desde 2016, o PPI já leiloou 172 dos 287 projetos qualificados no programa. Os investimentos estimados com esses projetos são da ordem de R$ 700 bilhões. Os leilões realizados pelo PPI desde sua criação geraram receitas de outorga de cerca de R$ 137 bilhões para a União.